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terça-feira, 30 de outubro de 2012

36

A trigésima sexta roda do ano aconteceu na base do espirito guerreiro, da resistencia. Estávamos com poucas pessoas, de modo a termos que nos revesar nos instrumentos. Tava rolando roda. Da avenida oceanica, que passa bem embaixo dos janelões do Nzinga, dá para ouvir muito bem o som da  musica dos nossos instrumentos. Cinco jovens que iam passando por esta avenida, foram atraidos pelo som dos berimbaus. Chegando lá em cima, colocaram a cabeça na porta para dar uma pequena olhadela no que acontecia ali. Logo os convidei para entrarem e sentarem. Fizeram isso, mas 5 minutos depois ja estavam sentados na roda. Eram cinco adolescentes negros que praticavam capoeira regional. Entraram, jogaram e deram um gás legal em nossa roda que já se encaminhava para o fim. Foram convidados a voltar um outro dia.  Partiram tão de repente quanto chegaram. Deixaram as suas vibrações positivas! Aweto!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

35

A trigésima quinta roda aconteceu de maneira tranquila. Começamos com poucas pessoas, inclusive duas visitas, e só então foram chegando os retardatários. Eu e as mestras Janja e Paulinha, pudemos nos revezar no canto e nas outras funções. Naquela sexta, marcamos prá comemorar o aniversario de 15 anos de Antonio Telles, que havia ocorrido de fato na quarta feira, 17/10. Este jovem já é nzingueiro desde os 8 anos. Tenho visto, na prática e na teoria, o crescimento de um discípulo, de uma pessoa. Imaginem como é difícil um processo de aprendizagem que não tem dia e nem hora certa de acabar. Na escola formal a gente sabe exatamente quantos anos terá pela frente até a sua  conclusão. Na universidade, idem... mas na capoeira angola não existe a possibilidade de prevermos de quando será o dia em que estaremos “prontos”. Na escola formal basta que o aluno atinja determinada “nota”ou média, e ele estará automaticamente aprovado para a fase seguinte. Na capoeira, isso é um pouco mais complexo. Não basta apenas saber jogar o jogo. Existem fundamentos que tem que ser assimilados e uma relação de confiança entre mestre e discípulo deverá ser construída, pois muito provavelmente ela será para toda a vida. Isso não acontece na escola formal, pois depois que o aluno consegue a sua nota ou média, ele não necessariamente terá que continuar se relacionando com o seu antigo professor.
Pois é, Antônio está crescido e temos ainda muitos movimentos e valores a lhe ensinar para colaborar com a sua formação como cidadão e como capoeirista. De certo que a minha grande torcida é que ele continue conosco, pertencendo ao mundo angoleiro, porque por outro lado, a Vida, o "sistema bruto", na crueldade banal do cotidiano, pode sugerir-lhe caminhos estranhos. Isso ja ví acontecer com muitos outros "antônios".

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Dia das Crianças

Hoje, dia 12 de outubro, iremos comemorar o dia das crianças no Nzinga com um rol de atividades. Num primeiro momento, teremos um Festival de Talentos, onde as crianças e jovens poderão apresentar alguma performance artística. Os que fizerem isso acontecer, ganharão lembrancinhas, presentes, doados pelo Nzinga São Paulo. Não temos condições de oferecer presentes a todas as crianças do Alto da Sereia. Se aparecerem mais crianças do que esperamos, faremos um arranjo quando os presentes começarem a escassearem.  As pessoas que quiserem contribuir com o nosso trabalho, podem a qualquer momento e ocasião, fazer doações de qualquer tipo, sejam sapatos, camisetas, brinquedos e até dinheiro. As necessidades são cotidianas. Tudo que nos for doado será bem vindo! Ao chegarem no Nzinga, tem crianças que me confidenciam que estão com fome. Infelizmente, com esse tipo de coisa não podemos arcar. No máximo, oferecemos amor e respeito, a pipoca na sessão do Cine Sereia com mais frequencia e as comidas que oferecemos em nossas festas, que são muitas num ano. Amanhã, vamos projetar o filme “A Era do Gelo IV”. Geralmente, oferecemos as camisetas aos que que acenam interesse em participar do grupo. Fora isso, passeios e visitas a museus e ao Pelourinho são mais ou menos comuns. 

sábado, 6 de outubro de 2012

34 e Parabéns!

Ontem rolou a trigésima quarta roda do ano. Essa foi realmente especial! Estávamos celebrando mais um aninho de vida da mestra Janja. As mestras juntas, eu também... a vibração estava boa novamente! Por coincidência, havia uma equipe de filmagem da empresa Itinerante Filmes gravando a roda para futuro dvd educativo que circulará em algumas escolas de São Paulo. O jogo que abriu a roda foi entre Ritinha, 7 anos e João Manoel, 6 anos. Vou falar prá voces: foi o melhor jogo da noite. Sim, ambos se superaram naquela hora. Fiquei muito contente de vê-los fazer isso. Eles superaram não somente os seus próprios limites, mas os meus também. Surpreenderam a todos que lá estavam e que os conhecem. Foi uma típica passagem de “fase”. Passaram para o nível imediatamente superior. Isso foi claro! O legal é que todos puderam expressar para a dupla, a alegria que estavamos sentindo pelo sucesso dos dois, e eles ficaram felizes. Foi um jogo inspirador, como deveriam ser todos os jogos que abrem rodas de capoeira pelo mundo afora. Depois da roda, cantamos "Parabens prá Voce” prá mestra Janja e ensaiamos pequenos passos de samba, principalmente por parte do nêgo dito, João Manoel. Ai veio a parte mais gostosa que foi repartir o bolo e beber os sucos e refrigerantes. A fotógrafa Rita Barreto estava lá cobrindo mais uma página da nossa historia na capoeiragem. Em breve, fotos no Facebook no perfil Poloca Barreto.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

33

Acabei de chegar do Alto da Sereia. Hoje realizamos a trigésima terceira roda do ano. Desde ontem em Salvador, está fazendo um frio danado! Os ventos estão soprando mais fortes do que de costume. Ontem, 27, dia de Cosme e Damião, o tempo mudou logo cedo e começou a chover com a temperatura bem abaixo do normal. Mesmo assim foi possivel sair a noite para comer um carurú de preceito. Inclusive com visita do próprio  Erê. Hoje, fizemos a roda com menos gente do que de costume. Tivemos visitas do Grupo Zimba e da Fica. Ao sairmos da roda, fomos em mais um carurú. Aniversario de uma criança de 1 ano. Fomos muito bem recebidos e atendidos. O numero de crianças foi grande e ficamos na folia até a pouco tempo atras. VIVA OS VUNJIS! VIVA OS ERÊS!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Trigésima Segunda Roda 2012

Essa roda foi muito boa! Primeiro pelo fato de estarmos os 3 mestres juntos. Isso por sí só, já dá um tom diferente. Juntos, somos 90 anos de capoeira! Foi resistencia! Cantamos, tocamos, jogamos, educamos e ficamos bem no final. Na descida, paramos no isopor da pizza e do quaraná de Bebê, irmão de Leo, e da amiga Mariane. Foi animada a reunião! Imaginem que essa hora é valiosa! 

LÁGRIMAS!

Estes dias perdemos uma amiga querida e todos nós, os amigos e amigas, choramos juntos. Nos momentos da tristeza, é normal chorarmos. Na ultima olimpíada, vi muitos atletas chorando de alegria quando recebiam as suas medalhas. Então, fiquei pensando na lágrima. Se seriam mais salgadas as lágrimas da tristeza ou da alegria? Ja que também choramos quando rimos. Depois me lembrei da “lágrima de crocodilo”, aquela que escorre apenas por um dos olhos, e que dizem por ai que é a lágrima de falsidade. Existe aquela lágrima de sono ou de quando bocejamos. Tem aquela outra de quando olhamos para o sol e os olhos marejam. Quando engasgamos, nossos olhos tambem deixam escapar algumas delas. A lágrima da dor, depois de uma pancada forte, por exemplo, pôde ser lembrada. Será que tem muito mais tipos de lágrimas além dessas que citei? Qual delas seria a mais salgada? E o sal de cada uma, será que poderia ser usado no preparo de porções mágicas? Será que o sal oriundo da lágrima da alegria serviria para temperar a comida de uma pessoa e acabar com a sua tristeza? Será que o sal da lágrima do sono acabaria com a insonia de alguem? Para falar a verdade, gosto mesmo é do sal do mar que tempera o meu viver!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

31

A trigésima primeira roda foi na sexta, 14, e foi também interessante pelo fato de ter mantido uma boa pulsação o tempo todo. O Ritmo estava bom! Parece que a combinação deu certo, de maneira que as coisas fluíram de um modo simples, mas mágico. Cada um deve saber o seu lugar e assumi-lo na hora da definição de quem comporá a bateria. Quem toca o que? Poucos são os que podem “segurar" o gunga com a qualidade que os mestres necessitam para mostrar os seus melhores jogos. Outra dificuldade é quem vai “segurar” o atabaque. Se a gente perguntar a algumas pessoas se elas sabem tocar o atabaque, vão dizer que sabem, mas  na hora que começa a ladainha, descobrimos que não tem o “pique”. Sabem fazer o "TÁTÁ  TUM  TÁ", mas não tem ritmo, vibração e pulsação. Falta  “pegada”. Nesta roda, não faltou nada disso! Sem falar que uma boa ladainha, chula e depois uma seqüência inspiradora de corridos pode fazer toda a diferença, e fez. Jogos desenvoltos e criativos, ora na sintonia da viola, ora na batida do gunga. Em outras palavras, saímos da roda melhores do que quando entramos! Iê,Viva meu Deus!

