quinta-feira, 30 de abril de 2009
Salve Jorge!
Sou de uma familia de 12 irmãos. Sou o 9º na escala decrescente. Sei a data de aniversario de apenas alguns. Sou bom em nomes,tanto que sei os nomes delas e deles todos, mas em datas já não sou tão bom assim. Falo disso para contar uma pequena historia a respeito do dia da primeira aula aqui em Salvador. Era uma terça feira. Me lembro bem que estavam lá Christine Zonzom, Adriana e talvez uma ou duas pessoas mais. A sala que usamos no primeiro ano e meio, ficava no terraço da casa de minha irmã Petinha(não me lembro a data do aniversario dela). Era uma sala decente, porém ficava num bairro classe media bem fora de mão e que dava o maior trabalho para chegar lá, apesar de ser proximo da orla para quem chegava de carro. Tinha-se que caminhar muito da orla ate lá ou então esperar longo tempo pelo ônibus que parava praticamente na porta do espaço. Então, neste dia, 23, voltava eu da aula, exultante pela inauguração do Proto-Nzinga em Salvador. Sem lembrar que aquele era o dia de S. Jorge, pensava enquanto dirigia que talvez fosse uma boa ideia colocar como a data de fundação o dia 22 de abril, dia do descobrimento do Brasil. Cheguei a lamentar o fato de não ser feriado. E fui viajando nestas besteiras em direção à casa de Teresa, minha mãe (01/10/29)que fica no fim de linha do bairro popular do Engenho Velho de Brotas. Aconteceu que quando estava chegando lá, tava o maior foguetorio do mundo e muitas pessoas na rua festejando. Aí a ficha caiu e eu caí na real! Fui obrigado por forças maiores que as minhas a estacionar o carro no Largo e participar dos festejos. Encontrei com alguns amigos dos tempos dos babas e bebemoramos aquele momento e aquele dia. Salve Jorge!
As nossas primeiras rodas aconteceram lá muito por causa da ajuda da FICA, que comparecia em bloco. O pessoal do Zimba dava umas passadas lá. Digamos que tenha sido um periodo dificil. Bom, mudamos para o Idearium no segundo semestre de 2003 e ficamos lá até o segundo semestre de 2005. O Idearium fica exatamente em frente à igreja de Santana e da Casa de Yemanjá no Rio Vermelho. Tinhamos vista para o mar e muitas janelas. O salão era mais espaçoso que o do STIEP. Estavamos literalmente aos pés da Sereia e dentro da muvuca da noite do Rio Vermelho, a mais quente da cidade. Foram tempos melhores. Lá era caminho para todos os lugares e a frequencia aumentou substantivamente. Fizemos o duplo lançamento da revista Toques D'Angola sobre o Antirracismo e sobre a Africa, com as presenças dos Mestres Pelé, Gildo Alfinete, Cobra Mansa, Jurandir e com a casa totalmente lotada. Recebemos a visita do mestre João Grande por duas vezes. Fizemos forrós e rezas de Santo Antonio. O que tinha de problemas lá é que era um espaço de festas e de bar. Espiritualmente falando, não era o melhor lugar. Antes de mudarmos para o Idearium, procurei sala no Alto da Sereia e achei a que hoje temos, só que estava alugada para uma academia de musculação, dessas bem populares. Falei com o dono da sala, Cacareco, que se algum dia a academia saisse, que era para ele me ligar que eu sairia na hora de onde estivesse para ir para lá, pois a ideia de atuar em comunidade era uma meta. E assim foi. Tudo se encaixando e se encadeando de modo que fomos parar onde estamos agora. A Nzo a Longo Ngola, tem sido a casa de aprendizagem para muita gente: os adultos e as crianças da comunidade do Alto da Sereia. Pois é, na semana passada completamos 7 anos de vida em Salvador, na quinta 23. Fizemos mais uma roda cheia de beleza e encantos, seguida por uma festinha basica regrada a forró e muita criança dançando. Em nossas festas, não sei quem dança mais, se as crianças ou adultos. É uma duvida sadia! A qualidade de nosso trabalho foi amplamente reconhecida por quem é do meio e as nossas crianças e jovens viraram nosso principal estandarte. Na Nzo a Longo Ngola, tivemos a honra de receber novamente o mestre João Grande. Pelo quarto ano seguido, fazemos uma grande roda de capoeira no dia 2 de fevereiro, reunindo grande numero de mestres e de capoeiristas, seguido de cortejo do Balaio até a casa de yemanjá para de lá seguir para o mar. Temos tido muitas alegrias e o reconhecimento da comunidade.
Finalizo com a Oração para São Jorge:
Eu ando vestido com vossas armas para que
Meus inimigos, tendo pés, não me alcancem.
Tendo mãos, não me peguem
Tendo olhos, não me enxerguem,
E nem pensamentos possam ter
Para me fazerem mal,
Armas de fogo meu corpo não alcançarão
Facas e lanças se quebrem
Sem ao meu corpo chegar
Cordas e corrente se arrebentem
Sem o meu corpo amarrar.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus,
Estendei vosso escudo e
Vossas poderosas armas
Defendendo-me com vossa força e grandeza!
Salve Jorge!
quinta-feira, 26 de março de 2009
Luz, camera, ação!
Ontem, tivemos no Nzingasalvador um treino diferente, ou melhor, igual. Vou explicar: eu e a Janja fizemos a aula normal. A diferença é que tinham 2 equipes de filamgens trabalhando e compatilhando os mesmos holofotes. Uma das equipes era da parte do mestre Joãozinho de bh ou João monge ou João espiritual... Estavam em Salvador para gravarem cenas de um importante documentario abordando a volta que o mundo dá com a capoeira, ou coisa parecida. Antes de ontem, eles gravaram com o mestre Moraes. Estavam esperando o mestre Cobra Mansa voltar para a capital, para tambem grava-lo. Entrevistaram o muleeke Leo. A outra equipe era de um canal de tv da Coreia do Sul que tava recolhendo imagens e sons da cultura popular. A tarde tinham gravado com meu irmão Gereba e seu violão, e quem intermediou o contato com a gente. Esses, entrevistaram o muleeke Antonio. Contando ainda com as entrevistas da mestra Janja. Para fechar a aulinha, uma rodinha basica de 30 minutos. A ação foi boa, apesar das luzes e cameras.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Gerações na capoeira!
