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sábado, 24 de dezembro de 2011

Pastinha e a teia da aranha

Voces lembram do que o mestre Pastinha falou sobre a teia da aranha? É o que gostaria de falar para voces, leitores queridos, neste momento...

Mestre João Pequeno de Pastinha

Falo sinceramente para voces, foi duro perder o mestre João Pequeno de Pastinha dias atrás. Todos de certa forma, estávamos preparados individualmente para o episódio, mas o que se viu lá na hora não foi bem isso. Existia um certo clima de reencontro entre todos que estavam presentes, mas foi nitido tambem que o sentimento de dor e pesar pela morte do mestre era um sentimento coletivo e que aproximava a todos que estavam lá no Bosque da Paz, independente de se conhecer ou não! Não pude evitar as lagrimas quando a neta do mestre João Pequeno, Nani, tentando fazer a sua ultima homenagem ao mestre, cantou a ladainha de autoria do seu avô, e que com dificuldade conseguiu conclui-la.  Foi a despedida de um dos mestres que fez a passagem da era Pastinha para a era atual. Foi sem duvidas um dos olhos do velho mestre Pastinha. A gente pensa que os tempos passam, mas vê a historia se repetir. Mais um mestre nos deixa sem ter tido as devidas homenagens e reconhecimentos em vida.

sábado, 26 de novembro de 2011

Orkestra de berimbaus é show!






Como havia divulgado pelo Facebook desde a semana passada, fizemos na ultima quinta feira, dia 24/11, a abertura da final do IV Festival da Canção Estudantil, que foi realizado na Concha Acústica do Teatro Castro Alves em Salvador. A plateia era composta por 100% de estudantes secundaristas, adolescentes no auge de suas alegrias e angustias.
Ficamos em um camarim ao lado do cantor Lazzo Matumbi, um dos nossos ídolos. Ensaiamos e nos concentramos lá... No palco, cantamos a musica “Tiene Pamosi”. Essa musica foi composta com frase em varias línguas, exatamente para contemplar os vários povos que lutaram contra o colonizador portugues e que hoje compõem o Estado moçambicano. A idéia da letra pode ser sintetizada em uma frase: “unidos num só coração”. 
Depois cantamos o hino do 2 de Julho, numa homenagem à cidade de Salvador. Foi daqui, que o colonizador também portugues foi expulso definitivamente do Brasil, depois de sangrentas batalhas.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mestre Gato, Nzinga e Cupuaçu


Há mais ou menos um mes atras, estive em São Paulo, onde passei 4 dias. Tava frio! Fui para o lançamento do livro Mestre Gato e a Comadre Onça, da escritora Carolina Cunha, que aconteceu na sede do Nzinga. Foi uma mega produção! Tinha muita criança. A maioria era do grupo Sim Sinho. Outras estavam acompanhadas pela professora Fernanda e algumas ainda, eram da atividade do Cine Muleeke (Nzinga). Contei umas piadas e cantei umas musicas para a criançada. Depois a propria Carolina Cunha contou a historia do Mestre Gato. Em seguida rolou a roda de capoeira composta pelas crianças. Samba e um mega Buffet para aqueles ilustres convidados que aproveitaram de verdade e à vontade. Foi uma tarde especial! Já me referi a este projeto em postagem anterior. Alem do belissimo livro, acompanha um cd com participação ilustre dos mestres João Pequeno de Pastinha e Boca Rica, além é claro, da mestra Janja, eu, o mestre Gabriel e a treinel Nani de João Pequeno. No dia seguinte, no domingo, 23, foi comemorado no Morro do Querosene os 25 anos do Grupo Cupuaçu, e me sinto previlegiado por ter estado lá comemorando com a tribo maranhense, sob a batuta do mestre Tião Carvalho.

sábado, 17 de setembro de 2011

O Tempo não para!