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Triste Partida!

Ontem, dia 12 de setembro, foi um dia triste para nós da comunidade do Alto da Sereia, pois perdemos neste dia uma pessoa bastante querida e importante parceira do Grupo Nzinga, vitimada por um AVC. O nome dela era Janice mas todo mundo a chamava de “NÊGA”. Ela era mãe de Iolanda e tia de Leo e Bebê. Sempre foi uma incentivadora da participação dos jovens na capoeira. Dentro da comunidade do Alto da Sereia, ela morava num “gueto” chamado de “Corea”, onde também moram as jovens Janete e Bruna, que dos adolescentes são as com mais tempo no Nzinga, 7 anos. O povo de santo da casa que ela fazia parte na Ilha de Itaparica veio em grande numero e, na hora do sepultamento, causou grande emoção a hora em que foram entoados os canticos para a sua despedida. Ela aparece de maneira destacada no video chamado “Jogo capoeira no Alto da Sereia”. concebido pelo nzingueiro Jon Lewis. 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Trigésima roda do ano

A trigésima roda aconteceu no ultimo dia 31 de agosto. Foi inteiramente doméstica. Só tínhamos nós “nzingueiros”! Eu e Paulinha começamos nos berimbaus e depois apenas eu girei o mundo na roda da capoeira. Dá prá ver de maneira mais clara o grau de crescimento de cada um e, de todos no conjunto da obra. Hoje não teremos roda em virtude do feriado da “Independencia do Brasil”. 
Alguns adolescentes por causa da fase, tem deixado de cantar em virtude das variações de tons que as suas vozes apresentam, exceto o jovem Antonio Telles Neves, que tem dado mostras de que é  possível sobreviver e até renascer durante a adolescencia. Será que é porque Santo Antonio protege a barquinha de Noé? Deve ser... Vixe!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Fazendo a diferença

Quando estamos esperando o transporte que nos conduz aos compromissos culturais que temos assumido principalmente com a Orquestra Nzinga de Berimbaus, a gente fica fazendo o guarnicê em  frente do prédio, num banco de concreto que tem embaixo de uma pequena árvore, na altura do primeiro degrau da rua Alto da Sereia, próximo ao asfalto da avenida oceanica. A aglomeração chama a atenção das pessoas que a todo momento sobem e descem o morro, porque estamos com a indumentária amarela e preto  ou todos estamos usando roupa branca, às vezes é ao toque do arco musical, atabaque e pandeiro. Muitas pessoas já sabem dos nossos agitos e, outras podem visualizar um pouco do que estamos fazendo ao nos ver saindo “vestidos”em um carro grande. Muitas vezes esse é o momento de conversar e atualizar as noticias em relação às propostas e idéias. E assim, a gente vai tentando fazer a diferença.     


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Força Estranha

Meu aniversário passou no ultimo dia 18 de agosto. Neste dia, o Grupo Nzinga completou 7 anos na comunidade do Alto da Sereia. Novamente a presença marcante mesmo foi  a das crianças do morro. Muitas, inclusive as que não tem a capoeira como atividade regular querendo participar da roda. Daí, num só momento, foi necessário ensinar, educar e instruir as crianças ávidas por conhecimento e atenção! Até aí nada de diferente do normal, mas o fato legal foi que tinham vários pais e mães na mesma cena, e eles puderam ter uma rápida noção da labuta diaria que enfrentamos lá no decorrer desses ultimos anos. Isso parece pequeno, mas reforça a moral e reconhecimento que já temos por parte dos moradores da comunidade. Na verdade virou uma aula publica para aquela turminha de crianças que no futuro podem vir a ser "crianças nzingueiras". Quando este ano pensei em confraternizar com a comunidade o meu aniversário, pensava somente em jogar a roda e depois tomar umas “águas” com os amigos  de lá.  Nem pensei que teríamos aquele momento tão nosso... Desta vez, a força mostrada não foi a do conjunto da roda de capoeira, e sim a força da dedicação e resistencia.

domingo, 26 de agosto de 2012

Vigésima Nona Roda

A vigésima nona roda de capoeira do ano no Grupo Nzinga de Capoeira Angola foi uma daquelas que, como anteriormente já me referi como sendo “heróica”. Como neste período em Salvador podemos ter duas estações no mesmo dia, na sexta feira passada foi assim. Até a metade do dia, fez um dia lindo de fazer inveja a qualquer um no verão, mas a tarde o tempo fechou e choveu copiosamente bem até a noite, como num bom inverno. Isso, dificultou bastante o transito das  pessoas de modo que além dos 8 para tocar os instrumentos, tínhamos duas duplas na sobra e sendo que uma delas estava completando o seu primeiro mês na capoeira.  A mestra Paulinha tocou mais uma vez a sua viola cheia de arengue...Num dia como aquele, quando parece improvável que alguem vá, os poucos que vão devem ser valorizados.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

7 anos no Alto

No sábado passado, dia 18/08, foi o meu aniversário e este ano abri mão de uma festa num salão para experimentar um encontro com amigos e amigas nos becos do Alto da Sereia, bem no alto. Foi uma festa! Uma humilde roda de capoeira composta majoritáriamente pelas crianças da própria comunidade teve inicio. Pelo fato de varias delas não serem propriamente componentes do Nzinga, a tarefa não foi a das mais fáceis, descambando primeiro para uma aula de rua para as crianças, para depois chegarmos à fase da roda, que rolou legal, com varios desses entrando e jogando tambem. Varios pais e mães que não tinham tido a oportunidade de ver as crianças praticando a capoeira, puderam ter uma noção do trabalho que estamos fazendo lá já há 7 anos, completados exatamente no dia supra citado.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Pensamento Crítico

Na sexta feira passada, 17/agosto, não realizamos a roda de capoeira no Grupo Nzinga em virtude de compromissos externos. Como divulguei amplamente no facebook, fizemos uma apresentação da Orquestra Nzinga de Berimbaus no encerramento do Fórum  do Pensamento Crítico - Cidades & Patrimonio, promovido pelo IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural) , que aconteceu na antiga Faculdade de Medicina que fica no Terreiro de Jesus. O nosso projeto da orquestra tem sido uma importante vertente do trabalho do Nzinga, pois reforça necessidade de todos aprenderem a tocar cada vez melhor o principal instrumento da capoeira, o berimbau. Além de propiciar a participação de maior número de jovens e adultos numa atividade artística sem que necessariamente sejam capoeiristas, criando ainda a possibilidade de interação com outros tipos de manifestações da nossa cultura, como o frevo, maracatu, toada do Bumba meu Boi, funk, samba, reggae e o baião. 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Me, Myself and I

Hoje não vim aqui para escrever ou para conversar. Quero ficar mudo e em silencio. Me encontro em estado de guerra interior, pelejando contra "Me, myself and I”. Espero sair vencedor! Com certeza, esses são os meus melhores e maiores inimigos. Em qualquer guerra, sempre se quer sair vencedor, mesmo que tenhamos que arcar com os seus prejuizos, que as vezes são maiores que os louros da vitória. Neste caso, ao decretar o fim de algum desses mestres inimigos, um novo olhar se abrirá para uma nova vida! Lógico que é possível um acordo entre as partes, que é outra forma de se dar fim a uma guerra. Vou ficar quieto e calado e ver o que acontecerá. Só sei que não haverá extermínio mútuo e amigável.  Meu pai é caçador e o meu instinto de sobrevivencia é grande.

sábado, 11 de agosto de 2012

Vigésima oitava

Ontem aconteceu a nossa vigésima oitava roda de capoeira do ano. Como algo destacável, tivemos as presenças de Vitoria e Paul, que moram em Londres e estão aqui para visitarem a cidade, ao mesmo tempo em que estão promovendo um almoço em uma chácara em Jauá, que reúne a geração de capoeiristas que fazem ou fizeram parte da Fundação Internacional de Capoeira Angola (FICA) na década de 90, quando foi fundada Pelos mestres Cobra Mansa, Valmir e Jurandir. Sem dúvida, um encontro memorável de camaradas. Na próxima semana não teremos a nossa roda porque estaremos apresentando um pequeno show na Faculdade de Medicina, onde estaremos mostrando a nossa orquestra de berimbaus. Evento contratado pelo IPAC no Dia do Patrimônio. No sábado, dia 18, estarei comemorando meu aniversario com uma roda de capoeira no Alto da Sereia, às 16:00 hs. O uso de uniforme será facultativo aos capoeiristas.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Agitos


Essas ultimas semanas tem sido de muitas ações e agitações na cena cultural soteropolitana. A Orquestra Nzinga de Berimbaus tem tido uma agenda intensa, apresentando-se em lugares diversificados: museu, praça, biblioteca e escola, além das apresentações no próprio Grupo Nzinga. Aumentou o numero de crianças participando do trabalho com a capoeira. Novas crianças, velhas tarefas. E assim caminha a humanidade...
Novos integrantes adultos completam o clima de renovação ratificando a importancia e a presença dos que ficaram no decorrer do tempo. Uma bom sinal para um ano que marca as celebrações do nossos 30 anos de capoeiragem.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Vigésima Sétima

A vigésima sétima roda rolou leve e solta. Recebemos naquele dia varias visitas, umas para jogar a roda e, outras apenas para assisti-la. As mestras estavam juntas. Muitas nzingueiras estão soltando as “juntas” e o jogo também. Foi como um bálsamo para o espírito. Muitas crianças que sempre flutuaram pelo nosso salão, começam a criar  raiz em nosso chão. Fruto de um processo longo, lento e difícil de educação. Paciência tem sido uma virtude valorizada no nosso dia a dia.

domingo, 5 de agosto de 2012

Luz no Solar!

