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domingo, 5 de outubro de 2008

Olha é tu que é muleeke!

Há muito tempo que eu pensava em escrever sobre o trabalho com as crianças lá do Nzinga. Bom, começou quando em agosto de 2005 nos mudamos do Idearium para o Alto da Sereia. Depois de alugado o espaço, enquanto eu e Val(gaiver) fazíamos a reforma do salão, um garoto chamado Rodrigo, hoje conhecido como Bebê, foi lá saber se poderia treinar com a gente por que tinha ouvido que teria capoeira e que gostaria de participar do grupo. Eu expliquei por alto o que seria capoeira angola e que ele seria bem vindo. Os trabalhos de reforma foram até o dia 15. Como o dia 18 de agosto é o meu aniversario, resolvi então fazer a inauguração neste dia tambem. A noticia da festa se espalhou ligeiro. Tanto para os amigos capoeiristas quanto para a meninada e comunidade em geral. Foi uma presença marcante a deles! O mestre Cobra Mansa foi outra celebridade que apareceu na inauguração da Nzo a Longo (Casa de Aprendizagem). Poucos dias depois, eu e Lígia fomos na Escola Municipal Ana Neri, que fica de frente com Nzinga, para apresentar e falar da proposta do grupo. Fomos bem recebidos pela diretora que ficou agradecida pelo convite que o Grupo Nzinga foi lá fazer a todas as crianças da escola. Eu pedí permissão a ela para visitar cada sala de aula e convidar pessoalmente as crianças. Permissão concedida! Em cada sala que entramos, fizemos varias brincadeiras legais com as crianças antes de fazer o convite propriamente dito. Não tinha noção da loucura que estava fazendo naquele momento mas, foi feito o convite. Os dias que se seguiram foi uma verdadeira agitação no Nzinga. Bombou geral! Apareceram umas quarenta crianças para a atividade. A mestra Janja ainda não tinha voltado para a Bahia e a mestra Paulinha assoberbada de trabalho na universidade não podia me socorrer naquela hora. Foi pauleira principalmente no começo, antes de conseguirmos estabelecer as primeiras regras de convivencia. Depois de algumas semanas, muitos arrefeceram o impeto de aprender as malandragens da capoeira e deixaram de frequentar a Casa de Aprendizagem. Ficaram uns 20, que era o que nós inicialmente poderiamos dar conta mesmo. "Deus sabe o que faz"! O importante é que ficaram muitos para formar o "nucleo duro" de crianças e que deram continuidade ao processo. Hoje, 3 anos depois, posso dizer que eles são famosos no mundo da capoeira e são a principal força que move o grupo neste momento. O protagonismo é totalmente infanto-juvenil. Cada criança é uma "entidade" com personalidade forte e com perfil definido. Me vem logo à cabeça a imagem de Ricardinho, 7 anos, que é mais malandro e sério ao mesmo tempo, do que muito marmanjo com anos de experiencia na capoeiragem. Filho de Hoji, retado. Não come nada de ninguem! Tem Bruna,11, mandingueira zelosa do bem estar de todos. A cada dia que passa, ela adquire mais e mais manhas, ao mesmo tempo em que assume mais responsabilidades, sendo a única representante das crianças que possui a chave do espaço. Léo, 13, angoleiro de grande valor é também o nosso xicarangoma de plantão. Temos aprendido juntos muitas coisas. Vinicios,11, tambem totalmente dedicado à causa angoleira e dificilmente falta a uma aula de capoeira. Bebê,12, angoleiro de valor que quebra bonito quando toca uma violinha afinada. É um guerreiro nato, quase certo que seja filho de Hoji. Rafael, 12, muleeke mandingueiro e macumbeiro. Tem aprendido a bater nos couros com a ajuda de Léo. Marquinhos, 10, muleeke esperto e jeitoso para as mandingagens. Temos o Yuri, 10, muleeke descolado que tem o molejo do funk, do samba e da capoeira angola. Imaginem se leva jeito? Tem tudo para ser mais um desses capoeiras que dá gosto de ver em ação. Tem Janete, 12, figura pequena mas de grande valor que está temporariamente afastada das atividades por ser marrenta demais. A maioria desses que acabei de citar, fazem parte da primeira "barca" de Crianças do Nzinga, o núcleo duro.

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