Gostaria de saudar pelo nome, alguns mestres antigos que já tive o prazer de ver em ação, de outros nem tão antigos e de alguns jovens. Em todos estes busco inspiração para jogar e viver, viver e jogar! Pude ver e jogar com os bambas da capoeira angola. Com alguns deles, joguei nos meus primeiros passos de angoleiro e na inocencia de iniciante. Outros, só tive o prazer de ver cantar e fazer uma pequena mandinga, como foi o caso de Mestre Valdemar poucos meses antes de morrer, quando esteve no GCAP, acompanhado pelos mestres João Grande, Gaguinho, Fernando (que tocava berimbau no CECA de Pastinha) e Cobra Mansa. Me lembro como se fosse hoje de uma das rodas que fazíamos em domingos alternados, à tarde no Forte de Santo Antonio. Tenho fotos deste dia. Chegaram todos juntos! Houve uma pequena agitação no ambiente, enquanto os mestres faziam poses para as fotos. Depois, eles arrodearam a roda e o velho mestre cantou uma de suas famosas ladainhas, quando então, ao termina-la, entrou na roda e deu uma mandingada ao pé do berimbau e depois retornou para sentar. Foi só isso e isso foi tudo! A emoção foi grande naquele momento. Foi como se estar numa mata e sentir o vento soprar nas folhas provocando um barulhinho bom. Foi como se eu de repente tivesse percebido a natureza se expressando pela capoeira. "A capoeira angola é uma especie de natureza"(J. Pequeno). São essas sensações que quardo daquele dia em que fiquei lado a lado com o velho mestre Valdemar, mourão da tradição angoleira em uma de suas ultimas aparições publicas. O Dono do Barracão. Era expoente de uma outra escola angoleira, tão legítima quanto a do mestre Pastinha. O capoeirista que inventou a pintura em berimbaus e que por isso foi muito criticado na época. Assim como o foi Pastinha, quando na época ressaltou os princípios da "não-violencia" e interpretou os princípios filosóficos da capoeira angola. Ngunzo para os Mestres:
+Valdemar da Liberdade
+Bobó
+Zacarias
+Caiçara
+Canjiquinha
+Paulo dos Anjos
+Bom Cabrito
+Dois de Ouro
+Gerson Quadrado
+Ezequiel
+Di Mola
+Leopoldina
+Caiçara
-João Pequeno
-João Grande
-Curió
-Bigodinho
-Boca Rica
-Pelé da Bomba
-Brandãozinho
-Gaguinho
-Bigu
-Ananias
-Gagé
-Bola Sete
-Moraes
-Lua de Bobó
-Lua Rasta
-Jorge Saélite
-Renê
-Zé do Lenço
-Marco Aurélio (RJ)
-Braga (RJ)
-Neco (RJ)
-Zé Carlos (RJ)
-Angolinha (RJ)
-Rogerio (BH)
-Jurandir (BH)
-Cobra Mansa (BH)
-Mano (RJ)
-Lumumba (RJ)
-Manoel (RJ)
-Jogo de Dentro
-Barba Branca
-Roberval
-Rosalvo
-Laercio
-Gabriel
-Faisca
-Pé de Chumbo
-Mano (RJ)
-Lumumba (RJ)
-Valmir
-Poloca
-Janja
-Paulinha
-Boca do Rio
-Jararaca
-Elma
+Valdemar da Liberdade
+Bobó
+Zacarias
+Caiçara
+Canjiquinha
+Paulo dos Anjos
+Bom Cabrito
+Dois de Ouro
+Gerson Quadrado
+Ezequiel
+Di Mola
+Leopoldina
+Caiçara
-João Pequeno
-João Grande
-Curió
-Bigodinho
-Boca Rica
-Pelé da Bomba
-Brandãozinho
-Gaguinho
-Bigu
-Ananias
-Gagé
-Bola Sete
-Moraes
-Lua de Bobó
-Lua Rasta
-Jorge Saélite
-Renê
-Zé do Lenço
-Marco Aurélio (RJ)
-Braga (RJ)
-Neco (RJ)
-Zé Carlos (RJ)
-Angolinha (RJ)
-Rogerio (BH)
-Jurandir (BH)
-Cobra Mansa (BH)
-Mano (RJ)
-Lumumba (RJ)
-Manoel (RJ)
-Jogo de Dentro
-Barba Branca
-Roberval
-Rosalvo
-Laercio
-Gabriel
-Faisca
-Pé de Chumbo
-Mano (RJ)
-Lumumba (RJ)
-Valmir
-Poloca
-Janja
-Paulinha
-Boca do Rio
-Jararaca
-Elma
domingo, 22 de março de 2009
Tradição e Filosofia!


No dia 12 de março, quinta feira, fui ver o lançamento do livro “Mestre e Capoeiras famosos da Bahia”de autoria do professor Dr. Pedro Abib, da Faculdade de Educação da Ufba e, tambem aluno do mestre João Pequeno de Pastinha. Não pude deixar de notar a ausência dos velhos mestres, inclusive retratados neste livro. Mestre João Pequeno, mestre Boca Rica e mestre Pelé da Bomba estavam lá.
Mesmo sem ainda ter lido o livro de Pedro, sei que se trata de um documento importantíssimo para a historia da capoeira pois, estão lá, os nossos heróis, personagens que já passaram por esta vida e que nós não sabemos absolutamente nada de suas trajetórias na capoeiragem, e de outros que já se foram mas, felizmente tivemos a oportunidade de conviver com eles em algumas ocasiões.
