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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Salve Jorge!


Sou de uma familia de 12 irmãos. Sou o 9º na escala decrescente. Sei a data de aniversario de apenas alguns. Sou bom em nomes,tanto que sei os nomes delas e deles todos, mas em datas já não sou tão bom assim. Falo disso para contar uma pequena historia a respeito do dia da primeira aula aqui em Salvador. Era uma terça feira. Me lembro bem que estavam lá Christine Zonzom, Adriana e talvez uma ou duas pessoas mais. A sala que usamos no primeiro ano e meio, ficava no terraço da casa de minha irmã Petinha(não me lembro a data do aniversario dela). Era uma sala decente, porém ficava num bairro classe media bem fora de mão e que dava o maior trabalho para chegar lá, apesar de ser proximo da orla para quem chegava de carro. Tinha-se que caminhar muito da orla ate lá ou então esperar longo tempo pelo ônibus que parava praticamente na porta do espaço. Então, neste dia, 23, voltava eu da aula, exultante pela inauguração do Proto-Nzinga em Salvador. Sem lembrar que aquele era o dia de S. Jorge, pensava enquanto dirigia que talvez fosse uma boa ideia colocar como a data de fundação o dia 22 de abril, dia do descobrimento do Brasil. Cheguei a lamentar o fato de não ser feriado. E fui viajando nestas besteiras em direção à casa de Teresa, minha mãe (01/10/29)que fica no fim de linha do bairro popular do Engenho Velho de Brotas. Aconteceu que quando estava chegando lá, tava o maior foguetorio do mundo e muitas pessoas na rua festejando. Aí a ficha caiu e eu caí na real! Fui obrigado por forças maiores que as minhas a estacionar o carro no Largo e participar dos festejos. Encontrei com alguns amigos dos tempos dos babas e bebemoramos aquele momento e aquele dia. Salve Jorge!
As nossas primeiras rodas aconteceram lá muito por causa da ajuda da FICA, que comparecia em bloco. O pessoal do Zimba dava umas passadas lá. Digamos que tenha sido um periodo dificil. Bom, mudamos para o Idearium no segundo semestre de 2003 e ficamos lá até o segundo semestre de 2005. O Idearium fica exatamente em frente à igreja de Santana e da Casa de Yemanjá no Rio Vermelho. Tinhamos vista para o mar e muitas janelas. O salão era mais espaçoso que o do STIEP. Estavamos literalmente aos pés da Sereia e dentro da muvuca da noite do Rio Vermelho, a mais quente da cidade. Foram tempos melhores. Lá era caminho para todos os lugares e a frequencia aumentou substantivamente. Fizemos o duplo lançamento da revista Toques D'Angola sobre o Antirracismo e sobre a Africa, com as presenças dos Mestres Pelé, Gildo Alfinete, Cobra Mansa, Jurandir e com a casa totalmente lotada. Recebemos a visita do mestre João Grande por duas vezes. Fizemos forrós e rezas de Santo Antonio. O que tinha de problemas lá é que era um espaço de festas e de bar. Espiritualmente falando, não era o melhor lugar. Antes de mudarmos para o Idearium, procurei sala no Alto da Sereia e achei a que hoje temos, só que estava alugada para uma academia de musculação, dessas bem populares. Falei com o dono da sala, Cacareco, que se algum dia a academia saisse, que era para ele me ligar que eu sairia na hora de onde estivesse para ir para lá, pois a ideia de atuar em comunidade era uma meta. E assim foi. Tudo se encaixando e se encadeando de modo que fomos parar onde estamos agora. A Nzo a Longo Ngola, tem sido a casa de aprendizagem para muita gente: os adultos e as crianças da comunidade do Alto da Sereia. Pois é, na semana passada completamos 7 anos de vida em Salvador, na quinta 23. Fizemos mais uma roda cheia de beleza e encantos, seguida por uma festinha basica regrada a forró e muita criança dançando. Em nossas festas, não sei quem dança mais, se as crianças ou adultos. É uma duvida sadia! A qualidade de nosso trabalho foi amplamente reconhecida por quem é do meio e as nossas crianças e jovens viraram nosso principal estandarte. Na Nzo a Longo Ngola, tivemos a honra de receber novamente o mestre João Grande. Pelo quarto ano seguido, fazemos uma grande roda de capoeira no dia 2 de fevereiro, reunindo grande numero de mestres e de capoeiristas, seguido de cortejo do Balaio até a casa de yemanjá para de lá seguir para o mar. Temos tido muitas alegrias e o reconhecimento da comunidade.
Finalizo com a Oração para São Jorge:
Eu ando vestido com vossas armas para que
Meus inimigos, tendo pés, não me alcancem.
Tendo mãos, não me peguem
Tendo olhos, não me enxerguem,
E nem pensamentos possam ter
Para me fazerem mal,
Armas de fogo meu corpo não alcançarão
Facas e lanças se quebrem
Sem ao meu corpo chegar
Cordas e corrente se arrebentem
Sem o meu corpo amarrar.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus,
Estendei vosso escudo e
Vossas poderosas armas
Defendendo-me com vossa força e grandeza!


Salve Jorge!

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