No inicio do mes de agosto comecei a dar aulas de capoeira angola na Fundação Pierre Verger. Um novo desafio que espero dar conta. As  crianças ainda estão aprendendo a me conhecer e eu a eles.  Tenho esperança de formar uma nova geração de capoeiristas pelas bandas do Engenho Velho de Brotas, bairro onde minha mãe mora há uns 25 anos e onde eu proprio morei, numa determinada época. Tenho já muitas historias a respeito de crianças e jovens que tiveram contato com a capoeira desde muito cedo e que tiveram as suas vidas transformadas de maneira definitiva. Um dos exemplos que mais me orgulha de   citar é o de Livaldir, Baba, que conheci com + ou - 10 anos de idade na Associação Livre de Moradores da Mangueira onde dava aulas juntamente com mestre Valmir. Ele é um exemplo de sucesso! Mora hoje em Washington DC, possui familia e é treinel da FICA. Quase que nesse mesmo tempo, um pouco antes talvez, o garoto Kenneth Kuanda, do GCAP, foi outra criança que já estava crescendo dentro da capoeira e hoje está na Austria há varios anos, também com situação estável. No Nzinga de São Paulo, tambem já tem uma geração de crianças que ficou grande lá. O Nzinga Salvador, depois de 9 anos, dos quais 6 no Alto da Sereia, já tem as suas crianças que ficaram adultas lá. O tempo passa, e com ele, as nossas vidas! Faça da sua o que voce quiser...escolha!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Feliz aniversario!

No ultimo dia 18 de agosto, o grupo Nzinga completou 6 anos de atuação na comunidade do Alto da Sereia. Em Salvador, já são 9 anos. Por acaso, também é meu aniversario! Quem nos visitar neste dia, certamente nos encontrará com a casa cheia, principalmente por crianças e jovens da comunidade. Me orgulho em saber que qualquer morador, inclusive as criancas, sabe dar informação sobre onde é a capoeira, onde é o Nzinga, quem sou eu, quem somos nós!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Adolescendo!

Uma coisa que acho muito legal que tenha ocorrido foi que os meninos de Sampa -Serginho, Leo e Leandrinho -  ficaram alojados na sede do Nzinga e, por muitas vezes, ao chegar para dar aula, os vi zelando do espaço, lavando, passando pano, lavando os pratos ou armando berimbaus. Mantendo alguma ordem. Naquele momento, esta era a sua casa. Este é um bom exercicio! Induz à convivencia! Este tipo de energia é importante ser deixada no "chão". A interação entre os jovens e adolescentes daqui de Salvador e os de São Paulo também é notável. São parceiras! Faz gosto ver a boa relação deles. Alguns jovens nzingueiros do Alto da Sereia completarão 6 anos de capoeiragem no proximo dia 18 de agosto. Ou seja, nós somos depois de suas familias, as pessoas que passa mais tempo com eles. Portanto, nós temos condições de influenca-los positivamente, se acreditamos em nossas essencias.

Capoeiragem Internacional!

Ontem estive na abertura da XVII Conferencia da Fundação Internacional de Capoeira Angola. Foi muito bem organizada e num local perfeito. Encontrei muitos amigos e amigas que moram no exterior e aqui no Brasil. Estavam lá tambem as mestras Janja e Paulinha. Levei tambem alguns jovens do Alto da Sereia para participar deste grande evento. Primeiro assistimos dois filmes institucionais dos patrocinadores. Depois foi formada uma mesa para saudações e agradecimentos. Seguindo, rolou uns comes e bebes e por fim, uma grande roda de capoeira na porta do Espaço Cultural da Barroquinha. A contar pela abertura do evento, esta conferencia promete ser uma das melhores, ainda mais, sendo realizada na ciade historica de Cachoeira, no reconcavo baiano.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Lôbo Mal, Lôbo Bom!

