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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Jogo capoeira no Alto da Sereia...

Ontem foi um dia de festa no Nzinga. Completamos 5 anos que estamos ensinando capoeira na comunidade do Alto da Sereia. Tinha mais crianças do que as de costume. Foram muitas mesmo. Agora estamos numa fase de atrair pequenos entre 3 e 6 anos. A maioria dessas novas crianças já freqüenta o Nzinga há meses, mas dizer que eles treinam capoeira ainda não posso. Eu sei que eles estão aprendendo pelo simples conviver com a rotina de treinos e atividades. Eles ouvem e vêem todo o tempo. Volta e meia, arriscam movimentos no meio do salão, tipo Aú e ponte. Quando querem, tocam pandeiro, agogô e reco reco. São pequenas e será uma questão de tempo para esses comporem a próxima geração de crianças angoleiras do Nzinga. Na medida em que alguns da primeira leva, estão atingindo a adolescência e perdendo aquele ar angelical que toda criança tem, outros quase bebês, já nos cercam como se fossem candidatos a uma vaga na próxima "barca". Estamos na paquera pedagógica e prontos para recebe-los. Estamos lá para isso!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Comadre Onça e o Mestre gato

Mestre João Pequeno de Pastinha

Bom, esta postagem deveria ter sido postada há semanas atras. De qualquer forma, resolvi publica-la na forma do texto original, do calor da hora!
Hoje foi um dia intenso. Como disse em postagem anterior, realizamos a primeira etapa da gravação. Pela manhã, mestra Janja e Antonio (Nzinga) gravaram suas faixas. A Janja gravou uma ladainha de sua autoria e o garoto Antonio gravou uma de minha autoria, a mesma que gravei no primeiro cd do Nzinga, chamada "Corpo Fechado". A tarde, foi a vez do mestre João Pequeno e do garoto da Fundação Pierre Verger. Simplesmente emocionante! Não pensei que iria me emocionar tanto vendo mais uma vez o mestre cantar. Mais emocionante ainda foi tocar para ele fazer isso. Foi realmente um grande privilegio o que vivi agora a  tarde. Um ícone da capoeira pastiniana. O seu seguidor mais antigo e considerado pelo proprio Pastinha, como sendo um de seus "olhos", numa alusão subjetiva à continuidade da escola (CECA) após a sua morte. Um dos pupilos  do velho e saudoso mestre. O mais antigo capoeirista do mundo com mais de 70 anos de vivencia nesta arte. A ocasião se revestiu de um clima especial para mim porque ao participar daquela gravação com o mestre João Pequeno de Pastinha, para o cd que acompanha o livro da estoria "Comadre Onça e o Mestre Gato", de autoria de Carolina Cunha, senti que estava agregando valor à historia que comecei a construir há quase 30 anos na capoeiragem. No primeiro cd do GCAP - Capoeira Angola from Salvador - gravado parte aqui em Salvador, ao vivo, durante uma das históricas oficinas de capoeira que este grupo realizava, e parte nos Estados Unidos, onde teve a participação do mestre João Grande, o outro "olho" do mestre Pastinha. Para quem lembra, na foto de capa deste cd, tem os mestres Moraes, João Grande, Cobra Mansa, Manoel e eu. Não sei se na epoca ja existia o milagroso Photoshop, mas essa foto foi uma montagem. Foram duas fotos que virou uma, sacou? Coisa simples hoje em dia. Mas, rodou o mundo. Quem produziu aquele cd foi a Smithsonian, que o distribuiu pelos 4 cantos do mundo. Na verdade, gravar junto com o mestre João Grande mesmo, eu não gravei, mas estivemos juntos naquele importante disco. 
 A escritora Carolina Cunha estava junto com a gente no estudio e ficou igualmente muito honrada com tudo. No domingo, foi outro show de bola! O mestre Boca Rica desfilou elegancia no trato com as pessoas e com a sua viola afinada. Cantou tão lindamente, quanto suavemente. Foi demais! Nesta hora, fiquei de fora fazendo uma espécie de regência do coro, dando motivação e impolgação para a criançada, ao mesmo tempo em que fazia a comunicação com a mesa de gravação. O mestre Gabriel no gunga e mestra Janja no medio, completaram a trinca monocordica. Foi bom demais...!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Festa de TEMPO