Ainda como uma extensão da exposição do fotografo do André Cypriano, da qual  a Orquestra Nzinga de Berimbaus fez a cerimonia de abertura há uns 20 dias atrás no Solar Ferrão - Pelourinho - realizamos ainda 5 dias de workshops com estudantes da Escola Municipal Vivaldo da Costa Lima . Eram crianças e jovens com idades entre 8 e 17, pertencentes a varias séries diferentes. Foi uma experiencia legal. O objetivo não era ensinar capoeira, mas sim de passar ideias e conceitos, além de localizar no tempo e no espaço a origem e trajetoria da capoeira no Brasil. A diretora do Solar Ferrão esteve com a gente no dia do encerramento agradecendo  em nome do Setor Educativo, responsavel pela ação. A senhora Monica, representando a produtora da exposição fotográfica tambem falou e agradeceu a interação que aconteceu nos 5 dias em que estivemos trabalhando juntos. A representante da escola esteve conosco todos os dias em que nos encontramos. Vale destacar que grande numero desses estudantes também são alunos de capoeira da mestra Jararaca. A maioria são moradores do Pelourinho e adjacencias. 

terça-feira, 31 de julho de 2012

Vigésima sexta roda

A nossa ultima roda, na sexta feira passada, foi ainda movida pelas vibrações positivas da grande roda do evento de 30 anos acontecida na semana anterior, quando aqui estavam muitas pessoas dos Nzingas São Paulo, de Brasília e de Maputo. Estavam ainda aqui na soterópolis e puderam participar da nossa vigésima sexta roda, a Ana Flor e o Daniel +. A roda corria tranquila, leve e solta, como são sempre as nossas rodas, até que uma capoeirista  visitante ao fazer um movimento de queda de rim, não conseguiu segurar seu próprio peso e o seu corpo virou por cima de sua mão, causando uma luxação no dedo mindinho. A roda foi interrompida para que as providencias fossem tomadas. Depois disso, os animos esfriaram,  ao mesmo tempo em que a roda seguiu para o seu final.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Sou Nzingueiro!

Ao reunirmos tantos Nzingueiros num só momento, num só local, é de supormos que as “trocas e emoções” serão intensas. E assim foram! Mesmo com alternativas disponíveis, preferiram ficar juntos. Quase todos puderam desfrutar das maravilhas da vivencia no Alto da Sereia. Puderam perceber o quanto o Nzinga está na comunidade e vice-versa. A fusão tem sido notável. No próximo mês de agosto, essa relação com o Alto da Sereia completará 7 anos. Por acaso será no mesmo dia do meu aniversário, dia 18 de agosto.  Cada vez mais altossereinses reconhecem o valor de nossa dedicação e carinho com a capoeira e com as crianças de lá! Quando chego para estacionar o carro na pracinha, o flanelinha vem me dizer que eu não vou precisar pagar nada pelo estacionamento e que ninguém vai encostar no meu carro. Ontem, estava a tomar uma cerveja na Vila Matos e surgiu um homem se dizendo avô de uma criança que faz capoeira no Nzinga e fez questão de me pagar uma “breja”, dizendo que aquilo era o minimo que podia fazer em reconhecimento ao nosso trabalho. Enquanto bebíamos a breja, lhe disse que a melhor forma de ajudar e nos retribuir era continuar orientando a sua neta a frequentar o Nzinga nos dias e hora das aulas. Aliás, essa já uma idéia mais ou menos difundida na comunidade. Sei que algumas crianças não estão na capoeira simplesmente por que não tem ninguém da familia para dar-lhes a sugestão na hora e dias certos. Às vezes, para quebrarmos o um ciclo, basta fazer o certo na hora certa! O dificil é saber qual hora é a certa! A ação constante deve ser valorizada para criar as oportunidades. O detalhe é que às vezes, uma simples coisa que deve ser feita, muda o futuro de uma pessoa e de uma familia

sábado, 28 de julho de 2012

Novos “Suspensos"

No evento de 30 anos, acontecido no ultimo fim de semana, o Grupo Nzinga de Capoeira Angola fez mais dois treinéis: Sway, que tem a sua trajetória ligada ao núcleo do Nzinga Brasília desde a sua fundação em 2001. E Limaverde, coordenador do núcleo Nzinga em Maputo (Moçambique)desde a sua criação em 2006. Agora o staff nzingueiro está composto por:
MESTRES: Poloca, Janja e Paulinha
CONTRA-MESTRES: Daniel e Piter
TREINÉIS: Haroldo, Anderson Barba Ruiva, Limaverde e Sway 
O que espero é que os novos “suspensos” confirmem com trabalho, compromisso, lealdade e dedicação as expectativas inerentes às suas novas funções dentro da organização do nosso Grupo. 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Vigésima Quinta roda

A vigésima quinta roda foi a roda do grande evento preparado por nossos discípulos para as celebrações dos nossos 30 anos de capoeiragem. O mestre Valmir, da Fica e o Taata Mutá Ymê foram as presenças marcantes naquele dia. Estavam lá ainda as crianças do grupo Zimba/Bate Facho. Foi nesta roda que foram feitos mais dois Treinéis:o Sway do núcleo BSB e o Limaverde do núcleo de Maputo. Foi uma roda daquelas que nunca mais se esquece. Foi linda e cheia de vibrações positivas. AWETO!

Vigésima Quarta roda

Essa roda caiu numa sexta feira 13. Particularmente tenho simpatia por esses dias. A roda foi muito boa! O numero de integrantes e participantes tem sido grande e isso por si só já joga prá cima a vibração da roda. Tínhamos como estimulo o fato de estarmos a uma semana do evento de comemoração dos 30 anos de capoeiragem da gente. Fizemos tipo um ensaio geral com as “parelhas” de berimbaus a serem utilizados na semana seguinte quando receberíamos a galera dos Nzingas de São Paulo, Brasília e Maputo. Foi legal!

30 anos de Capoeiragem

Desde o começo deste ano, estou celebrando os meus 30 anos de capoeiragem. Foram realizados vários pequenos eventos, em diversos locais. Em março estive em São Paulo, no evento “Chamada de Mulher II”. Em maio, estive em Brasília no evento “Vivencia de Capoeira Angola”. Neste mesmo período, estive em Varsóvia (Polonia) e em Marburg (Alemanha) para mais “vivencias” de capoeira. Em todos esses encontros, a idéia de celebrar os 30 anos sempre foi a motivação principal. O Moto-continuo é infinito! A dinamica é intensa e as mudanças na percepção das coisas e sentido de outras é constante. A Kapanga já está com o seu fundo coberto pelas conquistas dessas 3 últimas décadas. Nas próximas 3, espero enche-la até o meio. E se os Nkisses permitirem, quem sabe até enche-la um pouco mais depois disso. Tempo Zará Tempo!

domingo, 15 de julho de 2012

Solar Ferrão - Exposição

A Orquestra Nzinga de Berimbaus realmente fez a sua melhor apresentação como se  eu desconfiasse que assim fosse ser. Os ensaios foram realmente decisivos no resultado final. E agora nada nos resta a fazer senão não parar nunca mais de ensaiar e melhorar cada vez mais a qualidade do show. Tem a possibilidade da inserção da dança afro em alguns temas, como já fizemos algum tempo atrás na Cavalaria. A inserção de outros instrumentos como a Alfaia do Maracatu e o Pandeirão do Bumba meu Boi, na medida em que cantamos toada de Boi e agora estamos acrescentando o Maracatu em nosso repertorio. Existe um grande campo de pesquisas a ser desenvolvido a partir da experiencia da Orquestra Nzinga de Berimbaus (ONB). Se presta à função de estimular aos mais novos na capoeira a se desenvolverem no instrumentos a fim de participar de maneira mais efetiva neste belíssimo projeto.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O N B