Lembro-me de quando no inicio de janeiro deste ano, fui assistir tambem no Forte de Santo Antonio, ao lançamento do dvd sobre a vida do mestre Pelé, e lá também não tinha um mestre antigo sequer. Nem mesmo os que normalmente tem os seus espaços dentro daquele forte foram lá prestigiar este evento. O próprio mestre me confidenciou que estava sentido com aquilo... Nestas situações, nós, da nova geração da capoeira angola, sentados humildemente nas filas posteriores de cadeiras, guardando exatamente o lugar dos "velhos mestres", somos requisitados temporariamente para compor o staff de convidados do evento. É importante também, porque assim como nós estamos entrando na fase adulta admirando e respeitando os “seniors”, tem os que estão nascendo e os que estão na primeira infância e que precisam ver todos os anteriores para que, sob amplos horizontes, cresçam. Claro que também é importante para os mais velhos assistirem e acompanharem, mesmo que seja à distancia, a trajetória e caminhos dos mais novos, para que possam reconhece-los no futuro enquanto angoleiros. Estou falando aqui de Tradição na Capoeira Angola. Apesar de ter afirmado acima que sou apenas um jovem na capoeira, já deu de ver muitas coisas que no começo não dava nem para imaginar. Por exemplo, aluno de um determinado grupo ser coordenador de grupo, aqui ou em qualquer lugar, jamais! Nem pensar numa coisa dessas! Hoje, quase 30 anos depois, não passa de uma coisa trivial, inclusive no berço sagrado da capoeira, onde nascem os camaradas... Tudo bem, tudo bem! Para quem foi quase extinta como foi a Capoeira Angola, o momento era e ainda é de expansão, mas por outro lado, tenho receio de cair na ideia maquiavelica de “os fins justificarem os meios” e isso não pega bem, e se não pega bem, pega mal. A Filosofia Pastiniana quase que é completamente desconhecida. Hoje em dia, é importante que nos reportemos muito mais à sabedoria do velho Pastinha, para tentar fazer e ensinar a capoeira angola que ele preconizou , e que por isso até foi discriminado na época, principalmente pelo que propôs no plano conceitual. Que é onde acho que existem as maiores duvidas das varias escolas de capoeira. Principalmente se pensarmos que o numero de golpes na capoeira nem é tão grande assim. Natural será achar que os golpes são a parte mais fácil desta arte angoleira e é isso que os alunos que assumem as responsabilidades de coordenar núcleos pelo mundo afora tem feito. Uns com muito mais competência que outros por terem convivido mais tempo com os seus mestres e terem acumulado mais fundamentos da filosofia do jogo. Nesse aspecto, os casos de alunos estrangeiros desempenhando esse papel amplia a problemática, pois alguns nunca sequer vieram aqui na Bahia ou no Brasil , para dar sentido às varias coisas aprendidas nesse universo capoeiristico, impregnado pelo modo ver o mundo da cultura africana, ao mesmo tempo em que teêm dificuldades de querer aprender a serem pequenos antes de querer aprender a serem grandes. O que vemos então, no exterior, é uma supervalorização do aspecto marcial em detrimento de vários outros aspectos contidos nas amplas e numerosas definições de capoeira angola.
Lembro-me de quando no inicio de janeiro deste ano, fui assistir tambem no Forte de Santo Antonio, ao lançamento do dvd sobre a vida do mestre Pelé, e lá também não tinha um mestre antigo sequer. Nem mesmo os que normalmente tem os seus espaços dentro daquele forte foram lá prestigiar este evento. O próprio mestre me confidenciou que estava sentido com aquilo... Nestas situações, nós, da nova geração da capoeira angola, sentados humildemente nas filas posteriores de cadeiras, guardando exatamente o lugar dos "velhos mestres", somos requisitados temporariamente para compor o staff de convidados do evento. É importante também, porque assim como nós estamos entrando na fase adulta admirando e respeitando os “seniors”, tem os que estão nascendo e os que estão na primeira infância e que precisam ver todos os anteriores para que, sob amplos horizontes, cresçam. Claro que também é importante para os mais velhos assistirem e acompanharem, mesmo que seja à distancia, a trajetória e caminhos dos mais novos, para que possam reconhece-los no futuro enquanto angoleiros. Estou falando aqui de Tradição na Capoeira Angola. Apesar de ter afirmado acima que sou apenas um jovem na capoeira, já deu de ver muitas coisas que no começo não dava nem para imaginar. Por exemplo, aluno de um determinado grupo ser coordenador de grupo, aqui ou em qualquer lugar, jamais! Nem pensar numa coisa dessas! Hoje, quase 30 anos depois, não passa de uma coisa trivial, inclusive no berço sagrado da capoeira, onde nascem os camaradas... Tudo bem, tudo bem! Para quem foi quase extinta como foi a Capoeira Angola, o momento era e ainda é de expansão, mas por outro lado, tenho receio de cair na ideia maquiavelica de “os fins justificarem os meios” e isso não pega bem, e se não pega bem, pega mal. A Filosofia Pastiniana quase que é completamente desconhecida. Hoje em dia, é importante que nos reportemos muito mais à sabedoria do velho Pastinha, para tentar fazer e ensinar a capoeira angola que ele preconizou , e que por isso até foi discriminado na época, principalmente pelo que propôs no plano conceitual. Que é onde acho que existem as maiores duvidas das varias escolas de capoeira. Principalmente se pensarmos que o numero de golpes na capoeira nem é tão grande assim. Natural será achar que os golpes são a parte mais fácil desta arte angoleira e é isso que os alunos que assumem as responsabilidades de coordenar núcleos pelo mundo afora tem feito. Uns com muito mais competência que outros por terem convivido mais tempo com os seus mestres e terem acumulado mais fundamentos da filosofia do jogo. Nesse aspecto, os casos de alunos estrangeiros desempenhando esse papel amplia a problemática, pois alguns nunca sequer vieram aqui na Bahia ou no Brasil , para dar sentido às varias coisas aprendidas nesse universo capoeiristico, impregnado pelo modo ver o mundo da cultura africana, ao mesmo tempo em que teêm dificuldades de querer aprender a serem pequenos antes de querer aprender a serem grandes. O que vemos então, no exterior, é uma supervalorização do aspecto marcial em detrimento de vários outros aspectos contidos nas amplas e numerosas definições de capoeira angola.
Ouvi certa vez do mestre João Grande que "a capoeira é de quem quer aprender, mas tem que merecer". Nada vem de mão beijada...
sábado, 14 de março de 2009
Mestre Pelé nzingou!
