segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
A sexta Roda
Foi a roda da ressaca do carnaval. Foi uma roda simples e carregada de boa energia. Tivemos a presença de alguns visitantes. Transcorreu de maneira tranquila e com um repertório musical bem diversificado, onde eu, a Janja e a Paulinha pudemos nos revezar nos cânticos, donde resgatamos alguns que nunca mais havíamos cantado. Depois da roda fomos tomar uma cervejinha na Vila Matos, na barraca do Edinho. A Paulinha havia levado uns salgadinhos chamados “rabo de tatú” que fizeram muito sucesso. De lá, seguimos para o Samba Butequim que naquele dia estava se apresentando no Largo de Santo Antonio. Chegando lá, vimos o largo totalmente ocupado pelos apreciadores da arte. Estiveram lá algumas figuras conhecidas. Meu irmão Gereba também marcou sua presença fazendo uma pequenina homenagem ao grande Luiz Gonzaga, no ano de seu centenário. Salve o velho “Lua”!
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Corpo fechado, alma blindada
"Quem não pode com mandinga, não carrega patuá”. Esse ditado me induz pensar que uma pessoa mandingueira carrega quase sempre o seu patuá. E, como um pensamento puxa outro, para alguém ter um amuleto ou patuá é necessário que acredite em determinadas coisas. Algumas pessoas não conseguem acreditar em coisas que não entendam, e muitas vezes são coisas que escapam mesmo dos braços da razão. Imagine isso! Como explicar? Razoavelmente acham que isso é mito. Cuidar da roupa branca dias antes de usa-la em uma roda de capoeira, prepara-la desde a lavagem com as folhas certas, a goma de ingomar, a alfazema, o dandá, as contas, dedicar os pensamentos certos, cantar a musica certa para fazer essas coisas...eram fundamentos básicos na capoeiragem de outrora. Além ainda, de não poder fazer “determinadas" coisas no dia em que a peleja é dada como certa. Segundo a lenda, a combinação de fatores que ajudaram a derrubar o grande Besouro Preto foi o álcool, o sexo, faca de ticum com outras rezas. Coisas que de maneira nenhuma são estranhas à maioria de nós. Mas como pode ser? Bom, penso que tudo tem a sua hora e sua vez... Cada pessoa tem o seu “cosmos” e deve se harmonizar com ele para que as suas escolhas sejam certeiras e o futuro aponte para o sucesso. Certas visões conceituais são mais importantes do que as vezes pensa a nossa vã filosofia. Pensar que só será possível saber se o caminho escolhido foi certo ou errado algumas décadas depois é um exercício difícil. É necessário muita convicção! Alguns desses princípios são ancestrais e não deve haver dúvidas em segui-los.
Para mim faz sentido crer em certas “lendas” e tudo que quero e espero é que a minha vivência dê sentido às minhas crenças. E vice versa. Acreditar faz parte da nossa essência!
Para mim faz sentido crer em certas “lendas” e tudo que quero e espero é que a minha vivência dê sentido às minhas crenças. E vice versa. Acreditar faz parte da nossa essência!
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Mudança do Garcia
Na segunda feira de carnaval todos os caminhos sempre nos levam para a Mudança do Garcia. A irreverencia é explícita. Saio seguindo o Grupo Gia, o primeiro bloco coberto da Bahia. Nenhum bloco em Salvador oferece sombra para os seus integrantes. Só o Grupo Gia. Chegará o dia em que oferecerá além da sombra, tambem a água fresca. E seguimos cortejo na contra-mão... todos vindo e nós indo! Quando pareceu facil, voltamos e seguimos o fluxo oficial. Quando a maré era alta, a gente se recolhia nas beiradas. Quando era suave, a gente encarava e passava assim mesmo. Piriguete a 3 por 5 reais, tal qual na festa do Bonfim e Iemanjá. Cheguei a comprar de 4 por 5 reais, mas tinha uma conversa a ser travada antes da negociação. Quando fui bem na conversa, levei 4, outras vezes, levei 3. Quem conhece o Grupo Gia sabe que tudo pode acontecer em termos de criatividade e improviso. Uma das coisas que mais me impressiona é o estandarte amarelo sem inscrição ou imagem. É lindo! Liso e amarelo. Não posso dizer que é em branco porque é em amarelo, liso. No ano passado teve uma coisa muito legal que foi a bicicleta que gerava energia para ativar o sistema de som e que qualquer pessoa podia colaborar com umas pedaladas para carregar a bateria. Este ano teve um outro sistema, acho que com bateria de carro. Quando descarregou, os microfones foram abandonados e ficamos com a potencia dos nossos gogós. Faz parte também! Foi legal poder dar esse gás com a multidão! Isso é carnaval.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Camarote Universitario
Hoje a festa foi no camarote universitário em ondina. Projeto mantido pelo sindicato de servidores técnicos administrativos da Universidade Federal da Bahia, do qual sou um de seus associados. Esse camarote fica defronte a outros bem mais badalados e caros, mantidos pelos grandes hotéis e pessoas famosas. De lá pude ver todas as grandes estrelas passando com seus trios elétricos poderosos, fazendo tremer o chão e os nossos tímpanos. Foi mais uma noite gloriosa e cheia de alegria.Ví muitos milhares de pessoas juntas e não ví nenhuma confusão. Só Alegria!
sábado, 18 de fevereiro de 2012
O RODANTE
Ontem à noite fui brincar carnaval no bairro do Santo Antonio Além do Carmo, seguindo a folia do bloco carnavalesco “O Rodante”, cuja a concentração foi na Praça dos 15 mistérios. Estavam lá muitos amigas e amigos queridos. Rodamos pelas principais artérias do bairro sob as bençãos da alegria. A “piriguete” estava de novo na promoção: 3 por 5 reais. As fantasias estavam “profissas”... Impossivel não lembrar dos 15 anos em que treinei no GCAP, no forte da capoeira, onde pudemos circular e conhecer todas as “quebradas" do bairro, num tempo em que a ocupação era feita por pessoas simples e modestas, ao contrario de hoje, que é principalmente feita por estrangeiros endinheirados, que estão comprando todas as casas ainda disponiveis. A especulação imobiliaria jogou para cima o valor das edificações historicas.
Já é Carnaval!
Na quarta feira passada fizemos a aula de capoeira com o espirito de quem só vai se encontrar novamente depois da folia momesca. Agora já é carnaval! No meu trabalho, trabalhei até aquele dia... Na capoeira... bom, na capoeira o sentido é mais profundo a respeito do “trabalho”. Para alguns é emprego. Para outros é trabalho. Para outros é missão e causa. E outros, conseguem ser um pouco de todas as alternativas anteriores.
A cidade pulsa! O verão esquenta! Os sentimentos se uniformizam pela alegria do povo baiano, campeão em simpatia, apesar do aumento das areas reservadas à elite através dos camarotes, em detrimento da redução do espaço publico.
A cidade pulsa! O verão esquenta! Os sentimentos se uniformizam pela alegria do povo baiano, campeão em simpatia, apesar do aumento das areas reservadas à elite através dos camarotes, em detrimento da redução do espaço publico.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
A Quinta Roda!
A quinta roda do nzinga aconteceu somente com a prata da casa, ou seja, somente com discípulos e discípulas nzingueiras. Estávamos nós 3: eu, a Janja e a Paulinha. Recebemos visitas de pessoas que queriam assistir a roda. Foi tudo redondinho. Ainda existia a greve da polícia e o clima ainda era de insegurança, mas mesmo assim depois da roda, foi possível dar um rolé no Samba Butequim que aconteceu no Carrinho da Alegria, barzinho que tem ao lado do acarajé da Cira, que fica no largo da Mariquita, Rio vermelho. Agora já não existe mais greve e a ordem está voltando à city. A vida voltando ao normal...
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Frase pastiniana!
"A Capoeira está para todo mundo, mas nem todo mundo está para a Capoeira”. Essa frase “pastiniana" resume de maneira emblemática de como é difícil e complexa a tarefa de desvendar os mistérios e segredos da capoeira angola, tanto no âmbito do ensinar como no do aprender. Porque nos tempos que tenho na capoeira, já vi muita gente com habilidades impressionantes para executar os movimentos e as feições da mandingagem mas, no decorrer do tempo não permanecem na capoeiragem. Por quê? Não me arriscaria a responder a esta pergunta... mas sei que em alguns casos é a vida mesmo, com todas as dificuldades que tem direito. Em outros, é a dificuldade da própria pessoa em superar limites e de fazer escolhas pessoais. Nem precisa dizer que os jovens negros no Brasil tem a vida muito mais dificultada do que outros segmentos raciais. São obrigados a entrar no mercado de trabalho precocemente, tendo muitas vezes que abandonar a escola para isso. Um ciclo vicioso que precisa ser quebrado... cada pessoa colabora como puder...
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
A quarta roda
A nossa quarta roda do ano na verdade não aconteceu(?). Vou explicar o porquê. Neste dia, era a abertura do evento do Grupo Zimba do qual eu era um dos convidados a dar workshop durante os dias seguintes. Marcava o retorno do mestre Boca do Rio à Bahia, após 4 anos na europa. A greve de policiais que acontecia já há 10 dias, trouxe à cidade um clima de insegurança muito grande, principalmente naqueles dias, onde aconteceram varios tipos de delitos. Muita gente estava e alguns ainda estão preferindo ficar em casa mesmo. Então, fomos todos nós, integrantes do Nzinga, para o evento que aconteceu de maneira plena e foi muito legal! Teve como convidados eu, os mestres Valmir e Caboré, sem falar do próprio mestre Boca do Rio e do mestre Ras Ciro. A roda de abertura foi bem legal, onde só os mestres e contra mestres puderam jogar a mandinga e um grande numero de inscritos no evento puderam apreciar os bons jogos que aconteceram. Bem vindo de volta mestre Boca do Rio! Saravá!
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
O que eu sou, é o que faço!
Semana passada faleceu o Dr. Angelo Decânio. Nas ultimas décadas, foi figura importante na capoeiragem baiana. É bem verdade que por ter sido aluno do grande mestre Bimba, o seu perfil se associa de fato, mais à capoeira regional. Desde que entrei na capoeira, 30 anos atrás, nunca o vi jogando capoeira, apesar de saber que isso não signifique que ele não a jogasse. Entretanto, prestou um grande serviço à capoeira angola ao comentar os manuscritos do mestre Pastinha: A Metafísica da Capoeira Angola. Esses manuscritos estão disponibilizados na internet. Obra imprescindível para o entendimento da filosofia pastiniana, principalmente por parte dos angoleiros e angoleiras, mestres e discípulos que forem! Se a fala traduz o pensamento, a voz e a ação devem ter afinidades! O que eu sou, é o que faço”?
