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domingo, 22 de março de 2009

Tradição e Filosofia!






No dia 12 de março, quinta feira, fui ver o lançamento do livro “Mestre e Capoeiras famosos da Bahia”de autoria do professor Dr. Pedro Abib, da Faculdade de Educação da Ufba e, tambem aluno do mestre João Pequeno de Pastinha. Não pude deixar de notar a ausência dos velhos mestres, inclusive retratados neste livro. Mestre João Pequeno, mestre Boca Rica e mestre Pelé da Bomba estavam lá.


Mesmo sem ainda ter lido o livro de Pedro, sei que se trata de um documento importantíssimo para a historia da capoeira pois, estão lá, os nossos heróis, personagens que já passaram por esta vida e que nós não sabemos absolutamente nada de suas trajetórias na capoeiragem, e de outros que já se foram mas, felizmente tivemos a oportunidade de conviver com eles em algumas ocasiões.
Lembro-me de quando no inicio de janeiro deste ano, fui assistir tambem no Forte de Santo Antonio, ao lançamento do dvd sobre a vida do mestre Pelé, e lá também não tinha um mestre antigo sequer. Nem mesmo os que normalmente tem os seus espaços dentro daquele forte foram lá prestigiar este evento. O próprio mestre me confidenciou que estava sentido com aquilo... Nestas situações, nós, da nova geração da capoeira angola, sentados humildemente nas filas posteriores de cadeiras, guardando exatamente o lugar dos "velhos mestres", somos requisitados temporariamente para compor o staff de convidados do evento. É importante também, porque assim como nós estamos entrando na fase adulta admirando e respeitando os “seniors”, tem os que estão nascendo e os que estão na primeira infância e que precisam ver todos os anteriores para que, sob amplos horizontes, cresçam. Claro que também é importante para os mais velhos assistirem e acompanharem, mesmo que seja à distancia, a trajetória e caminhos dos mais novos, para que possam reconhece-los no futuro enquanto angoleiros. Estou falando aqui de Tradição na Capoeira Angola. Apesar de ter afirmado acima que sou apenas um jovem na capoeira, já deu de ver muitas coisas que no começo não dava nem para imaginar. Por exemplo, aluno de um determinado grupo ser coordenador de grupo, aqui ou em qualquer lugar, jamais! Nem pensar numa coisa dessas! Hoje, quase 30 anos depois, não passa de uma coisa trivial, inclusive no berço sagrado da capoeira, onde nascem os camaradas... Tudo bem, tudo bem! Para quem foi quase extinta como foi a Capoeira Angola, o momento era e ainda é de expansão, mas por outro lado, tenho receio de cair na ideia maquiavelica de “os fins justificarem os meios” e isso não pega bem, e se não pega bem, pega mal. A Filosofia Pastiniana quase que é completamente desconhecida. Hoje em dia, é importante que nos reportemos muito mais à sabedoria do velho Pastinha, para tentar fazer e ensinar a capoeira angola que ele preconizou , e que por isso até foi discriminado na época, principalmente pelo que propôs no plano conceitual. Que é onde acho que existem as maiores duvidas das varias escolas de capoeira. Principalmente se pensarmos que o numero de golpes na capoeira nem é tão grande assim. Natural será achar que os golpes são a parte mais fácil desta arte angoleira e é isso que os alunos que assumem as responsabilidades de coordenar núcleos pelo mundo afora tem feito. Uns com muito mais competência que outros por terem convivido mais tempo com os seus mestres e terem acumulado mais fundamentos da filosofia do jogo. Nesse aspecto, os casos de alunos estrangeiros desempenhando esse papel amplia a problemática, pois alguns nunca sequer vieram aqui na Bahia ou no Brasil , para dar sentido às varias coisas aprendidas nesse universo capoeiristico, impregnado pelo modo ver o mundo da cultura africana, ao mesmo tempo em que teêm dificuldades de querer aprender a serem pequenos antes de querer aprender a serem grandes. O que vemos então, no exterior, é uma supervalorização do aspecto marcial em detrimento de vários outros aspectos contidos nas amplas e numerosas definições de capoeira angola.
Ouvi certa vez do mestre João Grande que "a capoeira é de quem quer aprender, mas tem que merecer". Nada vem de mão beijada...

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