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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

NZINGA MAPUTO


Comecei o ano pisando em solo sagrado da Casa dos Olhos de Tempo que fala da Nação Angolão Paketan, portanto, em família. Rezamos, louvamos, cantamos, dançamos, comemos e bebemos. Foi-se a noite do réveillon até as 4 da matina. Fogos de artificio só o adrianino de 12 tiros, tipico para anunciar ao longe alguma macumba. Foi uma sexta feira perfeita! Dois dias depois estaria seguindo para o continente africano, mais precisamente em direção a Maputo, capital de Moçambique. Lá, fui participar do 1º Festival do Xitende, evento idealizado pelo Grupo Nzinga Maputo e realizado em parceria com o Centro de Cultura da Provincia, o equivalente ao que temos aqui como Secretaria de Cultura do Estado. Dentro deste festival, aconteceu o nosso evento de capoeira: “CHONGA MANDINGA”, que recebeu o incentivo do Ministério da Cultura do Brasil, que financiou as passagens aéreas para 3 integrantes do Nzinga SP e os 3 mestres do Grupo Nzinga em Salvador. Na hora “H”, a mestra Janja ficou impossibilitada de fazer essa grande viagem conosco, por conta de compromissos relativos ao departamento na qual é uma das dirigentes na Faculdade de Educação da UFBa. A delegação que viajou foi formada por mim e a mestra Paulinha, e mais os treineis Daniel, Manoela e Denis, do Nzinga São Paulo. Juntamo-nos lá, ao treinel Limaverde, que coordena há 1 e meio o núcleo Nzinga em Maputo e que possui aproximadamente 20 jovens e adolescentes. O 1º Festival do Xitende foi amplamente divulgado, com entrevistas em FM, vários jornais e televisão em horário nobre. Fizemos apresentação da Orquestra de berimbau em via publica, em frente ao Centro de Cultura na capital. Momentos antes, apresentaram-se os tocadores de Xitende. Momento mágico, quando a platéia começou a contribuir com o show, através de danças e aleotrias. O Xitende é uma espécie de arco musical, parente próximo do nosso berimbau, e que é muito tradicional em Moçambique. O problema é que está caindo em desuso. Os jovens mal conhecem as historias acerca desse instrumento ancestral. Com o berimbau aqui no Brasil, quase aconteceu o mesmo. Tambem estava sendo cada vez mais esquecido, ate que ressurge juntamente com a capoeira na Bahia. Fomos convidados também para visitar a província de Xai-xai, que fica há umas duas horas de carro ao norte de Maputo. Famosa por suas belas praias. Fizemos essa viagem em uma van com 16 lugares, onde alem da galera da capoeira, tinha a Diretora Amelia, do Centro Cultural e alguns funcionários. Havia ainda três jornalistas de veículos de comunicação diferentes, que estavam ali para fazer a cobertura jornalística daquela jornada cultural. Em Xai-Xai, fomos recebidos pelo Diretor do Centro Cultural e mais o seu staff no salão nobre do Centro que naquela oportunidade estava sendo reinaugurado, depois de passar por grande reforma. Um local importante dentro da sociedade de Xai-Xai. Após o cerimonial interno, saímos a porta do prédio para executarmos os temas da orquestra de berimbaus e depois fazermos uma roda de capoeira, onde incluiríamos um pequeno grupo de capoeira regional que estava a nos esperar para as celebrações. Foi muito bonito esse momento. Formou-se uma pequena multidão. Os olhos curiosos quase saltando da cara! Dava para ver que aquilo era diferente aos olhos daquelas pessoas. Foi um encantamento! Primeiro mostramos um pouco do nosso trabalho com a Orquestra de Berimbaus, mostrando inclusive a novidade que é a musica Tiene Pamosi, que é uma musica resgatada na revolução moçambicana. É cantada com palavras em varias línguas locais, exatamente para unir os soldados de varias etnias na guerra contra o inimigo português. O sentido da letra da musica quer dizer que: juntos somos invencíveis, juntos somos fortes! Foi muito forte ver aquelas pessoas cantando a musica, como se tivessemos ensaiado para aquilo. Foi demias!Para os que acompanham a trajetória do Grupo Nzinga, conhecerão essa musica em breve, através do nosso segundo CD que será lançado nas comemorações dos 15 anos do Grupo Nzinga, que acontecerão em meados de 2010. Resumindo: Gostei muito das coisas que vi em Moçambique. A facilidade na comunicação através da língua portuguesa foi um diferencial. Fiquei perplexo também pela facilidade que os jovens possuem para aprender a capoeira, toques e aleotrias. As mandingagens próprias da capoeira angola, não lhes parecem estranhas, ao contrario do que acontece com povos de outras partes do mundo. Enfim, foi muito positivo poder conviver por tantos dias seguidos com os nossos treineis e um prazer muito grande poder conhecer o trabalho que o treinel Limaverde tem realizado em Maputo. Faço esse rápido relato de viagem para renovar a intenção de compartilhar com os leitores deste blog , as experiências e impressões a respeito da capoeira, e portanto, da vida. Depois relato como foi o dia em que vi a porca torcer o rabo no Parque Kruger... até a próxima!

Um comentário:

Poloca disse...

Limaverde, o quer dizer mesmo CHONGA MANDINGA:interrogação