Dr. Decânio, um doutor na medicina e na capoeiragem, pois do tanto que ele sabia, poucos estariam à altura de enfrenta-lo numa peleja intelectual. Minhas condolências à família e aos amigos!
Dr. Decânio, um doutor na medicina e na capoeiragem, pois do tanto que ele sabia, poucos estariam à altura de enfrenta-lo numa peleja intelectual. Minhas condolências à família e aos amigos!
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Mameto Dandá!
Ontem realizamos mais uma festa homenageando Mameto Dandalunda, a Rainha do Mar. Fizemos a entrega dos presentes na anti vespera: um balaio foi entregue para Mameto Kissimbi (Oxum) no dique do Tororó e o outro foi entregue no mar, para Mameto Dandá (Iemanjá), depois da meia noite da quarta feira. Muitos amigos e amigas estiveram presentes. Os mestres Valmir, Renê, Caboré e Boca do Rio, estiveram mais uma vez conosco, deixando os seus axés no nosso chão e nos brindando com suas mandingas. Ontem esteve lá tambem o capoeirista Pepeu, filho do mestre Moraes. Mais um companheiro de viagem, outro malungo. Foi muito feliz o momento em que tocamos e cantamos juntos. A camiseta do evento arrebatou mil elogios, feita por minha queridíssima sobrinha, Alice Kottler(alice.kottler@gmail.com). A feijoada, mais uma vez arrasou de gostosa, feita pela já famosa Nalva. O samba de roda, sob a batuta do mestre Renê, foi outro ponto alto da festa. Ontem fizemos ainda, a entrega de título de contra mestre para Daniel Marconi e Piter Bedoian. São os primeiros contra mestres do Nzinga. O Anderson Barba Ruiva foi elevado a Treinel. Foi um dia glorioso para a historia que começamos a construir há 30 anos. Tudo deu super certo! ODOYÁ!
domingo, 29 de janeiro de 2012
Terceira Roda
A nossa terceira roda de capoeira do ano, realizada na ultima sexta feira, foi igualmente à segunda, muito boa! Foi uma roda caseira, quase toda ela, salvo duas garotas capoeiristas que nos visitaram nos ultimos 30 minutos do encontro mandingueiro. Teve ainda a participação da Raquel, que está de passagem pela capital baiana e do Fernando Vulcão, ambos do Nzinga SP. O Diogão tambem está pela capital baiana, com exceção desses dias que antecedem à festa do mar. Já estamos vendendo a camiseta da festa do dia 2 de fevereiro por apenas 15 reais. Está muito bonita! A feijoada custará tambem 15 reais. Estamos prontos e esperando o grande dia! Venham nos prestigiar e apoiar com a sua presença! Até lá...
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Iemanjá protege quem protege o mar!
sábado, 21 de janeiro de 2012
Malungada!
Este ano todo estarei celebrando meus 30 anos de capoeira angola, juntamente com as “Malungas”Janja e Paulinha. Em 2007, rolou o evento chamado “Malungos”, que significa: companheiros de viagem. Contou com o Nzinga (Poloca, Janja e Paulinha), com a Fica (Valmir) e com o Zimba (Boca do Rio) e marcou a passagem dos nossos 25 anos de capoeira. A primeira ideia é de que o faríamos de 5 em 5 anos. Este ano novamente deveremos realizar alguma coisa em conjunto. Aguardem!
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Segunda Roda do ano!
Lembro-me que no ano passado comecei a contar e descrever como estavam sendo as rodas aqui no Nzinga. Sei que depois de varias rodas ótimas, esqueci de continuar descrevendo enquanto me lembrava de escrever sobre outras tantas coisas que abordei aqui neste bloguinho. Hoje faremos a segunda roda do ano. A primeira roda, semana passada, aconteceu no dia seguinte à festa do Bonfim, 12. Foi a primeira sexta feira 13 do ano. Foi bem legal, pois estávamos ainda com o espirito elevado do dia anterior, apesar das nossas vozes ainda não estarem plenamente recuperadas. Estamos no maior agito para o evento do dia 2 de fevereiro, então tudo é ingrediente para a festa no mar, que este ano tem apelo especial por se tratar do ano em completamos 30 anos de capoeira. Então, no Nzinga este ano, teremos o ano todo de celebração. Compareçam, nos visitem e celebrem conosco esta passagem de nossas historias.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Caiu na rede é peixe!
Berimbau me chama!
Enredado!
Pela primeira, desde que instalamos internet e telefone aqui no Grupo Nzinga, escrevo para este previlegiadíssimo forum. Tenho que admitir que tem um certo ar de magia! Apenas uma porta separa-me da aula que a mestra Paulinha está dando no salão principal. O ritmo da capoeira pulsa e soa-me como um “musak”, tão companheiro em longas esperas e alimentador de outras esperanças. Iê! Ouve-se(?) um profundo silencio! Silencio total... No salão, ensinamento dado... na salinha, silencio de novo. O gunga, bem afinado no grave, invade o ambiente com seu som, ajudado por um vento forte que o faz soar, inclusive por baixo e por detrás das coisas. A musica se eterniza neste momento. Eterna por um instante! Escuto: minha sereia rainha do mar, não deixe meu barco virar...
Berimbau me chama!
Berimbau me chama!
sábado, 24 de dezembro de 2011
Pastinha e a teia da aranha
Voces lembram do que o mestre Pastinha falou sobre a teia da aranha? É o que gostaria de falar para voces, leitores queridos, neste momento...
Mestre João Pequeno de Pastinha
Falo sinceramente para voces, foi duro perder o mestre João Pequeno de Pastinha dias atrás. Todos de certa forma, estávamos preparados individualmente para o episódio, mas o que se viu lá na hora não foi bem isso. Existia um certo clima de reencontro entre todos que estavam presentes, mas foi nitido tambem que o sentimento de dor e pesar pela morte do mestre era um sentimento coletivo e que aproximava a todos que estavam lá no Bosque da Paz, independente de se conhecer ou não! Não pude evitar as lagrimas quando a neta do mestre João Pequeno, Nani, tentando fazer a sua ultima homenagem ao mestre, cantou a ladainha de autoria do seu avô, e que com dificuldade conseguiu conclui-la. Foi a despedida de um dos mestres que fez a passagem da era Pastinha para a era atual. Foi sem duvidas um dos olhos do velho mestre Pastinha. A gente pensa que os tempos passam, mas vê a historia se repetir. Mais um mestre nos deixa sem ter tido as devidas homenagens e reconhecimentos em vida.
sábado, 26 de novembro de 2011
Orkestra de berimbaus é show!
Como havia divulgado pelo Facebook desde a semana passada, fizemos na ultima quinta feira, dia 24/11, a abertura da final do IV Festival da Canção Estudantil, que foi realizado na Concha Acústica do Teatro Castro Alves em Salvador. A plateia era composta por 100% de estudantes secundaristas, adolescentes no auge de suas alegrias e angustias.
Ficamos em um camarim ao lado do cantor Lazzo Matumbi, um dos nossos ídolos. Ensaiamos e nos concentramos lá... No palco, cantamos a musica “Tiene Pamosi”. Essa musica foi composta com frase em varias línguas, exatamente para contemplar os vários povos que lutaram contra o colonizador portugues e que hoje compõem o Estado moçambicano. A idéia da letra pode ser sintetizada em uma frase: “unidos num só coração”.
Depois cantamos o hino do 2 de Julho, numa homenagem à cidade de Salvador. Foi daqui, que o colonizador também portugues foi expulso definitivamente do Brasil, depois de sangrentas batalhas.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Mestre Gato, Nzinga e Cupuaçu
Há mais ou menos um mes atras, estive em São Paulo, onde passei 4 dias. Tava frio! Fui para o lançamento do livro Mestre Gato e a Comadre Onça, da escritora Carolina Cunha, que aconteceu na sede do Nzinga. Foi uma mega produção! Tinha muita criança. A maioria era do grupo Sim Sinho. Outras estavam acompanhadas pela professora Fernanda e algumas ainda, eram da atividade do Cine Muleeke (Nzinga). Contei umas piadas e cantei umas musicas para a criançada. Depois a propria Carolina Cunha contou a historia do Mestre Gato. Em seguida rolou a roda de capoeira composta pelas crianças. Samba e um mega Buffet para aqueles ilustres convidados que aproveitaram de verdade e à vontade. Foi uma tarde especial! Já me referi a este projeto em postagem anterior. Alem do belissimo livro, acompanha um cd com participação ilustre dos mestres João Pequeno de Pastinha e Boca Rica, além é claro, da mestra Janja, eu, o mestre Gabriel e a treinel Nani de João Pequeno. No dia seguinte, no domingo, 23, foi comemorado no Morro do Querosene os 25 anos do Grupo Cupuaçu, e me sinto previlegiado por ter estado lá comemorando com a tribo maranhense, sob a batuta do mestre Tião Carvalho.
sábado, 17 de setembro de 2011
O Tempo não para!
No inicio do mes de agosto comecei a dar aulas de capoeira angola na Fundação Pierre Verger. Um novo desafio que espero dar conta. As crianças ainda estão aprendendo a me conhecer e eu a eles. Tenho esperança de formar uma nova geração de capoeiristas pelas bandas do Engenho Velho de Brotas, bairro onde minha mãe mora há uns 25 anos e onde eu proprio morei, numa determinada época. Tenho já muitas historias a respeito de crianças e jovens que tiveram contato com a capoeira desde muito cedo e que tiveram as suas vidas transformadas de maneira definitiva. Um dos exemplos que mais me orgulha de citar é o de Livaldir, Baba, que conheci com + ou - 10 anos de idade na Associação Livre de Moradores da Mangueira onde dava aulas juntamente com mestre Valmir. Ele é um exemplo de sucesso! Mora hoje em Washington DC, possui familia e é treinel da FICA. Quase que nesse mesmo tempo, um pouco antes talvez, o garoto Kenneth Kuanda, do GCAP, foi outra criança que já estava crescendo dentro da capoeira e hoje está na Austria há varios anos, também com situação estável. No Nzinga de São Paulo, tambem já tem uma geração de crianças que ficou grande lá. O Nzinga Salvador, depois de 9 anos, dos quais 6 no Alto da Sereia, já tem as suas crianças que ficaram adultas lá. O tempo passa, e com ele, as nossas vidas! Faça da sua o que voce quiser...escolha!
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Feliz aniversario!