Ontem à noite, no momento em que realizava o ensaio da Orquestra Nzinga de Berimbaus(ONB), para a apresentação de hoje no Solar Ferrão (Pelourinho), pude perceber a força que o conjunto está ganhando a partir do estabelecimento de uma rotina de ensaios. Está claro que todos os dias que nos encontrarmos, será também um bom dia para tocarmos juntos. Um outro fato que me chamou a atenção foi como alguns alunos e alunas estão evoluindo nas habilidades de segurar e tocar o berimbau. Existe um núcleo duro, de crianças e jovens em sua maioria, que sempre garantiram a harmonia do conjunto, mas percebe-se agora outras presenças também. Vamos hoje para este show com o desafio de fazermos a nossa melhor apresentação. Usaremos um repertório reduzido pela limitação do tempo. Promete!

domingo, 8 de julho de 2012

Atualizando as Rodas


      Bom, voltando à dinâmica de relatar as rodas realizadas no grupo Nzinga, trago agora algumas impressões da décima sexta, décima sétima e décima oitava. Infelizmente não pude fazer isso após cada uma delas, mas estamos juntos de novo. Lembro-me que teve uma delas que foi heróica mesmo! Tava novamente chovendo e para muitos ficou dificil de chegar, inclusive algumas crianças. Outra, teve a presença maciça de crianças que frequentam assiduamente o Nzinga, mas não treinam capoeira, e portanto, não dominam totalmente algumas regras de convivencia. Acho que já me referi de outra vez a essas crianças! Acho que serão a próxima geração de nzingueiros. Pois é, chegaram e requisitaram grande parte de nossa atenção e energia. Deram muito trabalho nesse dia. Apavoraram mesmo! Há dias e dias... esse foi o Dia.
      Na Décima Nona roda, sucedeu ao feriado de "Corpus Cristi"eu e a Paulinha viajamos para Brasília e não pudemos estar fisicamente nela. Em Brasília, participamos de um evento chamado “Cabelaço”, contra ditadura do cabelo liso ou alisado. Aconteceu na rodoviaria e juntou muita gente. 
      A Vigésima roda aconteceu normal e com destaques para as presenças de alguns nzingueiros que estavavam “sumidos”. As suas presenças foi uma alegria! 
      Na Vigésima Primeira roda aconteceu já pelas vésperas dos festejos juninos, no dia 22. Neste dia aconteceu o ensaio geral da Quadrilha do Alto da Sereia. Só por isso já foi um dia especial!
      A Vigésima Segunda roda caiu na véspera de aniversario de Paulinha e foi totalmente especial. Era o dia de São Pedro, padroeiro dos pescadores e das viuvas.  Foi literalmente uma festa! Bolos, guaranás, licor de genipapo, presentes e o mais especial: uma apresentação oficial da Quadrilha do Alto da Sereia, inclusive com sua indumentaria arrasante! Foi uma farra! Teve muitos fogos e bombas, como manda o figurino junino.
     Por fim, a Vigésima Terceira roda aconteceu antes de ontem, 06, e teve as presenças das crianças que não treinam capoeira mas que ontem não estavam tão “inspiradas” como estavam no outro dia. Não tivemos a presença da Janja, por esta se encontrar na roda do núcleo São Paulo, que acontecem no mesmo dia e hora da nossa aqui em Salvador. Foi isso! Um passadão só para atualizar. Lógico que perdí muitos detalhes destes encontros, mas vamos prá frente que terá mais...
      

sexta-feira, 22 de junho de 2012

R i o + 20

Nos últimos dias, estamos assistindo pela TV, a cobertura jornalística a respeito do encontro mundial que discute as questões ambientais e o futuro da humanidade neste nosso planeta. A despeito dos avanços ou não desta reunião, impossível não lembrar do mesmo encontro ocorrido há 20 anos atrás, a ECO-92. Muitas metas foram estabelecidas naquela época e que duas décadas depois, podemos observar que a maioria não foi cumprida. Uma pena, pois o que muitos cientistas de renome internacionais afirmam que o tempo agora é o elemento mais escasso e necessário para a solução dos problemas ambientais, quase que profetizando o famoso “Fim do Mundo, se os governantes mundiais não fizerem uma força tarefa para sana-los. E deram mostras que vão esperar para o próximo encontro mundial, daqui a 20 anos, para se fazer nova discussão sobre o assunto. Me lembrei ainda que na ECO-92 no Rio de Janeiro, o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho (GCAP) estava lá, talvez como único grupo de capoeira angola se apresentando para aquele publico, ao mesmo tempo em que tínhamos a oportunidade de assistirmos as palestras e painéis que lá ocorriam. Foi um momento único! Eu era na época estudante de Geografia da Ufba e aquilo tudo era muito especial. Sabia que aquilo era histórico, assim como era histórico um grupo de capoeira angola representando uma vertente da cultura brasileira, a cultura negra, se apresentando para publico tão seleto. Principalmente pelo fato de poucos anos antes, esta mesma capoeira estar ameaçada de extinção. Indicando o desequilíbrio cultural, racial e social que a nação brasileira ora apresentava. Ainda hoje assistimos ao extermínio de jovens negros e as manifestações culturais de matrix africanas e indígenas  lutando a cada dia para continuarem existindo. Todos somos parte de um só ambiente! A Capoeira Angola conseguiu escapar da extinção. Resta aos governantes garantirem a existência de seus povos. Se ao menos fossem angoleiros, esses povos teriam alguma chance.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Décima Sexta Roda

Foi boa para mim, só não foi melhor por que eu não podia jogar, pois tinha machucado o dedo na roda anterior. Estava com o dedo enfaixado por te-lo enganchado na boca da calça de um aluno iniciante quando este fez um aú. Parece brincadeira, mas foi exatamente isso que aconteceu. Tanto que ninguém viu. Só nos dias que se “assucederam” é que foram inevitáveis as perguntas, já que estava com o dedo imobilizado. O pior é que este acidente aconteceu 12 dias antes de viajar para a Europa, onde estou neste momento escrevendo esta brochura. Estou em Varsóvia, capital da Polônia. Hoje fez 28 graus e céu azul! Daqui seguirei para Marburg, pequena cidade no coração da Alemanha. Só prá se ter uma idéia desta cidade, tem um restaurante lá que tem 1200 anos tradição. É mole? O meu dedo está se recuperando bem, mas por outro lado tive que ficar sem treinar nos dias que antecederam a viagem. Chato, porque é sempre puxada a maratona de workshops. Amanhã farei workshop com crianças polonesas que participam de um projeto chamado “Universidade para Crianças”. Tenho certeza que será uma experiência reveladora. Brincando brincando, estou acumulando no meu currículo, experiências com crianças e jovens de varias partes do mundo. No Brasil, desde os idos de 1990 em Salvador com crianças do Projeto Axé, da Associação Livre de Moradores da Mangueira(ALMM)e atualmente na Associação de Moradores do Alto da Sereia(AMAS). Em 2000, na Febem do Tatuapé em São Paulo com menores que cometeram “todos" os tipos de delitos. Depois estive com jovens adolescentes infratores privados de sua liberdade nos Estados Unidos, no Estado da Filadelfia em 2006. Depois estive com jovens adolescentes alemães em Marburg, numa escola que atendia alunos expulsos de outras escolas no ano de 2007. Ainda na Alemanha, realizei Oficinas de Bonecos e Contação de histórias em uma livraria em Berlim. Na Itália, fiquei 3 semanas em Milão dando aulas de capoeira em duas escolas, uma particular e outra publica, para crianças filhas de imigrantes. Estive em janeiro de 2010 por uma semana em Moçambique/Maputo, no núcleo do Nzinga coordenado por Gabriel Limaverde, nosso aluno. A maioria do grupo é composta por rapazes adolescentes e algumas jovens. Eu sou eu e as minhas circunstancias!   

sábado, 12 de maio de 2012

Semeando no Tempo!

Daqui a 3 dias, estarei retornando ao continente europeu para um tour de 15 dias. Fico a primeira semana em Varsóvia (Polonia), e a segunda em Marburg (Alemanha), onde há 6 anos existe um núcleo do Grupo Nzinga. Será a minha terceira visita à Varsóvia, onde existe um grupo de pessoas interessadas em aprender capoeira e com o qual compartilho as minhas vivencias na capoeiragem. Será um prazer estar de novo com as pessoas amigas: alemães e poloneses. 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Décima Quinta

Depois das dificuldades da roda da semana passada, essa roda foi demais! Muitos adultos retornados de viagem e muitas crianças estiveram lá. Alguns visitantes de outros grupos e, mais as mestras Janja e Paulinha. Ótimas energias e boas vibrações deram a tônica dessa roda.

sábado, 28 de abril de 2012

Décima Quarta!