Nzinga jul/2011
Agora que os últimos integrantes da delegação do Nzinga São Paulo retornaram à sua origem, me habilito a escrever sobre o quão positiva foi esta passagem deles por aqui. Da minha parte, fico feliz em saber que o que tenho ensinado ao longo desses 15 anos no Nzinga vai além dos movimentos letais que possui a capoeira. Alguém já filosofou que em nosso intimo existe a disputa entre dois lôbos: um bom e outro mal e dependendo de qual lôbo a gente alimente mais vezes, ele vencerá o outro. Isto posto,  retomo a idéia de que a "atitude" não está no corpo. Ele apenas a representa! Se o pé de alguém bate violentamente no rosto de outra pessoa, o culpado com certeza não é aquele pé. Em outra situação, se você chega na casa de alguém e, se recusa explicitamente a cumprimentar o dono da casa, a culpa por isso também não será do seu corpo... Então, existem muito mais "coisas" a serem ensinadas e aprendidas do que pensamos. Sinceramente, ensinar às pessoas a fazerem os golpes não me parece uma tarefa muito difícil de ser realizada! Atitude e ética sim, é difícil de ensinar.  Parecido com quando estávamos começando na capoeiragem: se estávamos evoluindo no que dizia respeito aos toques de berimbau, ou no que dizia respeito aos movimentos e ao jogo, ou se ainda já conseguíamos falar bem a respeito da capoeira. Acontece que precisamos evoluir em tudo. Saber dar, agradecer, reconhecer, respeitar, merecer, labutar, perdoar, amar, solidarizar-se, ajudar e celebrar são valores que nem todos conseguem realizar. Tanto para ser ensinados quanto para serem aprendidos. Fiquei feliz em ver que todas as pessoas estão num caminho bom. Algumas jogam mais do que tocam. Outras falam e tocam mais do jogam. Outras respeitam e treinam mais do que jogam. Outras treinam e jogam mais do que falam. Outras são mais humildes e não falam. Outras são vaidosas e ajudam mais do que as que perdoam e não treinam. Como vemos, precisamos evoluir em muitos aspectos objetivos e subjetivos do que representa ser "capoeirista". Não podemos dizer que a violencia esteja associada ao caminho do equilibrio. O equilibrio das coisas deve ser o objetivo. E prá se conseguir isso, precisamos viver uma vida!       

sábado, 18 de junho de 2011

VIVA O MESTRE!

P.VERGER
POETA DA VIOLENCIA


ISSO EU SEI QUE NÃO SOU


PASTINHA, MESTRE DOS MESTRES


DESSE EU SOU SEGUIDOR


ELE PREGOU A DECENCIA,


O RESPEITO E O AMOR


PELA CAPOEIRA ANGOLA


JOGO DE GRANDE VALOR


CAMARÁ,

sexta-feira, 3 de junho de 2011

André Cypriano

Como sou fã do fotografo André Cypriano, divulgo a sua exposição... vejam aí!! Em 2009 ele lançou livro de fotos sobra a capoeira e retratou em sua obra, o nosso "Nzinga", entre tantos outros. Registrou momento unico! O livro está no acervo do grupo. Está disponivel para consulta. Quem for no Nzinga pode pedir para ver o livro, que prontamente será atendido. Um dos maiores fotógrafos da atualidade, passou por Salvador e teve tempo de conhecer o badejo ao molho de mangas, que lhe apresentamos na época.




Queridos familiares e amigos,

Gostaria de convidá-los para a exposição “ILHA”, no Centro Cultural Correios, Rio.

A exposição faz parte do Encontro Internacional de Fotografia - FotoRio 2011.

Abertura: 6 de junho as 19h (estarei lá).

Visitação: 7 de junho a 17 de julho.

Centro Cultural Correios
R. Visconde de Itaboraí, 20 Centro  tel. 2253-1580


Dear Family and friends,

I would like to invite you to join me at the openning of the exhibition “ISLAND”, at Centro Cultural Correios, Rio.

The exhibition is part of the Encontro Internacional de Fotografia - FotoRio 2011.

Openning day: June 6th,  7pm.

Exhibition date: June 7th to July 17th.

Centro Cultural Correios
Rua Visconde de Itaboraí, 20 Centro  tel. 2253-1580


Abraços,

Andre Cypriano
-- 
http://www.andrecypriano.comusa (1)(212) 647-8755
brazil (55)(24) 3361-5602 – cel 9907-9871

terça-feira, 17 de maio de 2011

Broto de limão rosa!