No ultimo dia 18 de agosto, o grupo Nzinga completou 6 anos de atuação na comunidade do Alto da Sereia. Em Salvador, já são 9 anos. Por acaso, também é meu aniversario! Quem nos visitar neste dia, certamente nos encontrará com a casa cheia, principalmente por crianças e jovens da comunidade. Me orgulho em saber que qualquer morador, inclusive as criancas, sabe dar informação sobre onde é a capoeira, onde é o Nzinga, quem sou eu, quem somos nós!
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Adolescendo!
Uma coisa que acho muito legal que tenha ocorrido foi que os meninos de Sampa -Serginho, Leo e Leandrinho - ficaram alojados na sede do Nzinga e, por muitas vezes, ao chegar para dar aula, os vi zelando do espaço, lavando, passando pano, lavando os pratos ou armando berimbaus. Mantendo alguma ordem. Naquele momento, esta era a sua casa. Este é um bom exercicio! Induz à convivencia! Este tipo de energia é importante ser deixada no "chão". A interação entre os jovens e adolescentes daqui de Salvador e os de São Paulo também é notável. São parceiras! Faz gosto ver a boa relação deles. Alguns jovens nzingueiros do Alto da Sereia completarão 6 anos de capoeiragem no proximo dia 18 de agosto. Ou seja, nós somos depois de suas familias, as pessoas que passa mais tempo com eles. Portanto, nós temos condições de influenca-los positivamente, se acreditamos em nossas essencias.
Capoeiragem Internacional!
Ontem estive na abertura da XVII Conferencia da Fundação Internacional de Capoeira Angola. Foi muito bem organizada e num local perfeito. Encontrei muitos amigos e amigas que moram no exterior e aqui no Brasil. Estavam lá tambem as mestras Janja e Paulinha. Levei tambem alguns jovens do Alto da Sereia para participar deste grande evento. Primeiro assistimos dois filmes institucionais dos patrocinadores. Depois foi formada uma mesa para saudações e agradecimentos. Seguindo, rolou uns comes e bebes e por fim, uma grande roda de capoeira na porta do Espaço Cultural da Barroquinha. A contar pela abertura do evento, esta conferencia promete ser uma das melhores, ainda mais, sendo realizada na ciade historica de Cachoeira, no reconcavo baiano.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Lôbo Mal, Lôbo Bom!
| Nzinga jul/2011 |
sábado, 18 de junho de 2011
VIVA O MESTRE!
sexta-feira, 3 de junho de 2011
André Cypriano
Como sou fã do fotografo André Cypriano, divulgo a sua exposição... vejam aí!! Em 2009 ele lançou livro de fotos sobra a capoeira e retratou em sua obra, o nosso "Nzinga", entre tantos outros. Registrou momento unico! O livro está no acervo do grupo. Está disponivel para consulta. Quem for no Nzinga pode pedir para ver o livro, que prontamente será atendido. Um dos maiores fotógrafos da atualidade, passou por Salvador e teve tempo de conhecer o badejo ao molho de mangas, que lhe apresentamos na época.
Queridos familiares e amigos,
Gostaria de convidá-los para a exposição “ILHA”, no Centro Cultural Correios, Rio.
A exposição faz parte do Encontro Internacional de Fotografia - FotoRio 2011.
Abertura: 6 de junho as 19h (estarei lá).
Visitação: 7 de junho a 17 de julho.
Centro Cultural Correios
R. Visconde de Itaboraí, 20 Centro tel. 2253-1580
Dear Family and friends,
I would like to invite you to join me at the openning of the exhibition “ISLAND”, at Centro Cultural Correios, Rio.
The exhibition is part of the Encontro Internacional de Fotografia - FotoRio 2011.
Openning day: June 6th, 7pm.
Exhibition date: June 7th to July 17th.
Centro Cultural Correios
Rua Visconde de Itaboraí, 20 Centro tel. 2253-1580
Abraços,
Andre Cypriano
-- http://www.andrecypriano.comusa (1)(212) 647-8755
brazil (55)(24) 3361-5602 – cel 9907-9871
Queridos familiares e amigos,
Gostaria de convidá-los para a exposição “ILHA”, no Centro Cultural Correios, Rio.
A exposição faz parte do Encontro Internacional de Fotografia - FotoRio 2011.
Abertura: 6 de junho as 19h (estarei lá).
Visitação: 7 de junho a 17 de julho.
Centro Cultural Correios
R. Visconde de Itaboraí, 20 Centro tel. 2253-1580
Dear Family and friends,
I would like to invite you to join me at the openning of the exhibition “ISLAND”, at Centro Cultural Correios, Rio.
The exhibition is part of the Encontro Internacional de Fotografia - FotoRio 2011.
Openning day: June 6th, 7pm.
Exhibition date: June 7th to July 17th.
Centro Cultural Correios
Rua Visconde de Itaboraí, 20 Centro tel. 2253-1580
Abraços,
Andre Cypriano
-- http://www.andrecypriano.comusa (1)(212) 647-8755
brazil (55)(24) 3361-5602 – cel 9907-9871
terça-feira, 17 de maio de 2011
Broto de limão rosa!
Lembro-me que entre 1986 e 1990, o mestre João Grande era tambem um dos mestres do gcap, ao lado dos mestres Moraes e Cobra Mansa. Outra dia escreverei como foi que se deu essa vinda do mestre para o gcap. Agora quero apenas contar a historia do dia em que o mestre João Grande chegou para o treino lá no Forte de Santo Antonio, com duas vergas na mão.Acho que aconteceu no final da década de 80. Eram vergas especiais, raras! Eram de broto de limão rosa! Eram um pouco mais grossas do que a bitola que normalmente usamos para fazermos berimbau com verga de biriba. Apesar de serem mais grossas, eram mais leves e com a superficie irregular, como se tivesse muitos "nós". Cada discipulo tinha que ter o seu berimbau para as aulas de ritmo que aconteciam todas as terças feiras, na primeira meia hora de aula. Ao termino da aula, cada um pendurava o seu berimbau em um prego na parede. Nesta época, eu era o coordenador da comissão de instrumentos e já possuía o meu berimbau. Aconteceu que o mestre João trouxe as vergas para que eu confeccionasse os berimbaus. Um seria dele e o outro meu. Sempre tive sorte!... Fiz os berimbaus de broto de limão rosa! Pintei-os com cores bem fortes. Ficaram lindos! Na minha verga eu entalhei "CAPOEIRA ANGOLA". O berimbau do mestre era um gunga e o meu foi um médio. Modéstia à parte, ficaram bons demais! Nas terças que se seguiram, estava eu lá arrebentando com o meu berimbau, marcando a maior presença no treino. A galera ficava ligada e sabia que aquele arco estava falando alto. O do mestre nem se fala! Gunga da melhor qualidade. Não demorou muito para os nossos berimbaus serem escalados para compor o ritmo das grandes rodas que aconteciam, e acontecem até hoje, aos sábados, às 19 hs. Os berimbaus do gcap eram mais robustos, com vergas mais grossas e por isso duravam mais tempo. Às vezes, marcavam uma fase do grupo como tendo uma bateria com os melhores berimbaus de uma época. A minha verga de limão rosa eu tenho até hoje. Quem visitar o Nzinga poderá vê-la. Está surrada, mas está inteira! O mestre João Grande também tem ainda o seu berimbau de broto de limão rosa. Quem for na academia dele em NYC, também poderá vê-la.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Aprender a aprender!
Hoje escrevendo para o e-grupo do Nzinga SP, me referi às gerações de crianças capoeiristas do nucleo do NZ Salvador. Quando chegamos no Alto da Sereia, em agosto de 2005, recebemos uma leva de mais ou menos 25 crianças. Dessas, nesses quase 6 anos de "jogo", apenas 8 estão até hoje. Imaginem que eles agora estão adolescentes, com todas as questões inerentes à essa fase da vida. Sabemos que não é facil, mesmo quando as condições são normais. Condição esta que não se aplica ao nosso exemplo, pois são crianças pobres, negras e que residem em área remanescente de quilombolas, com pouca presença do Estado. Ou seja, são caracteristicas que na sociedade brasileira, significam maior dificuldade para acessar as condições para se viver decentemente. Essa geração, hoje me ajuda bastante na preparação dessa nova "leva" de muleekes. As vezes eles querem fazer cobranças duras aos novos muleekes, mas eu fico por perto para pedir-lhes paciencia, a mesma que eu tive no começo quando eles chegaram há 6 anos atras. Se a cada 6 anos de trabalho, conseguisse ficar com 8 alunos dos tantos que chegaram, diria que o sucesso nos brindou a abençoou! Digo sempre que se o "nucleo duro" de um grupo, que é formado por pessoas que se dedicam de maneira mais destacada ao funcionamento dele, recebesse um discipulo por ano, seria muito compensador e o futuro deste grupo estaria garantido às proximas gerações. Prestem atenção que eu não estou me referindo ao numero de pessoas que compôem o grupo, mas sim das pessoas que fazem com que este grupo evolua e cresça como organismo, como uma coisa viva e latente, participando e contribuindo com o seu dia a dia, e não apenas achar que pagando a mensalidade em dia, ja esteja fazendo muito por ele. Qual o lugar de cada um nós afinal??????????? Conviver, aprender, ser e fazer!
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Casa dos Olhos de Tempo!
A cada ano, a Casa dos Olhos de Tempo que fala da Nação Angolão Paketan realiza o seu ciclo de festas, onde celebra e louva os principais Inquices da casa. No dia 9 de julho, às 17 hs, terá início a festa dedicada à Unzila, onde será servida comida sagrada que abrirá o caminho para as festas subsequentes. No sabado seguinte, dia 16, no mesmo horario, acontecerá a festa que reverencia Mameto Kaiongo. Na madrugada do domingo (17) para a segunda feira (18), acontecerá o Ritual das Águas, chamado Meian Kambuká. É um dos rituais mais lindos que existem. Na mata, no meio da noite, escuro, velas acesas, canticos sagrados, muita água, roupas brancas...É demais!
No dia 23, às 17hs, teremos a principal festa da casa. O dono do Terreiro! Tateto Mutalombô!
Essas são as festas que acontecerão no mes de julho. No mes de agosto, teremos duas festas para Tempo: uma no dia 13, às 17 hs, que vai acontecer no terreiro da rua Daniel Lisboa, em Brotas. Neste ritual, existem varias detalhes que fazem desta festa, uma festa diferente. A outra festa será no dia 20, às 17 hs e acontecerá em Cajazeiras XI.
Até os dias das festas, estaremos em campanha de arrecadação de fundos para ajudar nas muitas despesas que serão necessarias fazer. Aos leitores e leitoras que queiram colaborar, façam contato conosco, que estudaremos uma alternativa viavel.
No dia 23, às 17hs, teremos a principal festa da casa. O dono do Terreiro! Tateto Mutalombô!