Ontem, sexta feira 13, roda do Nzinga foi diferente. Deu 7 horas e lá não tinha quase nenhum adulto. Muitas crianças! Que alegria! Foram chegando e começamos atrasados. Já tinham rolado uns poucos jogos quando o mestre Pelé chegou com alguns alunos. Foi uma presença que trouxe um ngunzo especial à nossa Nzo a Longo. Ele é a maior presença, quem o conhece sabe disso. Cantou varias ladainhas, varios corridos novos ao nosso repertorio e no final ainda armou uma pequena roda de samba. Ele é um showman. Mas tambem tem as ranzizisses dos antigos. Interpreto como uma visita de reconhecimento ao trabalho que temos desenvolvido em Salvador.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Ça Vá!
Quando nos últimos dias de fevereiro desembarquei no Charles De Gaulle em Paris, a minha aluna Luna Vargas estava lá me esperando com a prontidão que todo mestre que ter das suas discípulas/os. Principalmente quando o mestre não falar a língua daquele pais. Mesmo sendo descolado, as vezes fico na maior tensão. Mais ainda quando a gente sabe que determinado pais tem histórico de preconceito e racismo. Nem falo tanto por mim, mas por outros companheiros de jogo que se aventuram pelos aeroportos no mundão de meu Deus e que , as vezes por falar pouco em sua própria lingua, não conseguem um nível satisfatório de comunicação e passam também por seus momentos de tensão. Ça vá, voltando à prontidão, estávamos indo de trem para o centro de Paris, eu e Luna, conversando muito, dando varias gargalhadas, coisa difícil em trens e metrôs da europa, quando lá na frente do vagão tinha uma mulher que a todo instante se virava para nos observar com uma cara amiga, quase sorridente também. A certa altura das risadas, ela exclamou em alto e bom tom: “como era gostoso ouvir a gente falando o português”... Aí a gente chamou-a para vir para junto e participar da conversa. Ela nem pestanejou, veio incontinente em nossa direção e aí notamos que ela carregava uma sacola. Sentou-se imediatamente atrás de mim, pois os assentos ao lado estavam ocupados com a minha bagagem. Nos apresentamos, o nome dela era Iolanda e ela tinha vindo de São Paulo. Estava virando a vida vendendo coxinha. Sim, a nossa coxinha de galinha era o produto que ela estava fazendo sucesso em Paris. Só isso já torna a simples coxinha numa coisa chic. Ça vá! Conversamos mais um pouco e ela foi nos contando que havia acabado de embarcar o filho dela para São Paulo. Ela tinha comprado duas garrafas de um bom vinho francês para mandar de presente para a sua mãe, só que o filho vacilou e não despachou nas malas. Na hora do embarque, as garrafas foram barradas. Medidas de segurança... Por isso Iolanda estava com o pacote nas mãos. A viagem foi longa e a conversa comprida. Lá pras tantas, ela me dá de presente os vinhos e me deseja boas vindas a Paris. Agradeceu a acolhida na conversa e desapareceu numa parada qualquer do percurso. Me senti abençoado e prestigiado pela sorte! A Luna não acreditou na forma como tudo aconteceu. Chegou até a esfregar o seu braço no meu para ver se a sorte pegava nela também. Essa foi a chegada. A saída também é digna de um relato. Sem querer tirar onda, foi quase apoteótico! No ultimo dia do estagio de capoeira, no dia 1 de março/09, depois que encerramos, fomos para um bar confraternizar com os participantes e com as pessoas que foram somente para a roda. Já tinha ido neste local durante o dia para tomar café com leite. Ça Vá! A noite, o tempo estava meio frio, 5 graus, e eu estava com a garganta detonada, rouco. Todos pediram cervejas, menos eu. Perguntei para os amigos, o que o trabalhador bebia depois de cumprir a sua jornada de trabalho decentemente, que era o meu caso. Congnac! Foi isso que comecei a bebericar. Falamos muito em capoeira. Depois mudamos de assuntos. Depois da primeira rodada, tinha um brasileiro com cidadania portuguesa que se aproximou da nossa turma para pedir licença para participar daquele encontro tão alegre e festivo. Foi mais um para engrossar o coro! Ele se ofereceu para pagar o meu congnac, e por extensão a cerveja da rapaziada toda. Era só o começo! A medida que fui bebendo os drinks, o choro da felicidade foi ficando cada vez mais fácil, o que era desejável... Rolou a sessão piadas. Aí então é que foi engraçado... Me lembrei de piadas antigas e históricas. Algumas que tinha aprendido com o mestre Moraes, notavel contador de historias. A essa altura todo o bar já tinha puxado as mesas e cadeiras para próximo da nossa e eu já sabia que todos falavam português. Ou melhor, que todos me entendiam. Aí, no quinto congnac, pedi permissão para contar umas piadas de português. Ao perguntar isso, parecia que eu já tinha contado uma piada, pois todos gargalharam muito. Entendi aquilo como sendo uma permissão. Antes porem, relembrei que em Portugal os brasileiros é que são as vitimas nas piadas...outra piada! Então comecei de fato. Contei varias! Todos estavam muito felizes e a essa altura, as cervejas da rapaziada nem sequer chegavam a metade, já que logo eram trocadas por novas, pois já era grande o numero de pessoas dispostas a pagar uma rodada. O sexto congnac foi oferecido pelo dono do bar, quando já estavamos de pé. Neste momento tambem me perguntou se eu tinha souvenirs para vender e terminou que me comprou dois berimbaus pequenos para movel. Teria ainda na fila uns 10 congnacs para tomar, mas tava chegando a hora de voltar para a casa e a saída não foi nada à francesa. Pelo contrario: todos na porta do bar pedindo para a gente ficar mais um pouco e tomar a saideira. Quase que foi difícil sair de lá...
terça-feira, 10 de março de 2009
Causo veridico!