A décima quarta roda do ano antecedeu a um fim de semana prolongado. Por isso, o numero de faltosos adultos foi grande. Muitos viajaram. Por outro lado, as crianças também faltaram em grande numero, em virtude do começo dos ensaios da Quadrilha de São João que a Associação de Moradores do Alto da Sereia (AMAS) promove exemplarmente nos festejos juninos. No ano passado, o ensaio geral foi realizado no salão do Nzinga. Este ano, já nos foi requisitado o salão para os ensaios “até" o S. João. Será um prazer enorme atender a esta demanda da AMAS. O ensaio da Quadrilha será realizado às terças feiras, penso que a partir das 19 hs. O nosso salão é o maior espaço coberto da comunidade e, ideal para estas necessidades. Bom, ontem tivemos que dar um pouco mais do que o normal, já que o numero de pessoas era o mínimo necessário para o ritual acontecer. Aconteceu, e ainda por cima comemoramos no final, a superação de cada um dos que estavam cantando, tocando e jogando. Foi um desafio! Foi “hard”! 
E, assim a “RESISTÊNCIA" se fez novamente... na precisão do dia a dia. 

terça-feira, 24 de abril de 2012

Nzinga Salvador 10 anos!

Ontem, dia 23 de abril, dia de São Jorge, completou 10 anos desde a primeira aula de capoeira que ministrei aqui em Salvador. Retornei de São Paulo na primeira quinzena de Janeiro. Precisei nos primeiros dias, acertar vários detalhes para organizar a vida em Salvador: apartamento para morar, retomar o emprego na UFBa, do qual estava de licença havia 4 anos, reencontrar familiares e amigos, para só então começar a dar aulas de capoeira. Algumas pessoas, sabendo que eu estava retornando, já estavam a me esperar para esta finalidade. Na casa de minha irmã, no bairro do STIEP foi onde comecei, pois tinha a minha disposição um belo salão  que atendia bem demais a demanda. O único problema é que era um bairro residencial de classe media e que não era caminho para lugar nenhum, somente para os moradores do local. Fiquei por lá por um período de 1 ano e meio. O transito de pessoas era muito complicado e quase ninguém ia lá. Mudamos para o Rio Vermelho, pertinho do Acarajé da Dinha, quando esta ainda era viva. Não era o local ideal por se tratar de um espaço de consumo de comidas e bebidas, alem de se prestar para festas e outros eventos. Mas em compensação, entramos no circuito da capoeiragem e começamos enfim a ser visitados por grande numero de pessoas, inclusive por renomados mestres: João Grande, Cobra Mansa, Valmir, Boca do Rio, Pelé da Bomba, Gildo Alfinete e Jurandir entre outros. Em 2005, mudamos para o Alto da Sereia. No dia 18 de agosto, foi o dia em que abrimos as nossas portas para a capoeiragem e a comunidade. Neste dia, a presença mais marcante foi a do mestre Cobra Mansa e de dezenas de crianças altossereinses. Jogamos e cantamos parabéns para mim, afinal era o dia do meu aniversário! No meu próximo aniversário, completaremos 7 anos no Alto da Sereia. É magico ver o crescimento de tantas crianças dentro de nossa casa. Crescimento em todos os sentidos! A comunidade reconhece e apóia o nosso esforço. Com altos e baixos, sei que estou fazendo a minha parte ao compartilhar com aquelas “criaturinhas” lindas um pouco do que tive oportunidade de aprender com dignos representantes da arte angoleira. Vida Longa ao Nzinga!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Chamada de Mulher II

Começou na sexta feira, 20 e acabou ontem, 22, o segundo Chamada de Mulher. Evento organizado anualmente pelo Nzinga São Paulo. No primeiro, em 2011, eu não pude estar presente. Falo por esse! Foi uma maravilha de evento! Muito bem organizado e pensado nos mínimos detalhes. Fez aquele friozinho gostoso que quase sempre faz em São Paulo. Teve ainda, o Nascimento do Boi, evento organizado pelo Grupo Cupuaçu, sob a liderança do grande mestre Tião Carvalho que acontece no Morro do Querosene. Foi mais um encontro cheio de emoções e boas vibrações. Tanto entre nós nzingueiros, quanto entre as pessoas que conhecemos lá já há mais de 15 anos. Foi mais um momento rico e inesquecível!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Ngunzo e Axé!

Novamente transmito direto da sede do Nzinga Salvador, com as mestras Paulinha e Janja lá no grande salão, botando prá derreter no calor da hora e da Bahia! Estou no “estaleiro”, apenas para usar uma gíria do futebol. Estou me recuperando de uma pequena cirurgia na boca. Na sexta em São Paulo, com certeza estarei dando uns “pulos”. Ver o "Nascimento do Boi” e rever os amigos e a tribo maranhense, encabeçada pelo grande Tião Carvalho será um prazer enorme. Um baiano em busca do ngunzo do Maranhão! Que beleza! Mal vejo a hora de estar com as pessoas que compõem uma parte importante das boas memórias dos tempos vividos na terra da garoa.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Décima Terceira Roda

Quis o destino que a nossa décima terceira roda do ano caisse numa sexta feira 13. Foi maravilhosa de novo! Sou suspeitíssimo para falar isso, mas como sou eu quem escrevo, paciencia! Alguns fatos foram especiais para mim. Além dos 3 mestres do Nzinga estarem na roda (eu, Janja e Paulinha), tinha a presença dos jovens Marquinhos, Rafael e Iolanda, integrantes da primeira “barca”de crianças” desde que chegamos ao Alto da Sereia em 2005. Estavam lá acenando com os seus retornos para o seio do grupo. Voltar à fonte!  Voltar aos treinos! No sábado pela manhã, fizemos uma apresentação da Orquestra de Berimbaus no Palácio Rio Branco, na Praça Municipal. Dentro da perspectiva do “reajuntamento" dos evadidos, quero registrar a presença de Bebê (Rodrigo), o primeiro altossereiense a pedir formalmente para integrar o grupo, quando ainda realizavamos as reformas estruturais do nosso espaço. Ele também é da primeira barca. Essa historia de “barca”é muito interessante. Eu, por exemplo, sou da primeira barca do GCAP, quando o mestre Moraes chegou de volta  à Bahia no inicio da década de 80. Para quem sabe um pouquinho sobre a historia da reafirmação da capoeira angola na Bahia, a partir  da década de 80, sabe que essa “barca” veio com razoável lotação. Em alguns grupos, essas "primeiras barcas" tem conseguido escrever as suas histórias, ou pelo menos começado a escrever. No caso do Nzinga São Paulo, por exemplo, a sua primeira “barca” também tenta construir a sua própria historia,  tendo produzido até agora (17 anos depois) dois contra-mestres e com indícios de potenciais treineis. No Nzinga Salvador, 10 anos depois, tem um treinel. Lógico que o sucesso de cada “barca” está diretamente associado à competência que tem os seus mentores.

sábado, 14 de abril de 2012

A Retomada

Na ultima quinta feira realizamos a terceira sessão do Cine Sereia, depois de uma interrupção longa em sua programação. Com recursos proprios, mandei fazer o concerto da mesa de som e comprei um DVD player e mais alguns cabos. Agora estamos no olho do furacão de novo, inclusive com duas sessões: uma semanal, onde exibimos só imagens internas do grupo Nzinga e que estamos chamando de Cine Memória, acontecem sempre nas sextas feiras antes de começar a roda de capoeira. E a outra é quinzenal, o Cine Sereia, onde exibimos filmes sobre variados temas, sejam da Programadora Brasil ou não. Estamos felizes com essa retomada. Viva o Cine+Cultura!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sexta Santa!

Camaradas, a Páscoa passou e, diferentemente das ultimas, deixou boas lembranças. Mais lembranças! Porque de fato o que a tornou especial desta vez foi, além do fato de ter ido para a cidade de Serrinha onde me criei, foi ter encontrado alguns velhos amigos que havia 30 anos que não os via. E aí já sabe né? Um verdadeiro mergulho no túnel do tempo, onde as lembranças vinham em turbilhão. Entre uma cerveja e outra, muitas histórias que já estavam no velho canto do esquecimento e que , pela palavra, foram catapultadas para o presente. Essas historias foram arejadas pela novidade deste encontro. Algumas das minhas, quase haviam me escapado, mas agora tenho certeza que estarão para sempre comigo. Outras ainda, emergirão da sombra do esquecimento quanto mais nos encontrarmos. A ultima vez que viajei na Páscoa foi há 4 anos para a mesma cidade. Naquela ocasião, convidei alguns discípulos para fazer essa viajem ao encontro do passado. Uma maneira de compartilhar com eles um pouco do meu passado. Um pequeno capítulo da historia da minha vida que pode indicar o porque de algumas coisas. Claro que nós mudamos em muitas coisas, mas algumas permanecem, principalmente às que dizem respeito aos valores. Êh Tempo Zará!