Essas são as festas que acontecerão no mes de julho. No mes de agosto, teremos duas festas para Tempo: uma no dia 13, às 17 hs, que vai acontecer no terreiro da rua Daniel Lisboa, em Brotas. Neste ritual, existem varias detalhes que fazem desta festa, uma festa diferente. A outra festa será no dia 20, às 17 hs e acontecerá em Cajazeiras XI.
Até os dias das festas, estaremos em campanha de arrecadação de fundos para ajudar nas muitas despesas que serão necessarias fazer. Aos leitores e leitoras que queiram colaborar, façam contato conosco, que estudaremos uma alternativa viavel.
Nzinga: 9 anos em Salvador
Está ficando cada vez mais interessante a possibilidade de reunirmos em Salvador uma boa porção do Nzinga SP com o Nzinga daqui, em julho, por ocasião dos festejos da Casa dos Olhos de Tempo que Fala da Nação Angolão Paketan que começam no dia 09 de julho.. A ideia que se esboça é organizarmos um eventinho na tarde do dia 15, na sexta feira, culminando com a roda de capoeira à noite, aberta à comunidade. As pessoas interessadas em participar destas atividades, enviem mensagem para o polocagb@hotmail.com para garantir lugar, ja que serão vagas limitadas. A ideia é de uma aula com os mestres do Nzinga com preço popular de 30 reais. Na oportunidade, estaremos marcando a passagem dos 30 anos sem o grande mestre Pastinha e os 9 anos do Nzinga em Salvador. Desde já, todos e todas estão convidados a comparecerem no eventinho de capoeira e nos festejos do terreiro.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Capoeira Viva
Ontem no final da tarde, fui ao Centro Cultural da Barroquinha para assistir ao lançamento da coleção de cds de capoeira. Foi resultado do edital que a Fundação Gregorio de Matos lançou ano passado. São varios mestres envolvidos no projeto, inclusive de muitos outros estados do Brasil, mas alguns nomes possui peso e historia maior que o de outros. Por exemplo, o mestre Boca Rica estava lá com toda a sua elegancia e picardia coordenando a pequena roda de capoeira que rolou. Não tocou ontem. Estava apenas com o microfone na mão e cantando varios sucessos de seus 5 discos anteriores. Meu padrinho de casamento que doou uma caixa de quiabo para o caruru do meu casorio. Voces sabem que ele vende na feira de Sâo Joaquim desde sempre. Salve mestre Boca Rica. Apesar de não estarem lá, os mestres Virgilio, Ananias e o saudoso mestre Bigodinho, que ontem recebeu uma homenagem singela e bonita. Depois de amanhã completará um mes de sua morte. A caixa com os 5 cds foram distribuidas para quem foi prestigiar o evento. Comecei a ouvir imediatasmente, quando sai de lá em direção ao Nzinga para a aula que daria minutos adiante.
sábado, 30 de abril de 2011
Águas Sagradas!
A temporada de furacões começou nos Estados Unidos e a das chuvas aqui em Salvador. Nesta época chove muito. Se a historia se repetir, choverá durante uns dois meses, com curtas estiagens. Nestes intervalos, o sol aparecerá forte, levando muitos baianos dependentes em direção do mar. Ontem mesmo choveu o previsto para todo o mês de maio. Simplesmente choveu o dia todo, ficando mais intensa ainda no inicio da noite, na hora da roda de capoeira. Cheguei mais cedo lá, já prevendo que o espaço do Nzinga estivesse alagado. E realmente estava completamente inundado. Foi uma limpeza pesada que tive que enfrentar, contando com a ajuda de Adelmo, 7, e Alisson, 10.
Bom, conseguimos retirar a água acumulada, mas as goteiras estavam em todos os pontos do salão. Foi dificil e cheguei a pensar em suspender a roda por isso e tambem por que o numero de pessoas era pequeno. De qualquer forma não dava mesmo para ir embora, ja que a chuva estava mais intensa ainda. Bom, secamos um pequeno espaço e começamos a roda com as pessoas que tinhamos. A maioria era criança. Cantei a ladainha e a chula. Depois, uma pausa e o som da chuva no problemático telhado de eternit do Nzinga me fez lembrar do "ô Santa Barbara de relampoê". Fomos pegando vibração e, em seguida cantei aquela musica em Kimbundo: "Oiá, Oiá, Oiá êêê, Oiá Matamba do kakurukajo nzinguê. Por coincidência ou não, a chuva começou a diminuir e logo depois parou. Somos livres e podemos acreditar no que quisermos, Graças a Mzambi!
É comum vermos muitas rodas de capoeira onde, para garantir proteção, se canta primeiro para Santo Antonio, que aqui na Bahia associamos à Roji (Ogum). Vale a pena pensar que Oiá (Iansã) tambem possui espada na mão e é boa de briga. Também protege. Para quem não lembra, Santa Barbara é associada a Oiá.
Mais pessoas começaram a chegar e as coisas foram se encaixando: mais vozes no coro, melhor energia fluindo, o circulo da roda se fechando, mais vibração... Coisa de magia, que a gente aprende a respeitar sem precisar entender. Para um dia como aquele de ontem, foi uma dadiva conseguir armar uma roda com quase 20 pessoas. Ao final, depois dos abraços e despedidas, resolvi voltar para casa satisfeito, para um descanso merecido, mesmo com a possibilidade do Samba de Botequim no forte de Santo Antonio. Neste momento, apenas chuviscava.
Bom, conseguimos retirar a água acumulada, mas as goteiras estavam em todos os pontos do salão. Foi dificil e cheguei a pensar em suspender a roda por isso e tambem por que o numero de pessoas era pequeno. De qualquer forma não dava mesmo para ir embora, ja que a chuva estava mais intensa ainda. Bom, secamos um pequeno espaço e começamos a roda com as pessoas que tinhamos. A maioria era criança. Cantei a ladainha e a chula. Depois, uma pausa e o som da chuva no problemático telhado de eternit do Nzinga me fez lembrar do "ô Santa Barbara de relampoê". Fomos pegando vibração e, em seguida cantei aquela musica em Kimbundo: "Oiá, Oiá, Oiá êêê, Oiá Matamba do kakurukajo nzinguê. Por coincidência ou não, a chuva começou a diminuir e logo depois parou. Somos livres e podemos acreditar no que quisermos, Graças a Mzambi!
É comum vermos muitas rodas de capoeira onde, para garantir proteção, se canta primeiro para Santo Antonio, que aqui na Bahia associamos à Roji (Ogum). Vale a pena pensar que Oiá (Iansã) tambem possui espada na mão e é boa de briga. Também protege. Para quem não lembra, Santa Barbara é associada a Oiá.
Mais pessoas começaram a chegar e as coisas foram se encaixando: mais vozes no coro, melhor energia fluindo, o circulo da roda se fechando, mais vibração... Coisa de magia, que a gente aprende a respeitar sem precisar entender. Para um dia como aquele de ontem, foi uma dadiva conseguir armar uma roda com quase 20 pessoas. Ao final, depois dos abraços e despedidas, resolvi voltar para casa satisfeito, para um descanso merecido, mesmo com a possibilidade do Samba de Botequim no forte de Santo Antonio. Neste momento, apenas chuviscava.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Triste Partida!
Exatamente no dia em que o saudoso mestre Pastinha completaria 122 anos de nascido, morreu hoje o mestre Bigodinho. Uma voz importante se calou entre nós, mas com as bençãos de Mzambi, brilhará nas rodas celestiais, de agora em diante, em companhia dos bambas. Sabia muitos sambas, corridos e ladainhas, alem de possuir um estilo próprio de cantar e tocar a "violinha". Quem não conhece o seu disco em parceria com o mestre Boca Rica está perdendo de ouvir uma obra prima. Talvez o melhor do genero! Do ponto de vista da Tradição Oral, quanto mais antiga é a fonte da tradição, mais valiosa ela é. Olha só o local de seu nascimento! Santo Amaro da Purificação: coração do Reconcavo baiano e berço de um matizado cultural africano impressionante. Uma perda!
terça-feira, 29 de março de 2011
Diálogos Inteligentes!
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Palavras ao vento
Em post anterior, escrevi que "escrever é viver!". Agora venho aqui para falar da palavra...
Somos donos delas só enquanto não as pronunciamos ou a escrevemos, porque depois disso, dignamente nos tornamos escravos delas!
Somos donos delas só enquanto não as pronunciamos ou a escrevemos, porque depois disso, dignamente nos tornamos escravos delas!
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Fazendo o Social
Ontem visitei o Grupo Zimba, na comunidade do Bate Facho. Fui acompanhado por algumas crianças do Nzinga: Bruna, Vinicius e Antonio. Esses são os mais velhos na casa. Entraram no Nzinga há 5 anos atrás e parece que estão mergulhados dos pés à cabeça nessa odisseia angoleira, inclusive com forte envolvimento em outras áreas, como por exemplo, na Dança Afro e na "religião", o Candomblé. A gente não sabia onde era o endereço, apenas tinhamos algumas referencias e indicações de como chegar lá. Ja estavamos a caminho quando a Bruna avistou na avenida, em um ponto de onibus, uma das alunas do Zimba indo para a roda. Pura sorte! Parei adiante e um dos meninos voltou para convida-la a nos acompanhar de carro até o Bate Facho. Foi perfeito! Chegamos bem e rapidos. A roda foi ótima! Uma vibração muito boa tambem. Tinha muito mais crianças lá do que as que foram visitar o Nzinga na sexta feira passada. A boa e velha capoeira em comunidade, como o saudoso "mestre dos mestres" sempre quis.
O local é pequeno, mas é cheinho de axé. Foi todo ele construido por Paulo, um dos discipulos do mestre Boca do Rio, que tem o oficio de pedreiro como tradição familiar e que tambem é o responsavel pelas aulas para as crianças. Ambos estão de parabens pelo trabalho que realizam.
Agora pela manhã acontece o roda do mestre Caboré, no fim de linha da Rua Daniel Lisboa. Uma boa pedida...
O local é pequeno, mas é cheinho de axé. Foi todo ele construido por Paulo, um dos discipulos do mestre Boca do Rio, que tem o oficio de pedreiro como tradição familiar e que tambem é o responsavel pelas aulas para as crianças. Ambos estão de parabens pelo trabalho que realizam.
Agora pela manhã acontece o roda do mestre Caboré, no fim de linha da Rua Daniel Lisboa. Uma boa pedida...
sábado, 19 de fevereiro de 2011
As 7 Rodas!