Tava andando pelo mundo e um amigo me contou este causo totalmente veridico. Foi assim: o mundo capoeiristico estava consternado com a morte do grande M. Valdemar da Liberdade. Todos no enterro rumo à Quinta dos Lázaros no bairro do IAPI. Muitos mestres das mais diversos escolas. O finado mestre Ezequiel ia tocando o berimbau, e quem o conheceu sabe que ele tocava bem demais. O mestre Cobrinha, que ainda não tinha virado mestre Cobra Mansa, até que queria tocar tambem, mas se contentou em ir filmando aquele cortejo funebre com uma moderna maquina filmadora adquirida naqueles dias. Seguia sem perder nehum detalhe. Play, pause, play, pause... Finalmente o cortejo chegou ao cemiterio. O padre pronunciou as tradicionais palavras catolicas, depois teve mais ladainha e berimbau, até que chegou o momento de descer o caixão no buraco. Até aí tudo bem, o caixão já estava no fundo quando de repente uma das cordas usadas para fazer isso ficou presa embaixo dele e o mestre Ezequiel prontamente pisa com um dos dos pés de um lado e com o outro pé pisa do outro lado do buraco para apanhar a corda. Neste instante, uma das bordas do buraco cede e despenca em cima do caixão, levando junto o mestre Ezequiel. Muitos superticiosos de plantão, atribuem a este fato a morte precoce do mestre Ezequiel 6 meses depois. O mestre Cobra Mansa tem essa filmagem...A foto das crianças do Alto da Sereia para iluminar o nosso forum.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Iê, volta do mundo Camará!
Ano passado dei um giro por 5 cantos do mundo: Finlandia, Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos e Mexico. Este ano, acabei de retornar da Italia, Espanha e França. Como sou graduado em Geografia, não me faltam olhos para observar os elementos da paisagem: relevo, vegetação, clima, biodiversidade, oceanos e outros elementos, como por exemplo, os habitos e costumes, as relações humanas, a religião, as varias culinarias, as vestimentas etc. É legal ver e sentir as diferenças, tanto do aspecto fisico quanto do humano. Somos muito diferentes mesmo e até ai beleza... Abro parentesis: No meu tempo de estudante, estudamos um alemão chamado Ratzel, que defendia uma teoria determinista que, a grosso modo, afirmava que os povos das regiões temperadas ou das medias latitudes eram mais desenvolvidos por causa do clima com invernos muito rigorosos e estações bem definidas. Fecho parentesis. Não sei se foi por causa do clima, mas foram esses que se jogaram no mar e terras para explorar outros lugares, dando-se o direito de se apropriarem de riquezas que não eram suas e, escravizar povos que eles supunham menos inteligentes ou com cor da pele diferente da sua. O acumulo de grandes riquezas foi uma questão de tempo, tornando mais facil a tarefa desses estados se transformarem em potencias mundiais no futuro que se seguiu. Escrevo isso mas não nego as contrbuições... Hoje em dia, o que se vê muito na europa e USA é a intolerancia para com esses povos que foram explorados e escravizados no passado. Quase como por ironia, eles pensam que esses pobres estão chegando para lhes tomarem os empregos, as mulheres e as suas riquezas...Isso é ou não uma ironia do destino?
Ao desenbarcar em Milão, há 3 semanas atrás, o policial da imigração ao me liberar, aproveitou e falou em alto e bom tom, que eu mais parecia um traficante colombiano... Vejam só! Tive que engolir isto, pois seria dificil a comunicação... Nunca foi tão facil desrespeitar alguem, mais ainda quando for um europeu na europa contra um do terceiro mundo. Deixei para lá, mas pelo simples fato de estar compartilhando isto com voces, vê-se logo que o negocio não foi facilmente digerivel não. No dia seguinte a isso, tive que comparecer a uma delegacia por livre e espontanea vontade, cumprindo a lei, para registrar a minha presença no chão daquele pais e novamente dizer em qual endereço estaria morando durante a minha curta estadia. Preenchi papeis e os assinei. A minha senhoria estava tomando precauções para não ser atingida pela nova lei de imigração. Obra ingrata do senhor Berlusconi, "bambino de oro" da mafia italiana. Então, uma reflexão que tenho feito é de lembrar do filosfo alemão F. Nietsche, nem sei como se escreve, quando diz:" Meus filhos não são meus filhos, são filhos do mundo." E começo a pensar nos nossos "filhos" da capoeira, soltos no mundo, muitos se quer conhecem o pai ou as mães (no caso do Nzinga). Mas, sabemos que estão lá. E ainda, dentro dessa linha de raciocinio, como tratar todos os filhos indistintamente, imaginando o melhor para cada um deles? A partir dessas demandas existenciais, inevitavel fica não pensar nas coisas que nos move para frente dentro do espaço e tempo da capoeira. Estamos nessa para defender os interesses do nosso grupo primeiramente, ou estamos por uma causa? Na boa, falo isso na maior liberdade, por que sei que o Nzinga é um dos poucos grupos que na opinião de pessoas importantes do mundo da capoeira, faz exatamente o que diz que faz. E é verdade! Então, lutar para se estabelecer como uma instituição que atraves da sua militancia preserva, resgata e divulga os valores da capoeira angola e algumas tradições educativas dos povos bantos é de fato um objetivo a ser alcançado. Poucos falam ainda das ideias do velho Pastinha. Por outro lado, todos querem jogar e ensinar a sua capoeira. Olha o paradoxo! É como se fosse uma conexão encerrada e que no futuro fará muita falta e que alguem ou algum movimento organizado precisará fazer a "re"-conexão. As marcas e cicatrizes desses tempos serão inevitaveis se vierem. Seria: a cabeça separada do corpo. Se uma determinada filosofia não é colocada em pratica, como ela poderá nos transformar? Claro que podemos optar por outra, que seja, mas o que não se pode é fazer de uma e falar de outra. Nas vezes em que viajo, sempre volto com a moral elevada, por perceber e reconhecer as potencialidades dos nossos alunos e alunas sendo desenvolvidas no dia a dia num ambiente de liberdade fazendo com que os cerebros fiquem maiores. E isso não é nenhuma maluquice da minha cabeça, não. É a ciencia que tem afirmado. Encerrando esse papo, diria que num grupo de capoeira existem muitos espaços de vivencias, ocupe-os. Seja o de aluno que só paga a mensalidade em dia, seja o que além de pagar ainda está totalmente envolvido ou seja o que está apenas mais ou menos dentro, com duvidas sobre as escolhas que tem que fazer. Todos tem o seu papel, mas qual a historia que cada um gostaria de escrever nesse papel? Prestem atenção no lugar onde cada um pode se inserir no ambito da genealogia da capoeira angola. Isso não pode passar despercebido. Os nzingueiros de plantão, que estão engajados querendo fazer pela causa da capoeira angola se liguem de quão proximos estão da fonte. Se há alguem querendo seguir os rumos da capoeira angola, isso pode ser feito de duas maneiras: ou se vai atrelado à tradição ou não. A vida não vai se cansar de arranjar demandas e cada um deve ser responsavel pelas escolhas que faz. Se quer fazer carreira solo, assuma e se pique para bem longe. Parecerá facil, mas não acredite em tudo que os seus olhos verem. Se quer ser mestre com reconhecimento dos mais antigos, da velha guarda, então o caminho será longo e cheio de dificuldades, alegrias, compromissos, escolhas, afetos, desafetos e uma porção de coisinhas mais que ainda vão aparecer em nossos caminhos... Concluo afirmando a confiança que tenho em voces para zelar pelo que carinhosamente tem sido ensinado no Grupo Nzinga de Capoeira Angola.