Lembro-me que entre 1986 e 1990, o mestre João Grande era tambem um dos mestres do gcap, ao lado dos mestres Moraes e Cobra Mansa. Outra dia escreverei como foi que se deu essa vinda do mestre para o gcap. Agora quero apenas contar a historia do dia em que o mestre João Grande chegou para o treino lá no Forte de Santo Antonio, com duas vergas na mão.Acho que aconteceu no final da década de 80. Eram vergas especiais, raras! Eram de broto de limão rosa! Eram um pouco mais grossas do que a bitola que normalmente usamos para fazermos berimbau com verga de biriba. Apesar de serem mais grossas, eram mais leves e com a superficie irregular, como se tivesse muitos "nós". Cada discipulo tinha que ter o seu berimbau para as aulas de ritmo que aconteciam todas as terças feiras, na primeira meia hora de aula. Ao termino da aula, cada um pendurava o seu berimbau em um prego na parede. Nesta época, eu era o coordenador da comissão de instrumentos e já possuía o meu berimbau. Aconteceu que o mestre João trouxe as vergas para que eu confeccionasse os berimbaus. Um seria dele e o outro meu. Sempre tive sorte!... Fiz os berimbaus de broto de limão rosa! Pintei-os com cores bem fortes. Ficaram lindos! Na minha verga eu entalhei "CAPOEIRA ANGOLA". O berimbau do mestre era um gunga e o meu foi um médio. Modéstia à parte, ficaram bons demais! Nas terças que se seguiram, estava eu lá arrebentando com o meu berimbau, marcando a maior presença no treino. A galera ficava ligada e sabia que aquele arco estava falando alto. O do mestre nem se fala! Gunga da melhor qualidade. Não demorou muito para os nossos berimbaus serem escalados para compor o ritmo das grandes rodas que aconteciam, e acontecem até hoje, aos sábados, às 19 hs. Os berimbaus do gcap eram mais robustos, com vergas mais grossas e por isso duravam mais tempo. Às vezes, marcavam uma fase do grupo como tendo uma bateria com os melhores berimbaus de uma época. A minha verga de limão rosa eu tenho até hoje. Quem visitar o Nzinga poderá vê-la. Está surrada, mas está inteira! O mestre João Grande também tem ainda o seu berimbau de broto de limão rosa. Quem for na academia dele em NYC, também poderá vê-la.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Aprender a aprender!

Hoje escrevendo para o e-grupo do Nzinga SP, me referi às gerações de crianças capoeiristas do nucleo do NZ Salvador. Quando chegamos no Alto da Sereia, em agosto de 2005, recebemos uma leva de mais ou menos  25 crianças. Dessas, nesses quase 6 anos de "jogo", apenas 8 estão até hoje. Imaginem que eles agora estão adolescentes, com todas as questões inerentes à essa fase da vida. Sabemos que não é facil, mesmo quando as condições são normais. Condição esta que não se aplica ao nosso exemplo, pois são crianças pobres, negras e que residem em área remanescente de quilombolas, com pouca presença do Estado. Ou seja, são caracteristicas que na sociedade brasileira, significam maior dificuldade para acessar as condições para se viver decentemente. Essa geração, hoje me ajuda bastante na preparação dessa nova "leva" de muleekes. As vezes eles querem fazer cobranças duras aos novos muleekes, mas eu fico por perto para pedir-lhes paciencia, a mesma que eu tive no começo quando eles chegaram há 6 anos atras. Se a cada 6 anos de trabalho, conseguisse ficar com  8 alunos dos tantos que chegaram, diria que o sucesso nos brindou a abençoou! Digo sempre que se o "nucleo duro" de um grupo, que é formado por pessoas que se dedicam de maneira mais destacada ao funcionamento dele, recebesse um discipulo por ano, seria muito compensador e o futuro deste grupo estaria garantido às proximas gerações. Prestem atenção que eu não estou me referindo ao numero de pessoas que compôem o grupo, mas sim das pessoas que fazem com que este grupo evolua e cresça como organismo, como uma coisa viva e latente,  participando e contribuindo com o seu dia a dia, e não apenas achar que pagando a mensalidade em dia, ja esteja fazendo muito por ele. Qual o lugar de cada um nós afinal??????????? Conviver, aprender, ser e fazer!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Casa dos Olhos de Tempo!

A cada ano, a Casa dos Olhos de Tempo que fala da Nação Angolão Paketan realiza o seu ciclo de festas, onde celebra e louva os principais Inquices da casa. No dia 9 de julho, às 17 hs, terá início a festa dedicada à  Unzila, onde será servida comida sagrada que abrirá o caminho para as festas subsequentes. No sabado seguinte, dia 16, no mesmo horario, acontecerá a festa que reverencia Mameto Kaiongo. Na madrugada do domingo (17) para a segunda feira (18), acontecerá o Ritual das Águas, chamado Meian Kambuká. É um dos rituais mais lindos que existem. Na mata, no meio da noite, escuro, velas acesas, canticos sagrados, muita água, roupas brancas...É demais!
No dia 23, às 17hs, teremos a principal festa da casa. O dono do Terreiro! Tateto Mutalombô!
Essas são as festas que acontecerão no mes de julho. No mes de agosto, teremos duas festas para Tempo: uma no dia 13, às 17 hs, que vai acontecer no terreiro da rua Daniel Lisboa, em Brotas. Neste ritual, existem varias detalhes que fazem desta festa, uma festa diferente. A outra festa será no dia 20, às 17 hs e acontecerá em Cajazeiras XI.
Até os dias das festas, estaremos em campanha de arrecadação de fundos para ajudar nas muitas despesas que serão necessarias fazer. Aos leitores e leitoras que queiram colaborar, façam contato conosco, que estudaremos uma alternativa viavel.