Ontem aconteceu a sétima roda de capoeira do ano. Estou contando dessa maneira, porque até agora só rolou roda boa... O grupo Nzinga recebeu a visita do grupo Zimba. O mestre Boca do Rio chegou lá com toda a sua turma, inclusive com as crianças da nova frente de trabalho em comunidade no Bate Facho, bairro proximo ao bairro da Boca do Rio. O citado mestre possui este apelido exatamente por ter morado no bairro da Boca do Rio na época em que treinou no Forte de Santo Antonio. Pois bem, foi muito legal ter recebido o mestre Boca do Rio, em rápida passagem por Salvador. Ele irá embora na proxima terça feira de volta à Espanha, onde atualmente reside com a sua familia. Valeu Bôca! Foi mais um Malungo que visita a nossa casa de aprendizagem de vida e capoeiragem. O mestre Valmir (Fica) esteve presente na primeira roda do ano. Alto Astral! Outro Malungo! A roda do dia 4 de fevereiro, podemos dizer que apesar de ter sido um pouco menos vibrante que as outras, foi legal tambem por que foi ainda na ressaca do dia 2 de fevereiro, onde o Nzinga tinha feito já um grande esforço para a realização daquela grande festa que foi e mesmo assim, rolou bem e contando com grande presença de visitantes, atraidos pelas vibrações positivas do dia 2, o que deu um "tom" especial a essa roda . Numas dessas 7 rodas, aconteceu uma invasão de crianças no espaço. Dessas que não treinam capoeira objetivamnte, mas que estão sempre por lá e, de alguma maneira, aprendem assim mesmo. As crianças deram o "tom" dessa roda.
Teve uma roda que foi transferida para a ACANNE, há duas semanas atrás, que tambem foi legal demais. O mestre Renê sempre com ótimas participações nas nossas festas para a Rainha do Mar, nos recebeu com muita atenção e, no fim da vadiação, nos brindou com uma bela mesa de frutas. Obrigado mestre Renê!
Iê Volta do Mundo...
Teve uma roda que foi transferida para a ACANNE, há duas semanas atrás, que tambem foi legal demais. O mestre Renê sempre com ótimas participações nas nossas festas para a Rainha do Mar, nos recebeu com muita atenção e, no fim da vadiação, nos brindou com uma bela mesa de frutas. Obrigado mestre Renê!
Iê Volta do Mundo...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
ODOYÁ!
Há dias venho tentando escrever umas linhas a respeito da festa do dia 2 de fevereiro, dedicada à mãe Yemanjá. Quem acompanha um pouco da historia do Grupo Nzinga em Salvador, sabe que nós estamos inseridos numa comunidade remanescente de kilombolas chamada de Alto da Sereia, reconhecida pelo ministerio das cidades como tal. Localiza-se entre Ondina e Rio Vermelho, bairros de classe media na orla maritima de Salvador. Fica a 500 metros de onde acontece essa maravilhosa festa, uma das maiores e com mais forte apelo religioso que acontece aqui em Salvador. É uma comunidade que tem na atividade de pesca um de seus traços identitarios. Pois bem, há 5 anos estamos realizando no dia 2 de fevereiro, no dia da festa no mar, evento em louvor à Yemanjá. Neste dia acontece primeiramente, a roda de capoeira, que tem como diferencial o fato de os/as capoeiristas não necessitarem usar seus respectivos uniformes, resgatando um pouco do espirito da antiga vadiação, onde se jogava com a roupa que se usava na festa. Destaco as participações dos mestres Valmir e Caboré. Além da presença tambem do mestre Renê, com o samba de roda Este ano, alem dele, estiveram conosco o Samba Gia, dando um tom especial ao encontro sambistico. Concomitantemente, sempre rola uma gostosa feijoada feita pela melhor "feijoadeira" que eu conheço, a Nalva, a mesma da caixa da panela de pressão citada em postagem anterior. Este ano, entregamos o presente à mãe d'aqua de barco, logo nas primeiras horas do dia. O piloto do barco foi Fulaninho, assessorado pelo povo do nzinga são paulo. Odoyá!
Violencia Urbana!
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Pé quente, cabeça fria!
As vezes, penso muito em vir aqui escrever qualquer coisa, mas o “mecanismo pensante” não funciona bem assim como a gente deseja. Tantas coisas legais já aconteceram e, ainda estão acontecendo, dignas de relatos mais detalhados que nem entro numas de fazer anotacões ou coisa parecida. Deixo simplesmente a encargo da memoria, para esta quardar em um bom lugar determinados fatos e acontecimentos... Jogar para o "cosmos"...
Passei o ultimo mês dedicado à reforma do espaço de capoeira e quando pude escrever, não rolou clima... Sei que de repente poderei lembrar de uma dessas coisas e escrever. Como não sou jornalista e não ganho para fazer isso, não preciso escrever enquanto as coisas acontecem. Principalmente sobre as coisas relativas à “mandinga”, malandragem e ao jogo. Temos que ter “Tempo”ao nosso lado, o senhor da razão. Ele é mestre que ensina e cura… Portanto, para finalizar essa conversa, vos digo que brevemente escreverei alguma coisa sobre a festa do dia de 2 de fevereiro de 2011 e a roda de capoeira que acontece no Nzinga. Gostaria de escrever ainda sobre o meu retorno ao mundo das “pernas para o ar” depois de um impedimento de 5 meses após cirurgia. Tenho aqui a presença de 5 nzingueiros de São Paulo que pode tambem virar um “post” hora dessas. Outra coisa que gostaria de tecer algumas considerações foram as rodas realizadas ate agora neste ano de 2011. Foram 4 até agora. Todas ótimas! Bom, vamos ver como as coisas acontecerão...
Passei o ultimo mês dedicado à reforma do espaço de capoeira e quando pude escrever, não rolou clima... Sei que de repente poderei lembrar de uma dessas coisas e escrever. Como não sou jornalista e não ganho para fazer isso, não preciso escrever enquanto as coisas acontecem. Principalmente sobre as coisas relativas à “mandinga”, malandragem e ao jogo. Temos que ter “Tempo”ao nosso lado, o senhor da razão. Ele é mestre que ensina e cura… Portanto, para finalizar essa conversa, vos digo que brevemente escreverei alguma coisa sobre a festa do dia de 2 de fevereiro de 2011 e a roda de capoeira que acontece no Nzinga. Gostaria de escrever ainda sobre o meu retorno ao mundo das “pernas para o ar” depois de um impedimento de 5 meses após cirurgia. Tenho aqui a presença de 5 nzingueiros de São Paulo que pode tambem virar um “post” hora dessas. Outra coisa que gostaria de tecer algumas considerações foram as rodas realizadas ate agora neste ano de 2011. Foram 4 até agora. Todas ótimas! Bom, vamos ver como as coisas acontecerão...
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Manifesto da Bahia
Venho aqui para transcrever esse manisfesto, que está exposto na forma de banner na Escola de Capoeira do mestre Curió no núcleo do Forte de Santo Antonio. A ideia é que o maior numero de pessoas que vivem o mundo da capoeira tenham conhecimento dele. Ei-lo:
Nós, os mestres, contra mestres, professores, alunos e pesquisadores da capoeira da Bahia, reunidos no ultimo dia 22 de setembro de 2010, no Forte da Capoeira, na cidade de Salvador, em assembléia amplamente convocada para avaliar questões referentes ao Pró-Capoeira, decidimos manifestar publicamente nossa posição, nesse momento que julgamos fundamental para o destino das politicas publicas sobre capoeira no Brasil, a partir dos seguintes pontos:
1 - Não temos acordo com a forma de definição dos participantes do Encontro Regional Nordeste, realizado em Recife (Pe) nos dias 8, 9 e 10 de setembro, pois em nenhum momento foram explicitados claramente os criterios de seleção dos consultores responsaveis pela articulação em cada região, nem muito menos os criterios de seleção adotados para a definição dos representantes de cada estado para participarem dos Grupos de Trabalhos do referido encontro.
2 - Não temos acordo com a forma de discussão estabelecida no encontro de Recife, onde as propostas discutidas em cada GT não passaram pela aprovação da plenaria final, causando muito desconforto entre os participantes, que não se sentiram contemplados com muitas das propostas apresentadas pelos GTs.
3 - manifestamo-nos firmemente contra algumas propostas apresentadas pelos GTs, que não refletem o pensamento da comunidade da capoeira como um todo, mas apenas uma parcela dessa comunidade no que diz respeito a:
- formalização de um modelo oficial de capoeira como esporte de alto rendimento, visando a sua inclusão nas Olimpiadas. Vale observar que não nos opomos a quem queira conduzir a capoeira como esporte, nosso posicionamento é contrario à formalização legal da capoeira como um esporte olimpico que naturalmente negaria a diversidade de suas praticas.
- Regulamentação da profissão a partir da logica do mercado, engessando a capoeira num modelo pré estabelecido e submetendo toda a comunidade de mestres e professores a um Conselho Federal que será o responsavel por determinar pode e quem não pode exercer essas funções.
- Submeter a formação do capoeirista ao ensino universitario como uma obrigatoriedade, quebrando assim as formas tradicionais de transmissão desses saberes, onde o mestre tem papel central.
Diante dos exposto, exigimos que o processo de discussão encaminhado pelo Pró-Capoeira seja mais democratico, possibilitando que a diversidade de opiniões e visões sobre capoeira possam se fazer representar.
Exigimos tambem que os criterios de definição dos representantes dos estados possam ser explicitos, e que possam garantir que as discussões nos GTs e plenarias sejam qualificadas com a presença de mestres, professores e pesquisadores que possam contribuir de forma efetiva na elaboração das propostas, tanto nos encontros regionais como na plenaria final, marcada para a Bahia no proximo ano.
Salvador, 22 de setembro de 2010
Maiores informações:
www.militanciaecapoeira.blogspot.com
Nós, os mestres, contra mestres, professores, alunos e pesquisadores da capoeira da Bahia, reunidos no ultimo dia 22 de setembro de 2010, no Forte da Capoeira, na cidade de Salvador, em assembléia amplamente convocada para avaliar questões referentes ao Pró-Capoeira, decidimos manifestar publicamente nossa posição, nesse momento que julgamos fundamental para o destino das politicas publicas sobre capoeira no Brasil, a partir dos seguintes pontos:
1 - Não temos acordo com a forma de definição dos participantes do Encontro Regional Nordeste, realizado em Recife (Pe) nos dias 8, 9 e 10 de setembro, pois em nenhum momento foram explicitados claramente os criterios de seleção dos consultores responsaveis pela articulação em cada região, nem muito menos os criterios de seleção adotados para a definição dos representantes de cada estado para participarem dos Grupos de Trabalhos do referido encontro.
