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sábado, 29 de maio de 2010

Discipulo que aprende?

No inicio deste ano, um dos mais tradicionais grupos de capoeira angola de Salvador, e portanto, um dos mais importantes do mundo, o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho realizou evento para, entre outras coisas, lançar mais um cd com os canticos tradicionais da capoeira angola, na voz do mestre Moraes, que no ultimos anos vinha sendo o unico mestre do grupo. Digo isso por que durante este evento, um de seus alunos de nacionalidade japonesa, foi "feito" mestre. Lembro-me que naqueles dias, a comunidade capoeiristica baiana ficou um tanto quanto perplexa pelo fato do rapaz ser um "estrangeiro". Fato que na minha opinião não se reveste de nenhuma anormalidade, pois a partir do momento em que esse e muitos outros mestres se propôem a ter nucleos de seus grupos no exterior, é porque tem consciencia da semente que podem plantar. Ninguem semeia pensando nas sementes que não irão vingar. E essa vingou! Parabens a ele e ao mestre que o ensinou. É claro que esse jovem japones carrega uma responsabilidade enorme em suas costas, ja que é um dos rarissimos mestres formados por este tradicional grupo de capoeira. Eu não o vi jogando para emitir opinião sobre o seu jogo, portanto deixo essa tarefa para quem teve esse previlegio. Se pensar na qualidade de outros mestres formados por aquele que o formou, é claro que a expectativa é positiva.  É cada vez maior o numero de capoeristas estrangeiros assumindo cargos dentro de grupos de capoeira mundo afora. O mestre João Grande certa vez disse que a capoeira era de quem queria aprender... 
Isso hoje em dia é coisa normal, mas quando comecei na capoeira no inicio da decada de 80, uma ideia como essa parecia coisa intangivel. Penso nas palavras do velho Pastinha: "A capoeira está para todo mundo, mas nem todo mundo está para a capoeira", para lembrar de quantas pessoas talentosas vi entrar na capoeira e passarem como um verdadeiro furacão, deixando ao sairem, a clara sensação do desperdicio que era uma pessoa como aquela não ter ficado para sempre no mundo da capoeira. A roda da vida tratou de puxa-las para outros lados, em nome de todos os motivos. Com muitas pessoas vi acontecer isso. Uma pena! Mas, por outro lado, alguns sempre ficam, por todos os motivos. E a historia é escrita por esses...

2 comentários:

Camilla disse...

encontre um mundo, uma nova pessoa em mim na capoeira, jamais crei ter tanta força e energia.
sento que devo continuar aprendendo e desenvolvendo...mas esou longe da gente e dos mestres, na minha terra ainda nao chego...e sozinha è dificil avanzar

Yêda Maria disse...

Poloca,
Confesso que senti um estranhamento quando me deparei com vários estrangeiros no Nzinga. "Aqui tem mais gringos do que brasileiros, cadê o povo preto?" Este foi um dos comentários feitos por uma colega em uma das visitas ao grupo. Não sou extremista, porém senti uma angústia enorme ao perceber que o nosso povo, em sua maioria, fica a parte da tradição africana e afro brasileira devido ao processo de negação, implantado em sua gênese pelo invasor "colonizador" europeu e disseminado pela hegemonia branca, racista ao longo da história do Brasil.
Aí, na atualidade vem os europeus, norte americanos, etc. por estarem mais informados, talvez e se apropriam daquilo que é nosso por excelência.
Ainda muito pequena quis fazer capoeira, mas o machismo e os costumes de uma família cristã católica me impediram. Cresci expropriada da cultura e do legado dos meus ancestrais. Hoje sou mulher e ainda estou a buscar a minha herança, meu legado, ainda tenho muito que resgatar.