Nzinga: 9 anos em Salvador

Está ficando cada vez mais interessante a possibilidade de reunirmos em Salvador uma boa porção do Nzinga SP com o Nzinga daqui, em julho, por ocasião dos festejos da Casa dos Olhos de Tempo que Fala da Nação Angolão Paketan que começam no dia 09 de julho.. A ideia que se esboça é organizarmos um eventinho na tarde do dia 15, na sexta feira, culminando com a roda de capoeira à noite, aberta à comunidade. As pessoas interessadas em participar destas atividades, enviem mensagem para o polocagb@hotmail.com para garantir lugar, ja que serão vagas limitadas. A ideia é de uma aula com os mestres do Nzinga com preço popular de 30 reais. Na oportunidade, estaremos marcando a passagem dos 30 anos sem o grande mestre Pastinha e os 9 anos do Nzinga em Salvador. Desde já, todos e todas estão convidados a comparecerem  no eventinho de capoeira e nos festejos do terreiro.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Capoeira Viva

Ontem no final da tarde, fui ao Centro Cultural da Barroquinha para assistir ao lançamento da coleção de cds de capoeira. Foi resultado do edital que a Fundação Gregorio de Matos lançou ano passado. São varios mestres envolvidos no projeto, inclusive de muitos outros estados do Brasil, mas alguns nomes possui peso e historia maior que o de outros. Por exemplo, o mestre Boca Rica estava lá com toda a sua elegancia e picardia coordenando a pequena roda de capoeira que rolou. Não tocou ontem. Estava apenas com o microfone na mão e cantando varios sucessos de seus 5 discos anteriores. Meu padrinho de casamento que doou uma caixa de quiabo para o caruru do meu casorio. Voces sabem que ele vende na feira de Sâo Joaquim desde sempre. Salve mestre Boca Rica. Apesar de não estarem lá, os mestres Virgilio, Ananias e o saudoso mestre Bigodinho, que ontem recebeu uma homenagem singela  e bonita. Depois de amanhã completará um mes de sua morte. A caixa com os 5 cds foram distribuidas para quem foi prestigiar o evento. Comecei a ouvir imediatasmente, quando sai de lá em direção ao Nzinga para a aula que daria minutos adiante.

sábado, 30 de abril de 2011

Águas Sagradas!

A temporada de furacões começou nos Estados Unidos e a das chuvas aqui em Salvador. Nesta época chove muito. Se a historia se repetir, choverá durante uns dois meses, com curtas estiagens. Nestes intervalos, o sol aparecerá forte, levando muitos baianos dependentes em direção do  mar. Ontem mesmo choveu o previsto para todo o mês de maio. Simplesmente choveu o dia todo, ficando mais intensa ainda no inicio da noite, na hora da roda de capoeira. Cheguei mais cedo lá, já prevendo que o espaço do Nzinga estivesse alagado. E realmente estava completamente inundado. Foi uma limpeza pesada que tive que enfrentar, contando com a ajuda de Adelmo, 7,  e Alisson, 10.
Bom, conseguimos retirar a água acumulada, mas as goteiras estavam em todos os pontos do salão. Foi dificil e cheguei a pensar em suspender a roda por isso e tambem por que o numero de pessoas era pequeno. De qualquer forma não dava mesmo para ir embora, ja que a chuva estava mais intensa ainda. Bom, secamos um pequeno espaço e começamos a roda com as pessoas que tinhamos. A maioria era criança. Cantei a ladainha e a chula. Depois, uma pausa e o som da chuva no problemático telhado de eternit do Nzinga me fez lembrar  do "ô Santa Barbara de relampoê". Fomos pegando vibração e, em seguida cantei aquela musica em Kimbundo: "Oiá, Oiá, Oiá êêê, Oiá Matamba do kakurukajo nzinguê. Por coincidência ou não, a chuva começou a diminuir e logo depois parou. Somos livres e podemos acreditar no que quisermos, Graças a Mzambi! 
 É comum vermos muitas rodas de capoeira onde, para garantir proteção, se canta primeiro para Santo Antonio, que aqui na Bahia associamos à Roji (Ogum).  Vale a pena pensar que Oiá (Iansã) tambem possui espada na mão e é boa de briga. Também protege. Para quem não lembra, Santa Barbara é associada a Oiá.
Mais pessoas começaram a chegar e as coisas foram se encaixando: mais vozes no coro, melhor energia fluindo, o circulo da roda se fechando, mais vibração... Coisa de magia, que a gente aprende a respeitar sem precisar entender. Para um dia como aquele de ontem, foi uma dadiva conseguir armar uma roda com quase 20 pessoas. Ao final, depois dos abraços e despedidas, resolvi voltar para casa satisfeito, para um descanso merecido, mesmo com a possibilidade do Samba de Botequim no forte de Santo Antonio. Neste momento, apenas chuviscava.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Triste Partida!