2 - Não temos acordo com a forma de discussão estabelecida no encontro de Recife, onde as propostas discutidas em cada GT não passaram pela aprovação da plenaria final, causando muito desconforto entre os participantes, que não se sentiram contemplados com muitas das propostas apresentadas pelos GTs.
3 - manifestamo-nos firmemente contra algumas propostas apresentadas pelos GTs, que não refletem o pensamento da comunidade da capoeira como um todo, mas apenas uma parcela dessa comunidade no que diz respeito a:
- formalização de um modelo oficial de capoeira como esporte de alto rendimento, visando a sua inclusão nas Olimpiadas. Vale observar que não nos opomos a quem queira conduzir a capoeira como esporte, nosso posicionamento é contrario à formalização legal da capoeira como um esporte olimpico que naturalmente negaria a diversidade de suas praticas.
- Regulamentação da profissão a partir da logica do mercado, engessando a capoeira num modelo pré estabelecido e submetendo toda a comunidade de mestres e professores a um Conselho Federal que será o responsavel por determinar pode e quem não pode exercer essas funções.
- Submeter a formação do capoeirista ao ensino universitario como uma obrigatoriedade, quebrando assim as formas tradicionais de transmissão desses saberes, onde o mestre tem papel central.
Diante dos exposto, exigimos que o processo de discussão encaminhado pelo Pró-Capoeira seja mais democratico, possibilitando que a diversidade de opiniões e visões sobre capoeira possam se fazer representar.
Exigimos tambem que os criterios de definição dos representantes dos estados possam ser explicitos, e que possam garantir que as discussões nos GTs e plenarias sejam qualificadas com a presença de mestres, professores e pesquisadores que possam contribuir de forma efetiva na elaboração das propostas, tanto nos encontros regionais como na plenaria final, marcada para a Bahia no proximo ano.
Salvador, 22 de setembro de 2010
Maiores informações:
www.militanciaecapoeira.blogspot.com
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Instrumentos musicais da capoeira
Bem, vamos ver aqui inicialmente o que poderíamos chamar de bêabá dos instrumentos musicais, desde que o ser humano descobriu que precisa tocar, dançar e se comunicar através da musica. Os primeiros instrumentos feitos pelos seres humanos foram os tambores feitos de troncos ocos, Mondo (idiofones) e depois usando o couro (membranofones). Em segundo lugar foram os instrumentos de corda, no caso, o arco musical (Cordofones), e só por ultimo, vieram os instrumentos de sopro ( Aerofones). O caxixí, reco-reco e agogô estão na classe dos idiofônicos também. A seguir, uso uma colagem feita por mim há uns 10 ou 15 anos atrás a partir de fragmentos de textos de estudiosos como Kazadi Mukuna, José Redinhas, Kae Shaeffer e outras revistas... Se liguem que eu não sou pesquisador e que não estou nem colocando a bibliografia de forma correta. A ABNT vai me processar. Portanto, me perdoem por algum equivoco que cometer."
A musica africana apresenta um caráter profundamente associado a todas as suas manifestações de vida. Uma vez divorciados de seu conjunto vital, os elementos musicais sofreram uma mutação conceitual tradicional banta para à popular brasileira. Angola participou largamente nos fundamentos culturais da música brasileira, por intermedio dos bantus fixados na Bahia. No começo da República, quase todos os maestros de Bandas de musica eram angolanos. Os instrumentos de sopro foram introduzidos por eles na música brasileira e americana. Segundo Oneyda Alvarenga, o que se tem de negro na musica popular brasileira é:
a) Estrofe poético-musical improvisada, seguida de refrão fixo.
b) Forma poético-musical constituída por um verso único, seguido de refrão curto.
c) Quebra de quadratura melódica por vários processos.
d) Cantos de rituais afro brasileiros que usam uma escala abaixada, de escalas pentafonicas e hexacordais.
e) Elemento coreográfico único: a umbigada.
f) Grande numero de instrumentos de percussão
g) A marimba e o berimbau
h) Criação de danças dramaticas: congadas, alto do bumba meu boi, cucumbis, taieiras e etc.
No início do século XX eram raros os estudos sobre os povos africanos bantus. Os progressos técnicos ajudaram muito na fixação de musica gravada, já que não adiantava muito ter somente a letra e não ter a musica. O processo de recolha começou mesmo com os discos fonográficos (agradeço se algum leitor quiser mandar mais informações sobre gravações fonograficas). Ao mesmo tempo eram raras as recolhas de instrumentos musicais. A grande liberdade do sentido tonal, ao mesmo tempo plástica e fixa, apresenta-se como característica geral do mundo bantu. As canções bantus , mesmo que insistindo num determinado tema, eram todas de improvisação. Dominam melhor as técnicas percutidoras.Vários são os elementos musicais existentes na música popular brasileira que tem origem banta: a presença de 4 pulsos no início do surgimento do samba, e de 16 pulsos time lines no samba que é tocado atualmente.
Os Cordofones - O mais primário instrumento de corda existente no inventario musical angolano é o monocórdio ou Arco Musical. Há fortes evidencias de que o arco musical já estava em uso por volta de 15 000 a.C., de acordo o Harvard Dictionary of Music ( Pag. 551-552, 1970.) Como vemos, é um dos mais primitivos instrumentos musicais. Pode ser encontrado fazendo parte de inúmeras culturas no mundo: Novo México; Patagônia; África; Brasil e outros.Há diversas variedades. O simples arco de caça, amarrado ao meio que o divide em duas partes, é um tipo, onde o tocador coloca uma ponta no chão e a outra na boca, que servirá de caixa de ressonância, enquanto percute com uma varinha. Entre os bantus existe uma forma especifica, em que a cabaça permanece presa por um barbante ao próprio arco. Variam muitos os modelos, e pela grande variedades de línguas, variam muito os nomes. Um modelo de arco musical é o Cambulumbumba, que é tocado por 3 músicos. O arco continua a ser de caça, que serve de arco bocal e também como arco de cabaça, mas a caixa de ressonancia é uma grande metade de cabaça que fica emborcada no chão. Palavra banta, cuja raiz mbulumbumba é comum na designação de algumas espécies de arcos musicais. É um instrumento infantil para os bantus. Do arco musical originaram-se a Harpa, a Cítara e o violão entre outros. Em torno dele pairam lendas e superstições. Entre os Covas do México, o arco musical é usado com a caixa de ressonância separada, que é um emblema sagrado da Deusa da lua e da terra e só as mulheres podem toca-lo. Na Rodésia, é tocado em ritual de iniciação das meninas. Os Washam Balás, do leste africano crêem que um homem não pode conseguir uma esposa se na hora em que ele estiver fazendo um arco musical, a sua corda se romper, pois sendo um objeto sagrado, isso não é um bom sinal. Na África Bantu existem várias lendas acerca do arco musical, e uma que já é bastante conhecida no Brasil é a da menina que transforma-se em berimbau. Segundo Curt Sachs, o arco musical foi um dos primeiros instrumentos a serem usados na intimidade e para induzir a meditação, sendo um instrumento sagrado apropriado para se por em contato com os espíritos. Para o africano, os instrumentos são seres dotados de alma, possuidores de força misteriosa e dignos de respeito. Há quem afirme que foram os egípcios que acrescentaram a caixa de ressonância ao arco musical. O arco musical se apresenta de diversas formas. No conjunto dos instrumentos musicais brasileiros, ele sem dúvida é de origem bantu, e que aos poucos vai ganhando cada vez mais espaço na musica popular brasileira, que até então estava confinado ao conjunto musical da capoeira, o que é ainda um enigma a ser desvendado pelos pesquisadores, sabe-se porém, que o termo Berimbau é derivado do Quimbundo – Mberimbau – (cf. Mendonça 1948: 329). Não devemos esquecer que o berimbau, aquele feito de metal, medindo 6 centímetros e que era tocado preso nos dentes já era bastante conhecido na Europa. Em Portugal esse instrumento foi comum desde antes de 1550. No Brasil, o termo foi usado com um modificador: Berimbau de barriga. Vários estudiosos enumeram muitos outros nomes para o berimbau de Barriga: gunga, rucungo mbolumbumba (Muilas), ngonga (Kimbundo), lucungo (Lundas-Quiocos), rucumbo (Lundas), hungo (Luanda), oburububa (Benguelas), nhungo (Malange), bucumbumba, chikomba (Bosquimano), kindendo (Amboins), kariari (Quioco) urucungo, humbo e etc. Membranofones: Existe um tambor que não pertence a esse grupo, mas sim do grupo dos idiofones. O Mondo é um tambor interessante pela construção e pela função, ele é totalmente de madeira, em peça única e destina-se à transmissão de mensagens, por um processo de tamborilada. Pode ser ouvido há vários quilômetros de distancia. É encontrado na maior parte das etnias do norte de Angola. No Candomblé, os atabaques possuem papel especial. Os inquices e as filhas de Santo quando entram no salão dançando, reverenciam primeiro os tambores. O três atabaques: Run – o mais grave, que ao contrário de outras formações percussivas, onde os instrumentos graves é que sustentam a base, o Run é que varia e fala mais. O Rumpi, que é o atabaque do meio, faz as vezes de intermediario, auxiliando na fala, mas mantendo a marcação. O Lê que é o menor e mais agudo, faz a marcação rítmica. Certamente o atabaque foi o primeiro instrumento da capoeira. Os cantos Bantus tem necessidade, alem dos instrumentos, dum solista. A letra é variável para cada ocasião, abordando por temas: fatos de momento, saudades da terra natal, ou simples acontecimentos e canções de trabalho. Em relação aos traços musicais bantus detectados no cenário musical brasileiro, além do agogô para o qual pode ser estabelecidas semelhanças na natureza de seu uso, ritual/ profano entre a África negra e a sociedade brasileira, o berimbau, o caxixi e o padrão rítmico de divisão de tempo de 4 pulsações sofreram mudanças na forma de uso.Os Pandeiros são constituídos por um aro de madeira de jenipapo, com espaços laterais para os chuás ou platinelas de metal e um tímpano de couro de carneiro em um dos lados. Quando for quadrado recebe o nome de Adufe. O pandeiro é usado na marcação ritmica da capoeira, seguindo a marcação do atabaque. Apesar de ser apontado como sendo de origem africana, há estudiosos que afirmam que é um antigo instrumento da India. Foi usado em cerimonias religiosas pelos hebreus e ibéricos. Afirmam ainda que entrou no Brasil pelas mãos dos portugueses em 13 de julho de 1549 na Bahia. Em Cuba, é um importante instrumento na liturgia nagô, havendo até pandeiros especiais para orixás.