Ao desenbarcar em Milão, há 3 semanas atrás, o policial da imigração ao me liberar, aproveitou e falou em alto e bom tom, que eu mais parecia um traficante colombiano... Vejam só! Tive que engolir isto, pois seria dificil a comunicação... Nunca foi tão facil desrespeitar alguem, mais ainda quando for um europeu na europa contra um do terceiro mundo. Deixei para lá, mas pelo simples fato de estar compartilhando isto com voces, vê-se logo que o negocio não foi facilmente digerivel não. No dia seguinte a isso, tive que comparecer a uma delegacia por livre e espontanea vontade, cumprindo a lei, para registrar a minha presença no chão daquele pais e novamente dizer em qual endereço estaria morando durante a minha curta estadia. Preenchi papeis e os assinei. A minha senhoria estava tomando precauções para não ser atingida pela nova lei de imigração. Obra ingrata do senhor Berlusconi, "bambino de oro" da mafia italiana. Então, uma reflexão que tenho feito é de lembrar do filosfo alemão F. Nietsche, nem sei como se escreve, quando diz:" Meus filhos não são meus filhos, são filhos do mundo." E começo a pensar nos nossos "filhos" da capoeira, soltos no mundo, muitos se quer conhecem o pai ou as mães (no caso do Nzinga). Mas, sabemos que estão lá. E ainda, dentro dessa linha de raciocinio, como tratar todos os filhos indistintamente, imaginando o melhor para cada um deles? A partir dessas demandas existenciais, inevitavel fica não pensar nas coisas que nos move para frente dentro do espaço e tempo da capoeira. Estamos nessa para defender os interesses do nosso grupo primeiramente, ou estamos por uma causa? Na boa, falo isso na maior liberdade, por que sei que o Nzinga é um dos poucos grupos que na opinião de pessoas importantes do mundo da capoeira, faz exatamente o que diz que faz. E é verdade! Então, lutar para se estabelecer como uma instituição que atraves da sua militancia preserva, resgata e divulga os valores da capoeira angola e algumas tradições educativas dos povos bantos é de fato um objetivo a ser alcançado. Poucos falam ainda das ideias do velho Pastinha. Por outro lado, todos querem jogar e ensinar a sua capoeira. Olha o paradoxo! É como se fosse uma conexão encerrada e que no futuro fará muita falta e que alguem ou algum movimento organizado precisará fazer a "re"-conexão. As marcas e cicatrizes desses tempos serão inevitaveis se vierem. Seria: a cabeça separada do corpo. Se uma determinada filosofia não é colocada em pratica, como ela poderá nos transformar? Claro que podemos optar por outra, que seja, mas o que não se pode é fazer de uma e falar de outra. Nas vezes em que viajo, sempre volto com a moral elevada, por perceber e reconhecer as potencialidades dos nossos alunos e alunas sendo desenvolvidas no dia a dia num ambiente de liberdade fazendo com que os cerebros fiquem maiores. E isso não é nenhuma maluquice da minha cabeça, não. É a ciencia que tem afirmado. Encerrando esse papo, diria que num grupo de capoeira existem muitos espaços de vivencias, ocupe-os. Seja o de aluno que só paga a mensalidade em dia, seja o que além de pagar ainda está totalmente envolvido ou seja o que está apenas mais ou menos dentro, com duvidas sobre as escolhas que tem que fazer. Todos tem o seu papel, mas qual a historia que cada um gostaria de escrever nesse papel? Prestem atenção no lugar onde cada um pode se inserir no ambito da genealogia da capoeira angola. Isso não pode passar despercebido. Os nzingueiros de plantão, que estão engajados querendo fazer pela causa da capoeira angola se liguem de quão proximos estão da fonte. Se há alguem querendo seguir os rumos da capoeira angola, isso pode ser feito de duas maneiras: ou se vai atrelado à tradição ou não. A vida não vai se cansar de arranjar demandas e cada um deve ser responsavel pelas escolhas que faz. Se quer fazer carreira solo, assuma e se pique para bem longe. Parecerá facil, mas não acredite em tudo que os seus olhos verem. Se quer ser mestre com reconhecimento dos mais antigos, da velha guarda, então o caminho será longo e cheio de dificuldades, alegrias, compromissos, escolhas, afetos, desafetos e uma porção de coisinhas mais que ainda vão aparecer em nossos caminhos... Concluo afirmando a confiança que tenho em voces para zelar pelo que carinhosamente tem sido ensinado no Grupo Nzinga de Capoeira Angola.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Eparrei Oiá!
