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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Nzinga 15 anos









Nos dias 30, 31 e 1° de agosto, o Grupo Nzinga de Capoeira Angola realizou na cidade de São Paulo, evento comemorativo de seus 15 anos de existência. Os mestres Valmir, Jaime de Mar Grande, Plínio e mais as mestras Janja, Paulinha e eu, fomos os oficineiros de plantão. Ainda tivemos o mestre da cultura popular Tião Carvalho com o workshop de Danças Brasileiras e mais o Taata Dya Nkisse Mutá Ime com a aula de dança de Nkisse. Tinha lá também um grupo de discípulos nzingueiros afinados na orquestração dos afazeres para que tudo transcorresse da maneira mais leve possível. Bom, com esses ingredientes, já dá para ver que foi um evento maravilhoso e cheio de emoções. Daqueles inesquecíveis mesmo! Pelo olhar de mestre que também sou deste grupo, senti-me muitas vezes orgulhoso pelos resultados obtidos nesses primeiros quinze anos. Resultados esses que podem ser percebidos nesses discipulos principalmente no modo de se colocarem perante o outro e o coletivo. A cidade de São Paulo, onde o Nzinga foi fundado, estava com seu friozinho característico e até isso foi legal! Levamos para lá, nada menos que 9 dos jovens e crianças que fazem capoeira com a gente no Alto da Sereia, em Salvador: Iolanda, Bruna, Leo, Bebe, Vinicius, Antonio, Anderson, Anthony e Marquinhos. Alem das presenças de Fulaninho, Fernanda, Fabiana,     Diego, Ana Pi, Ligia e Jon. Em outras palavras, a delegação do Nzingasalvador foi a maior representação de fora de São Paulo.
  Pensem na repercussão que uma viagem como essa tem na comunidade. Hoje mesmo estive pela manhã visitando as famílias de algumas crianças do nzinga para relatar um pouco da experiencia da viagem e encontrei todo mundo muito feliz e satisfeito com o rumo que a vida daqueles jovens e crianças estava tomando. Ainda brinquei dizendo que a próxima viagem vai incluir tambem as mães desses. Uma delas tratou logo de dizer que tem medo e jamais vai viajar de avião, mas acho que quando se aproximar a hora, isso pode ser revertido. Ainda andando pelo Alto da Sereia, fui abordado por duas jovens que disseram que entrarão na capoeira amanhã. Certamente já movidas pela repercussão da viagem das outras. Sempre depois que acontece alguma viagem ou algum passeio do grupo, a demanda aumenta consideravelmente com muitas crianças se apresentando para integrarem o grupo. Com o decorrer dos dias, algumas vão se evadindo, mas sempre fica um ou outro, e assim a gente vai lentamente crescendo e formando o "nucleo duro"que todo grupo tem. Paciência é uma virtude necessária para vivenciar esse tipo de atividade. Quem trabalha  na tradição, trabalha com a esperança... 
Apesar de não ter estado nas minhas melhores condições físicas durante o evento, me senti feliz pelas pessoas que conseguimos reunir em torno da causa que nos une, a capoeira angola. Foram 4 dias de alegria e compromisso com a tradição !

3 comentários:

Anderson Lopes disse...

Esse evento mostrou um pouco sobre a Capoeira que não é jogada fisicamente. A "extenção da luta", propagada e defendida por nós do Grupo Nzinga faz com que a mente, por vezes, jogue mais do que o corpo.
Ngunzo

Anderson Lopes disse...

Esse evento mostrou um pouco sobre a Capoeira que não é jogada fisicamente. A "extenção da luta", propagada e defendida por nós do Grupo Nzinga faz com que a mente, por vezes, jogue mais do que o corpo.
Ngunzo

Yêda Maria disse...

O compromisso do Nzinga com a tradição angoleira é inquestionável. A inserção dessas crianças e adolescentes no grupo permite que a chama da ancestralidade africana e afrobrasileira permaneça acesa. Pude comprovar em algumas falas dos integrantes a auto estima e o orgulho de serem negras e negros,derrubando as barreiras sociais e se posicionando politicamente frente ao preconceito e ao racismo.
Êa Povo Preto!