Os Idiofones: No Brasil, mesmo com a industrialização, muitos instrumentos conservaram sua estrutura organológica característica, o que facilita a tarefa de remontar as suas origens. Mas, vários instrumentos são amplamente difundidos entre tribos africanas, e cuja origem não poderiam ser atribuídas à região banta (Zaire – Angola). Um destes instrumentos é a Campânula Dupla de tons altos (pequenos) e de tons baixos ( largos), presa nas extremidades de uma haste metálica curvada (o agogö). Este tipo de campânula comum na África é conhecido entre os Bakongos do Zaire com o nome de Ngongi, e com o nome gerundial de Nkobu entre os Lubas. No Brasil adaptou o nome iorubano de Agogô. Independente da orquestração em que aparece (religioso ou popular), em algumas regiões, o agogô cumpre uma função única de dar um motivo rítmico contrapontístico de acordo com o tambor. Já na região dos Ashanti, em Gana, o agogô é usado em número de dois ou três, de diferentes tonalidades, criando assim um acompanhamento harmônico e rítmico para a melodia vocal e ao mesmo tempo servindo como marcador de divisão de tempo ( time line) para toda a composição. Para o curandeiro, o agogô é um valioso instrumento para suas invocações.Entretanto, suas funções não tem sido modificadas; ele continua a dar os padrões rítmicos básicos, tanto nos conjuntos religiosos como nos conjuntos populares.Muito generalizado na metade norte de Angola, o agogô é um antigo instrumento real e ocorre muito em culturas aristocraticas, recebe o nome nativo de Gongue ou Gongo, embora existam outras denominações como Xigongo, Lubembe . É feito de ferro e as vezes de cobre.O Gongue é constituído por duas campânulas unidas por um elo metálico em forma de U que as coloca uma ao lado da outra. É feito com o cuidado de manter certa diferença de som entre uma campânula e outra. É tangido com uma varinha de madeira dura.
Peça de feição primária e que se encontra por toda Angola é o RECO-RECO. Confeccionados de palmeira de ráfia na África, no Brasil são geralmente feitos de gomos do bambu onde fazemos incisões transversais por onde fricciona-se um pauzinho para se obter o efeito sonoro emitindo um som rascante e monótono. Aqui no Brasil são feitos normalmente de bambus, cabaças afiladas e até de madeira torneada para o universo musical da capoeira. Mas há reco-recos de metal usados nas escolas de samba. Pode-se até admitir a origem africana do reco-reco, mas o Maestro Heitor Vilalobos achava que é o mesmo ru-ru dos índios e que os portugueses chamavam rekereke. Em Luanda e outros pontos do litoral, alguns reco-recos possuem duas áreas denteadas, produzindo um som mais brando ou mais forte. Há registro de reco-recos (1846, Tito Omboni) que atingem a altura do tocador( África Ocidental). Em Cabinda, o reco-reco é muito tocado pelas mulheres. Outro instrumento amplamente conhecido na África é o Chocalho de cesto, que sobreviveu no Brasil com o nome de Caxixi e em sua forma menor, associada com o conjunto musical da capoeira tradicional e também com o candomblé (Angola, Gege-nagô, caboclo, Keto.) Um de seus traços físicos mais característicos é a base feita com um pedaço de cabaça donde sobe tiras de vime que entrançarão nas espiras. Geralmente são manufaturados pelo desenvolvimento de uma tira de vime ou junco em espiral ligeiramente decrescente, uma alça no final. Na capoeira, onde é muito usado junto com o arco musical (berimbau), o caxixi duplica o padrão rítmico dado pela baqueta na haste metálica do arco, e dá ornamentações rítmicas entre o ritmo básico marcado no arco. "
Usualmente se diz que na orquestra da capoeira existem 8 instrumentos: 3 berimbaus, 2 pandeiros, 1 reco reco, 1 agogö e 1 atabaque. Na verdade são 11 instrumentos, ja que os caxixis são de fato importantes na orquestra da capoeira.
A musica africana apresenta um caráter profundamente associado a todas as suas manifestações de vida. Uma vez divorciados de seu conjunto vital, os elementos musicais sofreram uma mutação conceitual tradicional banta para à popular brasileira. Angola participou largamente nos fundamentos culturais da música brasileira, por intermedio dos bantus fixados na Bahia. No começo da República, quase todos os maestros de Bandas de musica eram angolanos. Os instrumentos de sopro foram introduzidos por eles na música brasileira e americana. Segundo Oneyda Alvarenga, o que se tem de negro na musica popular brasileira é:
a) Estrofe poético-musical improvisada, seguida de refrão fixo.
b) Forma poético-musical constituída por um verso único, seguido de refrão curto.
c) Quebra de quadratura melódica por vários processos.
d) Cantos de rituais afro brasileiros que usam uma escala abaixada, de escalas pentafonicas e hexacordais.
e) Elemento coreográfico único: a umbigada.
f) Grande numero de instrumentos de percussão
g) A marimba e o berimbau
h) Criação de danças dramaticas: congadas, alto do bumba meu boi, cucumbis, taieiras e etc.
No início do século XX eram raros os estudos sobre os povos africanos bantus. Os progressos técnicos ajudaram muito na fixação de musica gravada, já que não adiantava muito ter somente a letra e não ter a musica. O processo de recolha começou mesmo com os discos fonográficos (agradeço se algum leitor quiser mandar mais informações sobre gravações fonograficas). Ao mesmo tempo eram raras as recolhas de instrumentos musicais. A grande liberdade do sentido tonal, ao mesmo tempo plástica e fixa, apresenta-se como característica geral do mundo bantu. As canções bantus , mesmo que insistindo num determinado tema, eram todas de improvisação. Dominam melhor as técnicas percutidoras.Vários são os elementos musicais existentes na música popular brasileira que tem origem banta: a presença de 4 pulsos no início do surgimento do samba, e de 16 pulsos time lines no samba que é tocado atualmente.
Os Cordofones - O mais primário instrumento de corda existente no inventario musical angolano é o monocórdio ou Arco Musical. Há fortes evidencias de que o arco musical já estava em uso por volta de 15 000 a.C., de acordo o Harvard Dictionary of Music ( Pag. 551-552, 1970.) Como vemos, é um dos mais primitivos instrumentos musicais. Pode ser encontrado fazendo parte de inúmeras culturas no mundo: Novo México; Patagônia; África; Brasil e outros.Há diversas variedades. O simples arco de caça, amarrado ao meio que o divide em duas partes, é um tipo, onde o tocador coloca uma ponta no chão e a outra na boca, que servirá de caixa de ressonância, enquanto percute com uma varinha. Entre os bantus existe uma forma especifica, em que a cabaça permanece presa por um barbante ao próprio arco. Variam muitos os modelos, e pela grande variedades de línguas, variam muito os nomes. Um modelo de arco musical é o Cambulumbumba, que é tocado por 3 músicos. O arco continua a ser de caça, que serve de arco bocal e também como arco de cabaça, mas a caixa de ressonancia é uma grande metade de cabaça que fica emborcada no chão. Palavra banta, cuja raiz mbulumbumba é comum na designação de algumas espécies de arcos musicais. É um instrumento infantil para os bantus. Do arco musical originaram-se a Harpa, a Cítara e o violão entre outros. Em torno dele pairam lendas e superstições. Entre os Covas do México, o arco musical é usado com a caixa de ressonância separada, que é um emblema sagrado da Deusa da lua e da terra e só as mulheres podem toca-lo. Na Rodésia, é tocado em ritual de iniciação das meninas. Os Washam Balás, do leste africano crêem que um homem não pode conseguir uma esposa se na hora em que ele estiver fazendo um arco musical, a sua corda se romper, pois sendo um objeto sagrado, isso não é um bom sinal. Na África Bantu existem várias lendas acerca do arco musical, e uma que já é bastante conhecida no Brasil é a da menina que transforma-se em berimbau. Segundo Curt Sachs, o arco musical foi um dos primeiros instrumentos a serem usados na intimidade e para induzir a meditação, sendo um instrumento sagrado apropriado para se por em contato com os espíritos. Para o africano, os instrumentos são seres dotados de alma, possuidores de força misteriosa e dignos de respeito. Há quem afirme que foram os egípcios que acrescentaram a caixa de ressonância ao arco musical. O arco musical se apresenta de diversas formas. No conjunto dos instrumentos musicais brasileiros, ele sem dúvida é de origem bantu, e que aos poucos vai ganhando cada vez mais espaço na musica popular brasileira, que até então estava confinado ao conjunto musical da capoeira, o que é ainda um enigma a ser desvendado pelos pesquisadores, sabe-se porém, que o termo Berimbau é derivado do Quimbundo – Mberimbau – (cf. Mendonça 1948: 329). Não devemos esquecer que o berimbau, aquele feito de metal, medindo 6 centímetros e que era tocado preso nos dentes já era bastante conhecido na Europa. Em Portugal esse instrumento foi comum desde antes de 1550. No Brasil, o termo foi usado com um modificador: Berimbau de barriga. Vários estudiosos enumeram muitos outros nomes para o berimbau de Barriga: gunga, rucungo mbolumbumba (Muilas), ngonga (Kimbundo), lucungo (Lundas-Quiocos), rucumbo (Lundas), hungo (Luanda), oburububa (Benguelas), nhungo (Malange), bucumbumba, chikomba (Bosquimano), kindendo (Amboins), kariari (Quioco) urucungo, humbo e etc. Membranofones: Existe um tambor que não pertence a esse grupo, mas sim do grupo dos idiofones. O Mondo é um tambor interessante pela construção e pela função, ele é totalmente de madeira, em peça única e destina-se à transmissão de mensagens, por um processo de tamborilada. Pode ser ouvido há vários quilômetros de distancia. É encontrado na maior parte das etnias do norte de Angola. No Candomblé, os atabaques possuem papel especial. Os inquices e as filhas de Santo quando entram no salão dançando, reverenciam primeiro os tambores. O três atabaques: Run – o mais grave, que ao contrário de outras formações percussivas, onde os instrumentos graves é que sustentam a base, o Run é que varia e fala mais. O Rumpi, que é o atabaque do meio, faz as vezes de intermediario, auxiliando na fala, mas mantendo a marcação. O Lê que é o menor e mais agudo, faz a marcação rítmica. Certamente o atabaque foi o primeiro instrumento da capoeira. Os cantos Bantus tem necessidade, alem dos instrumentos, dum solista. A letra é variável para cada ocasião, abordando por temas: fatos de momento, saudades da terra natal, ou simples acontecimentos e canções de trabalho. Em relação aos traços musicais bantus detectados no cenário musical brasileiro, além do agogô para o qual pode ser estabelecidas semelhanças na natureza de seu uso, ritual/ profano entre a África negra e a sociedade brasileira, o berimbau, o caxixi e o padrão rítmico de divisão de tempo de 4 pulsações sofreram mudanças na forma de uso.Os Pandeiros são constituídos por um aro de madeira de jenipapo, com espaços laterais para os chuás ou platinelas de metal e um tímpano de couro de carneiro em um dos lados. Quando for quadrado recebe o nome de Adufe. O pandeiro é usado na marcação ritmica da capoeira, seguindo a marcação do atabaque. Apesar de ser apontado como sendo de origem africana, há estudiosos que afirmam que é um antigo instrumento da India. Foi usado em cerimonias religiosas pelos hebreus e ibéricos. Afirmam ainda que entrou no Brasil pelas mãos dos portugueses em 13 de julho de 1549 na Bahia. Em Cuba, é um importante instrumento na liturgia nagô, havendo até pandeiros especiais para orixás.