Exatamente no dia em que o saudoso mestre Pastinha completaria 122 anos de nascido, morreu hoje o mestre Bigodinho. Uma voz importante se calou entre nós, mas com as bençãos de Mzambi, brilhará nas rodas celestiais, de agora em diante, em companhia dos bambas. Sabia muitos sambas, corridos e ladainhas, alem de possuir um estilo próprio de cantar e tocar a "violinha". Quem não conhece o seu disco em parceria com o mestre Boca Rica está perdendo de ouvir uma obra prima. Talvez o melhor do genero! Do ponto de vista da Tradição Oral, quanto mais antiga é a fonte da tradição, mais valiosa ela é. Olha só o local de seu nascimento! Santo Amaro da Purificação: coração do Reconcavo baiano e berço de um matizado cultural africano impressionante. Uma perda!

terça-feira, 29 de março de 2011

Diálogos Inteligentes!

É muito solitario escrever para um publico silencioso. Existe espaço para voces, leitores e leitoras queridas, expressarem um pouco de suas impressões aqui, no espaço destinado aos comentarios. Usem-no! Não que exista uma obrigação de escrever, mas seria legal se tivesse algum tipo de estimulo por parte da audiencia. Até para orientar algumas futuras postagens. Claro que farei uma edição desses comentarios... Mas, é isso! Aproveitem os foruns que lhes são oferecidos. Faz parte dos fundamentos angoleiros aproveitar as chances que acontecem em determinadas situações. Certa vez jogando com o mestre Angolinha, em Belo Horizonte, enquanto construíamos o proprio jogo, surgiu uma fulgas chance de eu tentar fazer uma rasteira.. É claro que não faria isso, mesmo que a oportunidade de fato não passasse de uma falsa ilusão. Mas ai ele brincando comigo disse: Poloca, voce devia ter feito a rasteira, por que essa pode ter sido a sua unica chance em sua vida toda. Há coisas na vida que só acontecem uma unica vez, assim como há coisas que nunca acontecem, apesar de desejadas. Falo isso por que ontem a noite, na aula de capoeira do Nzinga, treinamos um movimento com certa dificuldade de execução e que no final da aula eu disse que tem coisas que a gente treina e que às vezes, com um pouco de sorte, a gente consegue uma unica chance de tentar executar aquilo que foi treinado. A capoeira angola tem sempre esse traço do inusitado, de tão inusitado, corre o risco de não ocorrer. E é isso! É assim tambem na grande roda da vida. Por isso, na maioria das vezes é melhor tentar do que pecar pela omissão, ja que este tipo de erro é maioria em nossas vidas...É o problema dos que resolvem fazer do "chute" o seu principal argumento em uma roda de capoeira. Não têm coragem para tentar construir dialogos mais  inteligentes!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Palavras ao vento

Em post anterior, escrevi que "escrever é viver!". Agora venho aqui para falar da palavra...
Somos donos delas só enquanto não as pronunciamos ou a escrevemos, porque depois disso, dignamente nos tornamos escravos delas!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Fazendo o Social