Dando sequencia ao ciclo de festejos da Casa dos Olhos de Tempo Que Fala da Nação Angolão-Paketan, localizada nas Cajazeiras XI, foi comemorado ontem mais uma festa. Desta vez o dia foi reservado para Mameto Kaiongo. Na próxima quinta-feira à noite, os festejos continuam para Mutá Lombô. Na madrugada de sexta para o sábado é o dia do ritual das Águas, imperdível! No sábado, é dia da festa para Mameto Dandalunda. O nosso Taata Mutá Ymê é quem lidera essa casa, que é uma das ultimas representantes da Nação Angolão-Paketan na Bahia e no Brasil. Para brindar aos leitores deste blog, apresento imagem de uma festa realizada a quase 3 anos atras.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
O Cauã.
Olha só que figura! Esse é o cara. Estreiando no ativo da Rede Abelha. Seis meses de pura sabedoria... O nome dele é Cauã, e a cesta é tradição no país onde ele nasceu, Moçambique.
Ainda não definimos bem os detalhes do contrato de direitos de imagem, por enquanto são só essas duas fotos... Os pais, Limaverde e sua companheira Joana, moram em Maputo há alguns anos. Nos ultimos dias renasceu o Grupo Nzinga (Muleeke) de lá. A atividade tinha sido interrompida no ano passado por conta de mestrado na Europa e gravidez do casal. Agora, estamos todos juntos novamente! A Capoeira nos une e conecta com as coisas misteriosas do sagrado em nossas vidas! Iê Viva meu Deus...
Boa jornada em terras africanas para esta familia linda! Nguunzo!!
Nzinga Muleeke
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Menino, quem foi teu mestre?
Já ia postar como comentario, mas ficou longo demais e resolvi colocar aqui na pagina principal mesmo. Respondo a uma indaga de um amigo e aluno que está morando no Maranhão.
O que voce chama de cortar o jogo? É chamar o mestre no pé do berimbau e tira-lo do jogo? Isso é incabivel para essa situação. Ou é somente chama-lo por causa da camiseta do outro camarada que saiu da calça ou o cadarço?? Chamar para uma coisa dessas não vejo por que não... não acho desrespeito. Claro que o padrão de autoridade vigente no meio capoeiristico não é ígual ao do nzinga e voces sabem muito bem disso né? Hoje em dia, me corrijam se estiver errado, mas poucas são as escolas de capoeira que chamam no "pé do berimbau" as duas pessoas que estão jogando, que não seja para finalizar o jogo. Chama-las ali, naquele espaço simbolico para uma lição de ultima hora, para uma reprimenda ou até mesmo para não dizer nada objetivamente é coisa rara. Em varias ocasiões, canta-se apenas uma ladainha durante toda a roda, como se este momento não fosse um poderoso meio de ensinamento. É quase que dizer que é mais importante ter 3 ou 4 minutos a mais para jogar do que ter 3 ou 4 minutos a mais para receber um ensinamento da tradição oral. Errado está quem pensa que nós não estamos "ligados". Nós damos liberdade para que o aluno descubra logo e naturalmente qual é o seu lugar e quais as responsas que o esperam. Pode até não parecer, mas sei que somos muito mais exigentes em muitas coisas importantes que um monte de mestre mandão. Creiam nisso! Se o aluno demorar demais para descobrir esse lugar, nós o estimularemos de outras formas.Saber respeitar a hierarquia é uma coisa básica. As crianças do nzinga estão aprendendo a nos chamar de mestre sem que sejam obrigados por algum tipo de situação, alguma burocracia. No primeiro momento, nos chamaram pelos nossos nomes e agora nota-se uma mudança natural. Aquele chamar natural, espontaneo, de respeito pela causa e pelo capoeira. E voce quer saber? As coisas se fortalecem quando isso acontece sem peleja, quando tem que acontecer mesmo... "A paciencia é uma virtude que só se dá no TEMPO."
Nzinga Muleeke
domingo, 12 de outubro de 2008
Amarre o cadarço II
O muleeke esteve sempre certo dentro dos princípios ensinados. Foi zeloso e atencioso. Claro que o "pé do berimbau" é um espaço de jogo (ou não?). O cadarço estava realmente solto, mas era curtinho e sequer tocava o chão, portanto não oferecia perigo de por exemplo, o outro jogador ou jogadora pisar propositalmente num cadarço grande a ponto de me derrubar ou imobilizar. Na verdade é esse o grande perigo: o de alguem pisar de maneira esperta em seu cadarço, ou até voce mesmo e tropeçar. Já vi gente inclusive desamarrar o seu proprio cadarço para amarra-lo logo em seguida lá no "pé", e na saida do jogo tirar alguma vantagem, dependendo da estrategia... só precisa que seja planejado. Eu sinceramente prefiro sapatos que nem tenham cadarços. O pequeno Ricardinho,7, de quem já falei em outra postagem, sabe o perigo. Outro dia chegou lá com o rosto ralado e tinha sido exatamente por isso: foi correr e pisou no cadarço solto e caiu de cara...
Varios motivos podem levar o berimbau a te chamar ao pé dele. Posso contar alguns: jogo feio e truncado pode ser chamado para uma "mudança conceitual"; golpe na hora errada; jogo desleal e violento; camiseta fora da calça; cabelo desamarrado que esteja atrapalhando a visão da pessoa; quando o jogo vai muito rápido enquanto o ritmo está lento e amarrado; porque está na hora de acabar o jogo mesmo; para outras mandingas... tenho certeza que voces sabem de outros motivos.
Então, para concluir, relembro das vezes que já vi mestres utilizando do artificio de pisar no cadarço do outro para depois aplicar-lhe uma cabeçada. Assim como já vi tambem fazerem com o cordel de regionais e até com os dreads de rastafaris... Se liiiiiiiiguem!
Varios motivos podem levar o berimbau a te chamar ao pé dele. Posso contar alguns: jogo feio e truncado pode ser chamado para uma "mudança conceitual"; golpe na hora errada; jogo desleal e violento; camiseta fora da calça; cabelo desamarrado que esteja atrapalhando a visão da pessoa; quando o jogo vai muito rápido enquanto o ritmo está lento e amarrado; porque está na hora de acabar o jogo mesmo; para outras mandingas... tenho certeza que voces sabem de outros motivos.