Os Idiofones: No Brasil, mesmo com a industrialização, muitos instrumentos conservaram sua estrutura organológica característica, o que facilita a tarefa de remontar as suas origens. Mas, vários instrumentos são amplamente difundidos entre tribos africanas, e cuja origem não poderiam ser atribuídas à região banta (Zaire – Angola). Um destes instrumentos é a Campânula Dupla de tons altos (pequenos) e de tons baixos ( largos), presa nas extremidades de uma haste metálica curvada (o agogö). Este tipo de campânula comum na África é conhecido entre os Bakongos do Zaire com o nome de Ngongi, e com o nome gerundial de Nkobu entre os Lubas. No Brasil adaptou o nome iorubano de Agogô. Independente da orquestração em que aparece (religioso ou popular), em algumas regiões, o agogô cumpre uma função única de dar um motivo rítmico contrapontístico de acordo com o tambor. Já na região dos Ashanti, em Gana, o agogô é usado em número de dois ou três, de diferentes tonalidades, criando assim um acompanhamento harmônico e rítmico para a melodia vocal e ao mesmo tempo servindo como marcador de divisão de tempo ( time line) para toda a composição. Para o curandeiro, o agogô é um valioso instrumento para suas invocações.Entretanto, suas funções não tem sido modificadas; ele continua a dar os padrões rítmicos básicos, tanto nos conjuntos religiosos como nos conjuntos populares.Muito generalizado na metade norte de Angola, o agogô é um antigo instrumento real e ocorre muito em culturas aristocraticas, recebe o nome nativo de Gongue ou Gongo, embora existam outras denominações como Xigongo, Lubembe . É feito de ferro e as vezes de cobre.O Gongue é constituído por duas campânulas unidas por um elo metálico em forma de U que as coloca uma ao lado da outra. É feito com o cuidado de manter certa diferença de som entre uma campânula e outra. É tangido com uma varinha de madeira dura.
Peça de feição primária e que se encontra por toda Angola é o RECO-RECO. Confeccionados de palmeira de ráfia na África, no Brasil são geralmente feitos de gomos do bambu onde fazemos incisões transversais por onde fricciona-se um pauzinho para se obter o efeito sonoro emitindo um som rascante e monótono. Aqui no Brasil são feitos normalmente de bambus, cabaças afiladas e até de madeira torneada para o universo musical da capoeira. Mas há reco-recos de metal usados nas escolas de samba. Pode-se até admitir a origem africana do reco-reco, mas o Maestro Heitor Vilalobos achava que é o mesmo ru-ru dos índios e que os portugueses chamavam rekereke. Em Luanda e outros pontos do litoral, alguns reco-recos possuem duas áreas denteadas, produzindo um som mais brando ou mais forte. Há registro de reco-recos (1846, Tito Omboni) que atingem a altura do tocador( África Ocidental). Em Cabinda, o reco-reco é muito tocado pelas mulheres. Outro instrumento amplamente conhecido na África é o Chocalho de cesto, que sobreviveu no Brasil com o nome de Caxixi e em sua forma menor, associada com o conjunto musical da capoeira tradicional e também com o candomblé (Angola, Gege-nagô, caboclo, Keto.) Um de seus traços físicos mais característicos é a base feita com um pedaço de cabaça donde sobe tiras de vime que entrançarão nas espiras. Geralmente são manufaturados pelo desenvolvimento de uma tira de vime ou junco em espiral ligeiramente decrescente, uma alça no final. Na capoeira, onde é muito usado junto com o arco musical (berimbau), o caxixi duplica o padrão rítmico dado pela baqueta na haste metálica do arco, e dá ornamentações rítmicas entre o ritmo básico marcado no arco. "
Usualmente se diz que na orquestra da capoeira existem 8 instrumentos: 3 berimbaus, 2 pandeiros, 1 reco reco, 1 agogö e 1 atabaque. Na verdade são 11 instrumentos, ja que os caxixis são de fato importantes na orquestra da capoeira.
Nzinga Muleeke
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Panela de pressão!
Um dia desses, atendendo pedido de Nalva, pessoa que ajuda a gente em casa todas as quintas feira, comprei uma panela de pressão. Uma dessas bem bacana e cara! Pois bem, cheguei em casa com a nova aquisiçäo ja perto do final da jornada dela. Fiz a devida apresentaçäo do produto enquanto o desembalávamos. Ela achou demais, ja que tinha visto em uma revista. Bom, aproveitei o momento e presenteei-a com a panela de pressäo velha. Ela adorou o presente e o colocou dentro da caixa da panela nova, ja que esta iria para a reciclagem. Seguiu seu caminho a pé em direçäo à sua casa, que fica no bairro vizinho ao meu, levando aquela caixa enorme à tiracolo. Assim que entrou em seu bairro, encontrou uma amiga que foi logo lhe dizendo:
- nossa Nalva! que panela bacana! Quanto foi esta panela~ perguntou ela.
Ai Nalva lhe respondeu:
- nem sei, acabei de ganhar de presente.
- Uau! que presente bacana, benza Deus! Disse a amiga, que seguiu o seu caminho... Nalva andou mais um pouco e parou na casa loterica para fazer uma fezinha na mega-sena. Ficou na fila tempo suficiente para ser novamente interpelada por outra pessoa lhe perguntando sobre a caixa da panela:
- Nalva, voce tá podendo mesmo! Comprar uma panela dessas é prá quem pode e näo prá quem quer!
Charlando, Nalva respondeu:
- acabei de ganhar de presente. Aí, seguiu seu caminho e chegou em casa. Colocou a caixa em cima da mesa e foi tomar banho. Neste momento, chega à sua casa, o seu namorado. Quando vê a caixa, começa a resmungar:
- Desse jeito näo tem quem consiga economizar dinheiro para outros projetos futuros. Como é que alguem tem coragem de gastar um dinheiräo com uma panela chic dessas, dizia ele quase revoltado, apesar de o dinheiro ser fruto do trabalho dela. Nalva ouvindo lá de dentro, continuou calada até na hora em que saiu do banheiro e pode lhe explicar a origem do pacote:
- Olha, esta é uma panela usada que eu ganhei de presente e apenas a coloquei dentro desta caixa. A filha dela que chegou logo em seguida, tambem achou um pouco demais para as suas condiçöes atuais, uma panela daquelas. Aí entäo, teve que ouvir todas as explicaçöes. À medida que a historia ia rendendo, as gargalhadas aumentavam. Quando ela pode me contar toda a historia, eu achei engraçada demais. Cogitamos até que ela corria risco de ser sequestrada em seu bairro em virtude do pacote chic. Dias depois, abri um crediario para adquirir uma TV LCD e quando desempacotei-a em casa, a caixa foi oferecida à Nalva, que recusou peremptoriamente por achar que se chegasse no seu bairro com aquela caixa de tv, depois do disse me disse que rolou da caixa da panela, ela entraria na lista das sequestraveis do bairro e ainda teria problemas na familia. Demos muitas risadas juntos com essa historia das caixas. Pensei até em um roteiro de filme. Teria todos os elementos para uma trama legal. Imaginem! A foto näo tem absolutamente nada a ver com o texto, mas mesmo assim vai de brinde, para pensarmos no circulo e percebermos quäo perto está o Fim do Começo e, como nem täo proximos estäo quando a relaçäo é inversa. Ou seja, o começo quase nunca está perto do fim...
- nossa Nalva! que panela bacana! Quanto foi esta panela~ perguntou ela.
Ai Nalva lhe respondeu:
- nem sei, acabei de ganhar de presente.
- Uau! que presente bacana, benza Deus! Disse a amiga, que seguiu o seu caminho... Nalva andou mais um pouco e parou na casa loterica para fazer uma fezinha na mega-sena. Ficou na fila tempo suficiente para ser novamente interpelada por outra pessoa lhe perguntando sobre a caixa da panela:
- Nalva, voce tá podendo mesmo! Comprar uma panela dessas é prá quem pode e näo prá quem quer!
Charlando, Nalva respondeu:
- acabei de ganhar de presente. Aí, seguiu seu caminho e chegou em casa. Colocou a caixa em cima da mesa e foi tomar banho. Neste momento, chega à sua casa, o seu namorado. Quando vê a caixa, começa a resmungar:
- Desse jeito näo tem quem consiga economizar dinheiro para outros projetos futuros. Como é que alguem tem coragem de gastar um dinheiräo com uma panela chic dessas, dizia ele quase revoltado, apesar de o dinheiro ser fruto do trabalho dela. Nalva ouvindo lá de dentro, continuou calada até na hora em que saiu do banheiro e pode lhe explicar a origem do pacote:
- Olha, esta é uma panela usada que eu ganhei de presente e apenas a coloquei dentro desta caixa. A filha dela que chegou logo em seguida, tambem achou um pouco demais para as suas condiçöes atuais, uma panela daquelas. Aí entäo, teve que ouvir todas as explicaçöes. À medida que a historia ia rendendo, as gargalhadas aumentavam. Quando ela pode me contar toda a historia, eu achei engraçada demais. Cogitamos até que ela corria risco de ser sequestrada em seu bairro em virtude do pacote chic. Dias depois, abri um crediario para adquirir uma TV LCD e quando desempacotei-a em casa, a caixa foi oferecida à Nalva, que recusou peremptoriamente por achar que se chegasse no seu bairro com aquela caixa de tv, depois do disse me disse que rolou da caixa da panela, ela entraria na lista das sequestraveis do bairro e ainda teria problemas na familia. Demos muitas risadas juntos com essa historia das caixas. Pensei até em um roteiro de filme. Teria todos os elementos para uma trama legal. Imaginem! A foto näo tem absolutamente nada a ver com o texto, mas mesmo assim vai de brinde, para pensarmos no circulo e percebermos quäo perto está o Fim do Começo e, como nem täo proximos estäo quando a relaçäo é inversa. Ou seja, o começo quase nunca está perto do fim...
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