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sábado, 6 de novembro de 2010

O Pelé da Capoeira é 10!

Ontem a noite, fui acompanhado por Paulinha para o lançamento do livro sobre a vida do mestre Pelé da Bomba. O evento aconteceu no Forte de Santo Antonio Além do Carmo, mesmo lugar onde durante 15 anos tive a chance de aprender um pouco de capoeira angola com os mestres Moraes, Joäo Grande e Cobra Mansa. A capoeiragem baiana esteve bem representada, tanto de angoleiros como de regionais. Uma quantidade enorme de novos mestres, que a gente näo conhece bem, mas que dá para saber que estäo na linha de frente da projetos sociais e engajados na luta pelo reconhecimento dos valores africanos na nossa historia. Gente que faz de verdade! A noite estava belissima e o mestre Pelé inspirado. Aquele é o que a gente pode chamar de "figura". Impossivel näo dar boas gargalhadas com ele. Ele tem o dom de fazer a gente rir.
Comecei a treinar capoeira num tempo em o mestre näo tinha tempo para ensinar a pessoas que realmente näo fossem fazer daquela aprendizagem uma estrada para a construcäo de um caminho de respeito e compromisso com tudo que envolve o universo angoleiro e das africanidades. A cada dia, conquistávamos o direito de continuar pertencendo ao grupo, e para isso era necessario fazer pela causa. Nao havia lugar para fazer terapia. Os tempos eram da sobrevivencia da arte. As coisas nem sempre eram agradaveis, mas tinham que ser realizadas, e era isso que nos credenciava a ficar. E por isso ainda, podiamos fazer sugestöes e opinar nas decisöes. Enquanto o "nucleo duro" resistia fazendo, muitas pessoas talentosas chegavam ao grupo e näo eram tocadas pelos valores envolvidos naquela causa e terminavam por ter que seguir os seus destinos. Näo é a toa que da primeira "barca" do GCAP aqui em Salvador, tenha dado origem a tantos trabalhos de qualidade reconhecida pela comunidade capoeiristica mundo afora. Voltar ao Forte, é voltar à 'Fonte'. Fiquei com um sentimento de saudades: dos ensaios do Ilë Ayë; de ver Lourimbau construindo seus berimbaus altamente exclusivos; do salao do Gcap; de ver Jorge Watusi e Cafuné ensaiando as suas coreografias magicas;  de ouvir o Sr. Rodolfo Coelho Cavalcanti cantando a sua literatura de cordel; das festas dos Negöes e das rodas do mestre Joao Pequeno, Jogo de Dentro, Filhos de Angola. Ë Tempo Zará Tempo!
"Na minha Aldeia gira o sol
Tambem gira a lua,
Ai que TEMPO é esse meu Deus!"

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