Ontem visitei o Grupo Zimba, na comunidade do Bate Facho. Fui acompanhado por algumas crianças do Nzinga: Bruna, Vinicius e Antonio. Esses são os mais velhos na casa.  Entraram no Nzinga há 5 anos atrás e parece que estão mergulhados dos pés à cabeça nessa odisseia angoleira, inclusive com forte envolvimento em outras áreas, como por exemplo, na Dança Afro e na "religião", o Candomblé. A gente não sabia onde era o endereço, apenas tinhamos algumas referencias e indicações de como chegar lá. Ja estavamos a caminho quando a Bruna avistou na avenida, em um ponto de onibus, uma das alunas do Zimba indo para a roda. Pura sorte! Parei adiante e um dos meninos voltou para convida-la a nos acompanhar de carro até o Bate Facho. Foi perfeito! Chegamos bem e rapidos. A roda foi ótima! Uma vibração muito boa tambem. Tinha muito mais crianças lá do que as que foram visitar o Nzinga na sexta feira passada. A boa e velha capoeira em comunidade, como o saudoso "mestre dos mestres" sempre quis.
O local é pequeno, mas é cheinho de axé. Foi todo ele construido por Paulo, um dos discipulos do mestre Boca do Rio, que tem o oficio de pedreiro como tradição familiar e que tambem é o responsavel pelas aulas para as crianças. Ambos estão de parabens pelo trabalho que realizam.
Agora pela manhã acontece o roda do mestre Caboré, no fim de linha da Rua Daniel Lisboa. Uma boa pedida...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

As 7 Rodas!

Ontem aconteceu a sétima roda de capoeira do ano. Estou contando dessa maneira, porque até agora só rolou roda boa... O grupo Nzinga recebeu a visita do grupo Zimba. O mestre Boca do Rio chegou lá com toda a sua turma, inclusive com as crianças da nova frente de trabalho em comunidade no Bate Facho, bairro proximo ao bairro da Boca do Rio. O citado mestre possui este apelido exatamente por ter morado no bairro da Boca do Rio na época em que treinou no Forte de Santo Antonio. Pois bem, foi muito legal ter recebido o mestre Boca do Rio, em rápida passagem por Salvador. Ele irá embora na proxima terça feira de volta à Espanha, onde atualmente reside com a sua familia. Valeu Bôca! Foi mais um Malungo que visita a nossa casa de aprendizagem de vida e capoeiragem. O mestre Valmir (Fica) esteve presente na primeira roda do ano. Alto Astral! Outro Malungo! A roda do dia 4 de fevereiro, podemos dizer que apesar de ter sido um pouco menos vibrante que as outras, foi legal tambem por que foi ainda na ressaca do dia 2 de fevereiro, onde o Nzinga tinha feito já um grande esforço para a realização daquela grande festa que foi e mesmo assim, rolou bem e contando com grande presença de visitantes, atraidos pelas vibrações positivas do dia 2, o que deu um "tom" especial a essa roda . Numas dessas 7 rodas, aconteceu uma invasão de crianças no espaço. Dessas que não treinam capoeira objetivamnte, mas que estão sempre por lá e, de alguma maneira, aprendem assim mesmo. As crianças deram o "tom" dessa roda.
Teve uma roda que foi transferida para a ACANNE, há duas semanas atrás, que tambem foi legal demais. O mestre Renê sempre com ótimas participações nas nossas festas para a Rainha do Mar, nos recebeu com muita atenção e, no fim da vadiação, nos brindou com uma bela mesa de frutas. Obrigado mestre Renê!
Iê Volta do Mundo...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

ODOYÁ!

Há dias venho tentando escrever umas linhas a respeito da festa do dia 2 de fevereiro, dedicada à mãe Yemanjá. Quem acompanha um pouco da historia do Grupo Nzinga em Salvador, sabe que nós estamos inseridos numa comunidade remanescente de kilombolas chamada de Alto da Sereia, reconhecida pelo ministerio das cidades como tal. Localiza-se entre Ondina e Rio Vermelho, bairros de classe media na orla maritima de Salvador. Fica a 500 metros de onde acontece essa maravilhosa festa, uma das maiores e com mais forte apelo religioso que acontece aqui em Salvador. É uma comunidade que tem na atividade de pesca um de seus traços identitarios. Pois bem, há 5 anos estamos realizando no dia 2 de fevereiro, no dia da festa no mar, evento em louvor à Yemanjá. Neste dia acontece primeiramente, a roda de capoeira, que tem como diferencial o fato de os/as capoeiristas não necessitarem usar seus respectivos uniformes, resgatando um pouco do espirito da antiga vadiação, onde se jogava com a roupa que se usava na festa. Destaco as participações dos mestres Valmir e Caboré. Além da presença tambem do mestre Renê, com o samba de roda  Este ano, alem dele, estiveram conosco o Samba Gia, dando um tom especial ao encontro sambistico. Concomitantemente, sempre rola uma gostosa feijoada feita pela melhor "feijoadeira" que eu conheço, a Nalva, a mesma da caixa da panela de pressão citada em postagem anterior. Este ano, entregamos o presente à mãe d'aqua de barco, logo nas primeiras horas do dia. O piloto do barco foi Fulaninho, assessorado pelo povo do nzinga são paulo. Odoyá!