Taata Mutá Imê


Agosto é um mes de intensa atividade cultural na cidade de Salvador. Falo da cultura negra em suas varias expressões, com destaque para o candomblé. No proximo sabado haverá festa de Tempo na Casa dos Olhos de Tempo Que Fala da Nação Angolão-Paketan, aos cuidados do Taata Kwa Nkisse Mutá Imê. Aos leitores interessados nesta festa, façam contato. Em varios outros terreiros haverão homenegens à Tempo. Em Cachoeira, no recôncavo baiano, reduto forte de varias manisfestações culturais de origem africana, com destaque para o candomblé, capoeira, samba de roda e samba chula, acontecerá neste fim de semana a famosa festa de Nossa Senhora da Boa Morte. Para quem estiver por aqui, este evento é imperdivel. O mestre Valmir está organizando a saida de um onibus direto para lá, onde haverá uma roda de capoeira angola e em seguida, as pessoas poderão desfrutar da riqueza que é aquele lugar. No final da tarde, o retorno para a capital. Ja fui algumas vezes nesse onibus da Fica. É divertido demais! Agosto tambem tem festa no nosso terreiro. No proximo dia 18, completo 50 anos. Voces estão convidados para a festa, levem frutas e bebidas.  Nesse mesmo dia,  completam 5 anos que estamos na comunidade do Alto da Sereia. Isso quer dizer que o trabalho que desenvolvemos com as crianças de lá tem esse tempo. Vamos dizer que iniciamos uma jornada. Com quantas chegaremos no meio dessa jornada? Imaginem quantos desses jovens estarão comigo no avançar de minha velhice? Contarei muitas alegrias certamente... Quando semeamos, é sempre para ver a semente germinar e crescer.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Nzinga 15 anos









Nos dias 30, 31 e 1° de agosto, o Grupo Nzinga de Capoeira Angola realizou na cidade de São Paulo, evento comemorativo de seus 15 anos de existência. Os mestres Valmir, Jaime de Mar Grande, Plínio e mais as mestras Janja, Paulinha e eu, fomos os oficineiros de plantão. Ainda tivemos o mestre da cultura popular Tião Carvalho com o workshop de Danças Brasileiras e mais o Taata Dya Nkisse Mutá Ime com a aula de dança de Nkisse. Tinha lá também um grupo de discípulos nzingueiros afinados na orquestração dos afazeres para que tudo transcorresse da maneira mais leve possível. Bom, com esses ingredientes, já dá para ver que foi um evento maravilhoso e cheio de emoções. Daqueles inesquecíveis mesmo! Pelo olhar de mestre que também sou deste grupo, senti-me muitas vezes orgulhoso pelos resultados obtidos nesses primeiros quinze anos. Resultados esses que podem ser percebidos nesses discipulos principalmente no modo de se colocarem perante o outro e o coletivo. A cidade de São Paulo, onde o Nzinga foi fundado, estava com seu friozinho característico e até isso foi legal! Levamos para lá, nada menos que 9 dos jovens e crianças que fazem capoeira com a gente no Alto da Sereia, em Salvador: Iolanda, Bruna, Leo, Bebe, Vinicius, Antonio, Anderson, Anthony e Marquinhos. Alem das presenças de Fulaninho, Fernanda, Fabiana,     Diego, Ana Pi, Ligia e Jon. Em outras palavras, a delegação do Nzingasalvador foi a maior representação de fora de São Paulo.
  Pensem na repercussão que uma viagem como essa tem na comunidade. Hoje mesmo estive pela manhã visitando as famílias de algumas crianças do nzinga para relatar um pouco da experiencia da viagem e encontrei todo mundo muito feliz e satisfeito com o rumo que a vida daqueles jovens e crianças estava tomando. Ainda brinquei dizendo que a próxima viagem vai incluir tambem as mães desses. Uma delas tratou logo de dizer que tem medo e jamais vai viajar de avião, mas acho que quando se aproximar a hora, isso pode ser revertido. Ainda andando pelo Alto da Sereia, fui abordado por duas jovens que disseram que entrarão na capoeira amanhã. Certamente já movidas pela repercussão da viagem das outras. Sempre depois que acontece alguma viagem ou algum passeio do grupo, a demanda aumenta consideravelmente com muitas crianças se apresentando para integrarem o grupo. Com o decorrer dos dias, algumas vão se evadindo, mas sempre fica um ou outro, e assim a gente vai lentamente crescendo e formando o "nucleo duro"que todo grupo tem. Paciência é uma virtude necessária para vivenciar esse tipo de atividade. Quem trabalha  na tradição, trabalha com a esperança... 
Apesar de não ter estado nas minhas melhores condições físicas durante o evento, me senti feliz pelas pessoas que conseguimos reunir em torno da causa que nos une, a capoeira angola. Foram 4 dias de alegria e compromisso com a tradição !