sábado, 7 de abril de 2012

Décima Segunda

A décima segunda roda aconteceu na verdade fora do dia que normalmente ocorrem as nossas rodas de capoeira. Foi na quarta feira, antes da Sexta Feira da Paixão,06, pois muitas pessoas viajam para o feriado católico. Foi muito tranquila e cheia de aprendizagens, pois todo dia é dia para aprendermos. Eu também viajei para a cidade onde vivi os melhores momentos da juventude. Serrinha é uma cidade que cada dia mais ratifica o seu papel de centro regional. Há quatro anos atrás, quando fiz esta mesma viajem, a fiz acompanhado por  alguns discipulos: Fulaninho e Fabiana. Desta vez quem me acompanhou nessa jornada ao encontro de memórias remotas foi o treinel Anderson Barba Ruiva. O Rodrigo e a Ana Crestani apesar de convidados, não puderam ir juntos em virtude de compromissos agendados com anteroridade. Foi uma oportunidade de entender um pouco mais do meu imaginario, de quem eu sou e de onde venho. Amigos que havia 40 anos que não os via. Foi uma saudável e festiva rememoração. Vimos ainda a Procissão do Fogareu, que ocorre dentro dos festejos da Páscoa naquela cidade.

domingo, 1 de abril de 2012

A Décima Primeira

A roda No. 11 foi marcante antes mesmo de ter começado. As 18 hs rolou pela segunda semana seguida, sessão do Cine Sereia com a projeção de pequenos videos que retratam as diversas fases do trabalho de capoeira angola que desenvolvemos na comunidade do alto da Sereia. Neste dia, projetamos um video que mostra uma roda de capoeira com as crianças e jovens daqui 3 meses após termos chegado na comunidade. Sete anos depois, vemos que muitas coisas estão diferentes e melhores. Bom foi ver que 7 anos depois, algumas crianças continuam lá, no movimento com a gente. Muitos jovens bons estiveram lá por muito tempo. Desses, só alguns continuam todo o tempo. Neste período, tem sido necessário fazer escolhas, e com elas, cada qual escreve o seu próprio destino. Queremos estar presente na vida destes jovens exatamente para oferecer algumas possibilidades. Hoje pela manhã no Facebook, falando deste assunto escrevi que o “tempo passa e nós também”...  Da minha parte, não tenho nada contra que o tempo passe bem devagarinho... e eu também!

terça-feira, 27 de março de 2012

Cine Sereia, o retorno!

Depois de alguns meses fora do circuito, o CINE SEREIA volta à cena do movimento cineclubista baiano com as energias renovadas. Depois de varios problemas técnicos, com avarias em muitos dos equipamentos, além da perda de pessoas que compunha a equipe, voltamos com novo enfoque conceitual. Antes, a programação era quase que totalmente voltada para o publico infantil. Nessa fase atual, vamos diversificar quanto aos seguimentos a serem contemplados. O principal e mais caro equipamento que é o datashow, ficou intacto. Como somos um grupo que sobrevive às próprias custas, sem patrocinio de ninguem, foi preciso um tempo para encaixar as despesas decorrentes  da quebra de parte desses euipamentos. A aquisição inicial dos equipamentos foi graças  ao edital do Ministerio da Cultura chamado de Cine + Cultura (2009) e que foi de importancia fundamental para essa frente de atuação do grupo, o cineclubismo. Passaram-se 2 anos desde a primeira sessão do Cine Sereia. Foi no dia 18 de março de 2010. Nova fase! Projetamos o filme “Histórias da Bahia”- Vol.1 - A Ladainha. Feito por Fabricio Apolo, colombiano capoeirista e amigo. Lançado em 2011, o filme mostra depoimentos de mestres a respeito da ladainha e de outras mandingas. Ao mesmo tempo, criamos também um outro momento para fazermos uma pequena exibição nas sextas feiras, as 18 hs, antes de começar a nossa roda, marcada para as 19 hs.

sábado, 24 de março de 2012

A décima

Sou suspeito prá falar, mas a décima roda foi bem legal! Muitas cabeças, corpos, sentimentos e almas vibrando numa mesma sintonia e com a mesma melodia. A alegria de ser livre por um momento! Um instante mágico... às vezes não acontece. Sinal que algumas coisas não se harmonizaram naquela hora. Muitas pessoas nos visitaram neste dia. Algumas delas, as vezes, chegam atraídas pela musica que ouvem quando passam pela avenida oceânica.  
Depois de meses de hibernação, agora que nós reativamos o Cine Sereia nas quintas feiras alternadas, concomitantemente também criamos mais um momento para ficarmos defronte ao telão todas as sextas feiras, às 18 hs. O objetivo é que essas sessões exibam imagens e videos de capoeira, de jogos ou falas importantes dos mestres. Nas sessões da quinta, abordamos os mais variados temas e onde o debate pós filme é obrigatório. Apesar de ser facultativo nessas sessões de sextas, o debate foi bastante rico e informativa. Exibimos meia hora de filme da roda ocorrida em 2008 quando o mestre JG  veio nos visitar no Alto da Sereia. Foi bom ver, naquela época, crianças como Antonio, Bruna, Janete, Anderson, Vinicius, Rafael, Leo e Marquinhos jogando e mandingando como gente grande. Hoje, alguns já são adultos e tocam as suas vidas baseadas em valores e principios apreendidos na vivencia da capoeira. Apesar de alguns deles estarem afastados do dia a dia do grupo, mantêem ainda o sentimento de pertencer ao Nzinga. E não por acaso, essa ideia do “pertencimento” nos é preciosa! Esses jovens, com essa ideia, sabem onde fica o seu “Norte”. A partir do momento em que sabem uma direção, as outras se definem automaticamente. Essa é a esperança!

sábado, 17 de março de 2012

A Nona Roda

A Nona Roda do ano no Nzinga foi mais que especial. Foi especialíssima! Mais uma vez recebemos as crianças do Alto da Sereia, as que treinam capoeira e as que não treinam, mas que estão sempre por lá. A única pessoa que nos visitou ontem foi o mestre Valmir e, por isso foi tão especial a nossa roda ontem. Irmão desde os primeiros tempos na capoeira, Valmir cantou, tocou e jogou com o espírito da diversão e da  brincadeira. No final, o mestre valmir deu sugestão e contribuiu com os ensinamentos fundamentais, deixando seu axé no chão da nossa casa.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Ao céu, vai quem merece!

Para o estudante que está há algum tempo inserido em algum tipo de trabalho ligado à cultura popular e à tradição, como é o caso da capoeira, sabe que é importante construir uma relação de confiança com o seu mestre. "Um mestre tem muitos segredos, mas não nega a explicação” (M.P). Cada um terá a explicação que merecer. Uma vivencia virtuosa no decorrer dos anos, nos credencia a ser merecedores das melhores explicações e segredos dos mestres. 

domingo, 11 de março de 2012

A oitava Roda!

Na ultima sexta, dia 09 de março, fizemos mais uma roda sob a aura da paz e humildade que norteia o nosso trabalho. Lembro a voces que no dia anterior foi o dia internacional da mulher e que, também é a data de aniversario do Grupo Nzinga, fundado em 1995. Façam as contas de quantos anos completamos! Adultas capoeiristas tinham poucas, mas meninas capoeiristas tinham muitas. Tiveram meninas que não “jogam” capoeira mas fizeram questão de entrar e tentar um jogo, só com os elementos que tinham na memória e no subconsciente, pois sempre estão no entorno das nossas aulas. A roda era das mulheres e elas sabiam que estavam contempladas naquele momento. Avisamos para algumas pessoas levarem frutas. Rolou uma tremenda mesa de frutas e outras milongas mais. A criançada espera até o ultimo momento para zarpar, deixando para trás um certo silencio e calmaria. Novamente, o Carrinho da Alegria que fica pertinho do Nzinga, foi o caminho tomado para a balada. Samba Butiquim no couro!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Viva as Mulheres!

O dia 8 de Março é o dia internacional da Mulher! Também é o dia do aniversario do Grupo Nzinga de Capoeira Angola. Dia 8  de Março de 1995 foi o dia de sua criação. A mestra Janja quem o concebeu em seus primeiros tempos de morada na cidade de São Paulo. Lembro-me que ela saiu do I Encontro Internacional de Capoeira Angola, promovido pelo GCAP em 1994, direto para o aeroporto rumo à terra da garoa, onde morou por 12 anos. Eu e a mestra Paulinha tambem fomos para lá  no ano de 1998 e nos juntamos a ela, onde ficamos até janeiro de 2002. Quase 3 meses após o nosso retorno à capital baiana, fundamos também aqui o Nzinga, no dia 23 de Abril. Completamos  em Salvador a nossa primeira década. No Alto da Sereia chegamos no ano de 2005. Comemoraremos no dia de meu aniversário, no próximo dia 18 de agosto, 7 anos que estamos fazendo capoeira dentro da comunidade altossereiense. Sete anos! Outro numero bem interessante. Vimos algumas crianças atingirem a fase adulta. Um processo longo, dificil e real de educação. Acompanhar durante tantos anos um processo de aprendizagem como é o da capoeira angola, inevitavelmente nos faz lançar um olhar para o passado e perceber que o compromisso está sendo honrado com a tradição e com os deveres de capoeirista no presente, alimentando a esperança de no futuro ver esses jovens protagonizando as suas trajetórias vitoriosas, sejam elas na capoeira ou em qualquer atividade em que se proponham a fazer.

A cor de um olhar!