Violencia Urbana!


No dia 5 de fevereiro, a capoeiragem baiana ficou chocada com a perda do contra mestre Jorge, 34, do Grupo de Capoeira Angola Pelourinho. Ele foi morto a tiros em frente do Forte da Capoeira, logo após sair da tradicional roda de capoeira que o seu grupo realiza já há 29 anos naquele forte. Pelo que sabemos, o jovem levava uma vida tranqüila e dedicada ao exercício da capoeiragem. O bairro sofre de uma grave crise de segurança e este episódio não está desvinculado deste contexto. Durante os anos em que treinei no Forte de "Santo Antonio, vi muita coisa! Eram tempos difíceis aqueles! O trafico de drogas, acontecia lá dentro, principalmente naquele corredor de entrada, que durante a noite era bem escuro. Tínhamos necessariamente que passar por ali para chegarmos ao treino de capoeira. O fedor de mijo e cocô dava a idéia do quanto o local era mal cuidado. O salão com piso em xadrex do Gcap era o que se poderia chamar de um "oasis" naquele ambiente de degradação. Os orgãos oficiais do estado não estavam nem ai... Faziam vista grossa mesmo! A coisa só não era pior por causa dos grupos organizados que possuíam atividades lá dentro, como era o caso do Ilê Ayê, do GCAP, Os Negões e outros. A presença dessas entidades no Forte foi o que segurou a barra de outras coisas que poderiam ter acontecido de ruim por lá. Naqueles tempos, ainda não existia o trafico de crack, o que na minha opinião, tornam as coisas mais violentas hoje em dia. Depois que o modulo policial foi instalado no largo defronte ao Forte, as coisas melhoraram com relação a isso. Já há muitos meses porem, esse modulo policial está desativado, ao mesmo tempo em que cresceu em toda a cidade, os pontos de venda de crack e a violencia que deles decorrem. Mas, assassinato nunca tinha visto acontecer por lá, levando-se em conta que hoje a presença do Estado é maior que antes. O contra mestre Jorge estava se dedicando ao preparo do evento que começaria 3 dias depois daquele fatídico dia. Soube inclusive, que ele foi formado "mestre" durante este evento. Uma justa homenagem "in memoriam" ao discipulo que se foi. Com certeza foi um dia triste para a historia da capoeiragem na Bahia.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Pé quente, cabeça fria!

As vezes, penso muito em vir aqui escrever qualquer coisa, mas o “mecanismo pensante”  não funciona bem assim como a gente deseja. Tantas coisas legais já aconteceram e, ainda estão acontecendo, dignas de relatos mais detalhados que nem entro numas de fazer anotacões ou coisa parecida. Deixo simplesmente a encargo da memoria, para esta quardar em um bom lugar determinados fatos e acontecimentos... Jogar para o "cosmos"... 
Passei o ultimo mês dedicado à reforma do espaço de capoeira e quando pude escrever, não rolou clima... Sei que de repente poderei lembrar de uma  dessas coisas e escrever. Como não sou jornalista e não ganho para fazer isso, não preciso escrever enquanto as coisas acontecem. Principalmente sobre as coisas relativas à “mandinga”, malandragem e ao jogo. Temos que ter “Tempo”ao nosso lado, o senhor da razão. Ele é mestre que ensina e cura… Portanto, para finalizar essa conversa, vos digo que brevemente escreverei alguma coisa sobre a festa do dia de 2 de fevereiro de 2011 e a roda de capoeira que acontece no Nzinga. Gostaria de escrever ainda sobre o meu retorno ao mundo das “pernas para o ar” depois de um impedimento de 5 meses após cirurgia. Tenho aqui a presença de 5 nzingueiros de São Paulo que pode tambem virar um “post” hora dessas. Outra coisa que gostaria de tecer algumas considerações foram as rodas realizadas ate agora neste ano de 2011. Foram 4 até agora. Todas ótimas! Bom, vamos ver como as coisas acontecerão...