Outro dia, semana passada, trabalhando durante a tarde, vi a lua. Parecia tão sem segredos ou mistérios que cheguei a pensar que não fosse ela mesma. Musa inspiradora de tantos amores e poesias, tava sem vaidades naquela hora. O calor tava infernal e o transito limitava a minha inspiração. Voces já ouviram falar que a gente sempre vê a mesma face da lua? Pois é, já ouvi isso... São Jorge do jeito que é esperto, foi dar uma rolé na outra face , no lado escuro, em busca de aventuras mais frescas. Falando assim da lua, faz-me lembrar da fabula  de um senhor sentado a beira da estrada, na entrada de uma cidade, sob a sombra de uma grande arvore quando um visitante encosta o carro e lhe pergunta: Senhor, como é esta cidade ai? O velho antes de responder àquela pergunta, indaga ao visitante: primeiro me diga como é o lugar de onde voce está vindo e só então te responderei. O visitante lhe responde então que o lugar do qual está vindo é muito bom e que deixou excelentes amigos lá... o velho então lhe revela que aquela cidade é exatamente assim e que ele fará grandes amizades e será um temporada maravilhosa. Muitas vezes as virtudes ou a falta delas está apenas no “olhar".

terça-feira, 6 de março de 2012

A Sétima Roda

A sétima roda foi demais! Tivemos algumas visitas, mas as presenças mais marcantes mesmo foram as das crianças do Bate Facho que integram o Grupo Zimba. A Flavia Diniz, integrante do Zimba, estava liderando essa jornada. Foi muito bom para o nosso chão!  Ngunzo !

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A sexta Roda

Foi a roda da ressaca do carnaval. Foi uma roda simples e carregada de boa energia. Tivemos a presença de alguns visitantes. Transcorreu de maneira tranquila e com um repertório musical bem diversificado, onde eu, a Janja e a Paulinha pudemos nos revezar nos cânticos, donde resgatamos alguns que nunca mais havíamos cantado. Depois da roda fomos tomar uma cervejinha na Vila Matos, na barraca do Edinho. A Paulinha havia levado uns salgadinhos chamados “rabo de tatú” que fizeram muito sucesso. De lá, seguimos para o Samba Butequim que naquele dia estava se apresentando no Largo de Santo Antonio. Chegando lá, vimos o largo totalmente ocupado pelos apreciadores da arte. Estiveram lá algumas figuras conhecidas. Meu irmão Gereba também marcou sua presença fazendo uma pequenina homenagem ao grande Luiz Gonzaga, no ano de seu centenário. Salve o velho “Lua”!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Corpo fechado, alma blindada

"Quem não pode com mandinga, não  carrega patuá”. Esse ditado me induz pensar que uma pessoa mandingueira carrega quase sempre o seu patuá. E, como um pensamento puxa outro, para alguém ter um amuleto ou patuá é necessário que acredite em determinadas coisas. Algumas pessoas não conseguem acreditar em coisas que não entendam, e muitas vezes são coisas que escapam mesmo dos braços da razão. Imagine isso! Como explicar? Razoavelmente acham que isso é mito. Cuidar da roupa branca dias antes de usa-la em uma roda de capoeira, prepara-la desde a lavagem com as folhas certas, a goma de ingomar, a alfazema, o dandá, as contas, dedicar os pensamentos certos, cantar a musica certa para fazer essas coisas...eram fundamentos básicos na capoeiragem de outrora. Além ainda, de não poder fazer “determinadas" coisas no dia em que a peleja é dada como certa. Segundo a lenda, a combinação de fatores que ajudaram a derrubar o grande Besouro Preto foi o álcool, o sexo, faca de ticum com outras rezas. Coisas que de maneira nenhuma são estranhas à maioria de nós. Mas como pode ser? Bom, penso que tudo tem a sua hora e sua vez... Cada pessoa tem o seu “cosmos” e deve se harmonizar com ele para que as suas escolhas sejam certeiras e o futuro aponte para o sucesso. Certas visões conceituais são mais importantes do que as vezes pensa a nossa vã filosofia. Pensar que só será possível saber se o caminho escolhido foi certo ou errado algumas décadas depois é um exercício difícil. É necessário muita convicção! Alguns desses princípios são ancestrais e não deve haver dúvidas em segui-los.
Para mim faz sentido crer em certas “lendas” e tudo que quero e espero é que a minha vivência dê sentido às minhas crenças. E  vice versa. Acreditar faz parte da nossa essência!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Mudança do Garcia

Na segunda feira de carnaval todos os caminhos sempre nos levam para a Mudança do Garcia. A irreverencia é explícita. Saio seguindo o Grupo Gia, o primeiro bloco coberto da Bahia. Nenhum bloco em Salvador oferece sombra para os seus integrantes. Só o Grupo Gia. Chegará o dia em que oferecerá  além da sombra, tambem a água fresca. E seguimos cortejo na contra-mão... todos vindo e nós indo! Quando pareceu facil, voltamos e seguimos o fluxo oficial. Quando a maré era alta, a gente se recolhia nas beiradas. Quando era suave, a gente encarava e passava assim mesmo. Piriguete a 3 por 5 reais, tal qual na festa do Bonfim e Iemanjá. Cheguei a comprar de 4 por 5 reais, mas tinha uma conversa a ser travada antes da negociação. Quando fui bem na conversa, levei 4, outras vezes, levei 3. Quem conhece o Grupo Gia sabe que tudo pode acontecer em termos de criatividade e improviso. Uma das coisas que mais me impressiona é o estandarte amarelo sem inscrição ou imagem. É lindo! Liso e amarelo. Não posso dizer que é em branco porque é em amarelo, liso. No ano passado teve uma coisa muito legal que foi a bicicleta que gerava energia para ativar o sistema de som e que qualquer pessoa podia colaborar com umas pedaladas para carregar a bateria. Este ano teve um outro sistema, acho que com bateria de carro. Quando descarregou, os microfones foram abandonados e ficamos com a potencia dos nossos gogós. Faz parte também! Foi legal poder dar esse gás com a multidão! Isso é carnaval.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Camarote Universitario

Hoje a festa foi no camarote universitário em ondina. Projeto mantido pelo sindicato de servidores técnicos administrativos da Universidade Federal da Bahia, do qual sou um de seus associados. Esse camarote fica defronte a outros bem mais badalados e caros, mantidos pelos grandes hotéis e pessoas famosas. De lá pude ver todas as grandes estrelas passando com seus trios elétricos poderosos, fazendo tremer o chão e os nossos tímpanos. Foi mais uma noite gloriosa e cheia de alegria.Ví  muitos milhares de pessoas juntas e não ví nenhuma confusão. Só Alegria!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O RODANTE

Ontem à noite fui brincar carnaval no bairro do Santo Antonio Além do Carmo, seguindo a folia do bloco carnavalesco “O Rodante”, cuja a concentração foi na Praça dos 15 mistérios. Estavam lá muitos amigas e amigos queridos. Rodamos pelas principais artérias do bairro sob as bençãos da alegria. A “piriguete” estava de novo na promoção: 3 por 5 reais. As fantasias estavam “profissas”... Impossivel não lembrar dos  15 anos em que treinei no GCAP, no forte da capoeira, onde pudemos circular e conhecer todas as “quebradas" do bairro, num tempo em que a ocupação era feita por pessoas simples e modestas, ao contrario de hoje, que é principalmente feita por estrangeiros endinheirados, que estão comprando todas as casas ainda disponiveis. A especulação imobiliaria jogou para cima o valor das edificações historicas.

Já é Carnaval!

Na quarta feira passada fizemos a aula de capoeira com o espirito de quem só vai se encontrar novamente depois da folia momesca. Agora já é carnaval! No meu trabalho, trabalhei até aquele dia... Na capoeira... bom, na capoeira o sentido é mais profundo a respeito do “trabalho”. Para alguns é emprego. Para outros é trabalho. Para outros é missão e causa. E outros, conseguem ser um pouco de todas as alternativas anteriores. 
A cidade pulsa! O verão esquenta! Os sentimentos se uniformizam pela alegria do povo baiano, campeão em simpatia, apesar do aumento das areas reservadas à elite através dos camarotes, em detrimento da redução do espaço publico.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A Quinta Roda!

A quinta roda do nzinga aconteceu somente com a prata da casa, ou seja, somente com discípulos e discípulas nzingueiras. Estávamos nós 3: eu, a Janja e a Paulinha. Recebemos visitas de pessoas que queriam assistir a roda. Foi tudo redondinho. Ainda existia a greve da polícia e o clima ainda era de insegurança, mas mesmo assim depois da roda, foi possível dar um rolé no Samba Butequim que aconteceu no Carrinho da Alegria, barzinho que tem ao lado do acarajé da Cira, que fica no largo da Mariquita, Rio vermelho. Agora já não existe mais greve e a ordem está voltando à city. A vida voltando ao normal...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Frase pastiniana!

"A Capoeira está para todo mundo, mas nem todo mundo está para a Capoeira”. Essa frase “pastiniana" resume de maneira emblemática de como é difícil e complexa a tarefa de desvendar os mistérios e segredos da capoeira angola, tanto no âmbito do ensinar como no do aprender. Porque nos tempos que tenho na capoeira, já vi muita gente com habilidades impressionantes para executar os movimentos e as feições da mandingagem mas, no decorrer do tempo não permanecem na capoeiragem. Por quê? Não me arriscaria a responder a esta pergunta... mas sei que em alguns casos é a vida mesmo, com todas as dificuldades que tem direito. Em outros, é a dificuldade da própria pessoa em superar limites e de fazer escolhas pessoais. Nem precisa dizer que os jovens negros no Brasil tem a vida muito mais dificultada do que outros segmentos raciais. São obrigados a entrar no mercado de trabalho precocemente, tendo muitas vezes que abandonar a escola para isso. Um ciclo vicioso que precisa ser quebrado... cada pessoa colabora como puder...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A quarta roda

A nossa quarta roda do ano na verdade não aconteceu(?). Vou explicar o porquê. Neste dia, era a abertura do evento do Grupo Zimba do qual eu era um dos convidados a dar workshop durante os dias seguintes.  Marcava o retorno do mestre Boca do Rio à Bahia, após 4 anos na europa. A greve de policiais que acontecia já há 10 dias, trouxe à cidade um clima de insegurança muito grande, principalmente naqueles dias, onde aconteceram varios tipos de delitos. Muita gente estava e alguns ainda estão preferindo ficar em casa mesmo. Então, fomos todos nós, integrantes do Nzinga, para o evento que aconteceu de maneira plena e foi muito legal! Teve como convidados eu, os mestres Valmir e Caboré, sem falar do próprio mestre Boca do Rio e do mestre Ras Ciro. A roda de abertura foi bem legal, onde só os mestres e contra mestres puderam jogar a mandinga e um grande numero de inscritos no evento puderam apreciar os bons jogos que aconteceram. Bem vindo de volta mestre Boca do Rio! Saravá!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O que eu sou, é o que faço!

Semana passada faleceu o Dr. Angelo Decânio. Nas ultimas décadas, foi figura importante na capoeiragem baiana. É bem verdade que por ter sido aluno do grande mestre Bimba, o seu perfil se associa de fato, mais à capoeira regional. Desde que entrei na capoeira, 30 anos atrás, nunca o vi jogando capoeira, apesar de saber que isso não signifique que ele não a jogasse. Entretanto, prestou um grande serviço à capoeira angola ao comentar  os manuscritos do mestre Pastinha: A Metafísica da Capoeira Angola. Esses manuscritos estão disponibilizados na internet. Obra imprescindível para o entendimento da filosofia pastiniana, principalmente por parte dos angoleiros e angoleiras, mestres e discípulos que forem! Se a fala traduz o pensamento, a voz e a ação devem ter afinidades! O que eu sou, é o que faço”? 
Dr. Decânio, um doutor na medicina e na capoeiragem, pois do tanto que ele sabia, poucos estariam à altura de enfrenta-lo numa peleja intelectual. Minhas condolências à família e aos amigos!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Mameto Dandá!

Ontem realizamos mais uma festa homenageando Mameto Dandalunda, a Rainha do Mar. Fizemos a entrega dos presentes na anti vespera: um balaio foi entregue para Mameto Kissimbi (Oxum) no dique do Tororó e o outro foi entregue no mar, para Mameto Dandá (Iemanjá), depois da meia noite da quarta feira. Muitos amigos e amigas estiveram presentes. Os mestres Valmir, Renê, Caboré e Boca do Rio, estiveram mais uma vez conosco, deixando os seus axés no nosso chão e nos brindando com suas mandingas. Ontem esteve lá tambem o capoeirista Pepeu, filho do mestre Moraes. Mais um companheiro de viagem, outro malungo. Foi muito feliz o momento em que tocamos e cantamos juntos.  A camiseta do evento arrebatou mil elogios, feita por minha queridíssima sobrinha, Alice Kottler(alice.kottler@gmail.com). A feijoada, mais uma vez arrasou de gostosa, feita pela já famosa Nalva. O samba de roda, sob a batuta do mestre Renê, foi outro ponto alto da festa. Ontem fizemos ainda, a entrega de título de contra mestre para Daniel Marconi e Piter Bedoian. São os primeiros contra mestres do Nzinga. O Anderson Barba Ruiva foi elevado a Treinel. Foi um dia glorioso para a historia que começamos a construir há 30 anos. Tudo deu super certo! ODOYÁ!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Terceira Roda

A nossa terceira roda de capoeira do ano, realizada na ultima sexta feira, foi igualmente à segunda, muito boa! Foi uma roda caseira, quase toda ela, salvo duas garotas capoeiristas que nos visitaram nos ultimos 30 minutos do encontro mandingueiro. Teve ainda a participação da Raquel, que está de passagem pela capital baiana e do Fernando Vulcão, ambos do Nzinga SP. O Diogão tambem está pela capital baiana, com exceção desses dias que antecedem à festa do mar. Já estamos vendendo a camiseta da festa do dia 2 de fevereiro por apenas 15 reais. Está muito bonita! A feijoada custará tambem 15 reais. Estamos prontos e esperando o grande dia! Venham nos prestigiar e apoiar com a sua presença! Até lá...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Iemanjá protege quem protege o mar!


Pela primeira vez em sete anos, desde que mudamos para a comunidade do Alto da Sereia, entraremos na semana da festa no mar com tudo dentro do planejado. Em outras palavras, haveremos de apenas treinar capoeira nos dias que antecedem à festa, coisa que geralmente fica comprometida com as demandas necessarias para que tudo dê certo para receber voces. As camisetas para este glorioso evento ja estão disponiveis. Quem quiser adquiri-la antes, pode nos procurar no Nzinga. É isso, estamos prontos e esperando voces neste dia. Roda, samba, feijão e folia!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Malungada!

Este ano todo estarei celebrando meus 30 anos de capoeira angola, juntamente com as “Malungas”Janja e Paulinha. Em 2007, rolou o evento chamado “Malungos”, que significa: companheiros de viagem. Contou com o Nzinga (Poloca, Janja e Paulinha), com a Fica (Valmir) e com o Zimba (Boca do Rio) e marcou a passagem dos nossos 25 anos de capoeira. A primeira ideia é de que o faríamos de 5 em 5 anos. Este ano novamente deveremos realizar alguma coisa em conjunto. Aguardem!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Segunda Roda do ano!

Lembro-me que no ano passado comecei a contar e descrever como estavam sendo as rodas aqui no Nzinga. Sei que depois de varias rodas ótimas, esqueci de continuar descrevendo enquanto me lembrava de escrever sobre outras tantas coisas que abordei aqui neste bloguinho. Hoje faremos a segunda roda do ano. A primeira roda, semana passada, aconteceu no dia seguinte à festa do Bonfim, 12. Foi a primeira sexta feira 13 do ano. Foi bem legal, pois estávamos ainda com o espirito elevado do dia anterior, apesar das nossas vozes ainda não estarem plenamente recuperadas. Estamos no maior agito para o evento do dia 2 de fevereiro, então tudo é ingrediente para a festa no mar, que este ano tem apelo especial por se tratar do ano em completamos 30 anos de capoeira. Então, no Nzinga este ano, teremos o ano todo de celebração. Compareçam, nos visitem e celebrem conosco esta passagem de nossas historias.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Caiu na rede é peixe!

Pela primeira vez, desde que instalamos internet e telefone aqui no Grupo Nzinga, escrevo neste previlegiadíssimo forum. Tenho que admitir que é demais! Apenas uma porta separa-me da aula que a mestra Paulinha está dando no salão principal. O ritmo da capoeira pulsa e soa-me como um “musak”, tão companheiro em longas esperas e alimentador de esperanças. Primeiro, ela utilizou o nosso cd Nzinga. Mais adiante, utilizou a bateria completa da capoeira. Iê!... Ouve-se um profundo silencio! Silencio total... No salão, ensinamento dado... na salinha, silencio de novo. Enquanto digitava essas esperançosas palavras, o gunga bem afinado no grave, invade o ambiente como se fosse uma lança com a ponta arredondada. A musica se eterniza neste momento. Eterna por um instante! Escuto: minha sereia rainha do mar, não deixe meu barco virar...
Berimbau me chama!

Enredado!

Pela primeira, desde que instalamos internet e telefone aqui no Grupo Nzinga, escrevo para este previlegiadíssimo forum. Tenho que admitir que tem um certo ar de magia! Apenas uma porta separa-me da aula que a mestra Paulinha está dando no salão principal. O ritmo da capoeira pulsa e soa-me como um “musak”, tão companheiro em longas esperas e alimentador de outras esperanças. Iê! Ouve-se(?) um profundo silencio! Silencio total... No salão, ensinamento dado... na salinha, silencio de novo. O gunga, bem afinado no grave, invade o ambiente com seu som, ajudado por um vento forte que o faz soar, inclusive por baixo e por detrás das coisas.  A musica se eterniza neste momento. Eterna por um instante! Escuto: minha sereia rainha do mar, não deixe meu barco virar...
Berimbau me chama!