Então, para concluir, relembro das vezes que já vi mestres utilizando do artificio de pisar no cadarço do outro para depois aplicar-lhe uma cabeçada. Assim como já vi tambem fazerem com o cordel de regionais e até com os dreads de rastafaris... Se liiiiiiiiguem!
sábado, 11 de outubro de 2008
Amarre o cadarço!
Hoje, na roda de capoeira, que acabou às 21 hs, rolou uma coisa interessante e que me fez pensar em outras. O ritmo foi composto totalmente por crianças e, comecei jogando com Marcelinho, um visitante que vai sempre em nossas rodas. Não vou entrar nos méritos do jogo, mas enquanto jogavamos, fui chamado ao "pé do berimbau" para ser avisado pelo gunga, que neste momento era tocado por Rafael,13, que o cadarço de meu sapato estava desamarrado. Bom, estava realmente desamarrado, mas eu pergunto a voces: por que o gunga chamaria alguem no "pé do berimbau quando este estivesse com o cadarço do seu sapato solto? Porque?Eu estava com um novo sapato, todo em couro branco, inclusive o cadarço, que era curto e nem sequer tocava no chão quando solto. O solado é de borracha de pneu. Comprei na linha verde, em um posto de gasolina a uns 100 km de Salvador, conhecido pelo pastel de carne que vende lá. Foi barato, mas o pisante tem estilo, é chique e resistente. Próprio para sextas feiras. Quando a pouco, comecei a escrever, a disposição era de dar a minha opinião sobre esse "porque?" Mas agora acho que poderiamos aumentar a nossa interatividade e voces leitores comentarem sobre isso antes. Topam? E, ampliando a pergunta: porque ou para que o berimbau chama alguem no "pé do berimbau"depois que o jogo já está acontecendo??
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Mestre João Pequeno de Pastinha
Outro dia fui chamado na sala do meu chefe para ele me passar um serviço: consistia em ir em um bairro da periferia de Salvador para buscar um mestre de capoeira e seus alunos para fazer uma filmagem no Forte de Santo Antonio. Como iria passar do horario de expediente, nenhum colega se prontificou em ir fazer o serviço e, como todos sabem que sou do mundo da capoeiragem, não deu outra, todos me elegeram como o cara certo para o serviço. Até acredito em boas intenções mas, neste dia tive que sacrificar o treino com as minhas crianças para dar conta dessa agenda. Bom, peguei o carro e passei na Reitoria para pegar uma pessoa da TV UFBa, responsavel pela filmagem e que iria me ajudar a achar o endereço do mestre. Na verdade, essa pessoa já tinha ido uma vez lá mas não se lembrava de absolutamente nada do trajeto. Então, tive que usar da minha intuição, sorte e boa comunicação para chegar ao destino. Quando chego lá é que descobrí que se tratava do Mestre João Pequeno de Pastinha, a lenda viva da capoeira, o capoeirista mais antigo do mundo, um dos olhos do saudoso Mestre Pastinha. O pessoal da TV UFBa sabia que eu conhecia o metiê. Conhecia além do velho, a sua neta Nani, que estava na comitiva. Fomos direto para o Forte, mas os congestionamentos de transito fizeram com que as conversas ficassem um pouco mais longas. Lá, rolava a roda de capoeira no CECA. Chegamos com o mestre e a equipe tecnica que logo saiu para realizar a entrevista com Nani no pateo. Enquanto isso aconteceu, aproveitei a oportunidade para jogar um pouquinho, mesmo estando em serviço. Foi como unir o útil ao literalmente agradavel. Fiz um daqueles joguinhos maneiros com um dos alunos do mestre. Quando a equipe retornou, estava a curtir o suor que agradavelmente me escorria pelo corpo. Uma das pessoas da equipe fazia capoeira no Nzinga no horario matutino, só para mulheres. O mestre não jogou neste dia, mas em compensação sambou prá caramba ao final da roda. Depois fez aquele tradicional agradecimento usando a cabaça como alto-falante para amplificar a potencia de sua voz. O mestre ainda dá o seu show! Está bastante fragilizado pela idade e todo cuidado ainda é pouco. Qualquer tropeço e queda pode causar um estrago grande. Depois, todo o caminho de volta para a sua casa e novamente retornar para o centro da cidade onde trabalho para deixar a viatura oficial. Resultado: só fui chegar ao aconchego do lar e da esposa perto da meia noite. Mas valeu demais! Encontros como este com o M. João Pequeno serão cada vez mais raros. Quem nunca viu venha ver...!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Nzinga Muleeke
Nzinga Muleeke
domingo, 5 de outubro de 2008
Viva a mestra Janja!
Na ultima sexta feira,03, o Grupo Nzinga realizou a sua roda de capoeira com a presença de muitos convidados e convidadas para o inicio das celebrações por mais um ano de vida da mestra Janja. Foi uma linda roda de capoeira seguida por uma ótima festinha regrada à bolo confeitado e muito guaraná. A criançada se esbaldou, e eu tambem. No dia seguinte, 04, de fato o dia de seu aniversario, a mestra foi para a sua terra Feira de Santana celebrar com sua familia, já que nasceu no mesmo dia que o irmão, mas não são gemeos. Ela nasceu um ano depois do irmão. Morou 12 anos em São Paulo quando, por atuação à frente do Nzinga, recebeu o título de cidadã paulistana. Voltou para a Bahia em julho de 2006. Nos ultimos meses, foi professora da Faculdade de Educação/UFBa até ser convocada pela secretária Luiza Bairros para compor a sua equipe de governo, onde coordena um dos nucleos da Secretaria da Promoção da Igualdade Racial ( Sepromi ). Já era poderosa, agora é que ninguem segura ela. Na outra postagem, noticio a nomeação da mestra Paulinha para a direção do CEAO/UFBa, cargo que assumirá no proximo dia 22/10. Para resumir, as mestras do Nzinga estão com a bola toda. Quem segura???
Olha é tu que é muleeke!
Há muito tempo que eu pensava em escrever sobre o trabalho com as crianças lá do Nzinga. Bom, começou quando em agosto de 2005 nos mudamos do Idearium para o Alto da Sereia. Depois de alugado o espaço, enquanto eu e Val(gaiver) fazíamos a reforma do salão, um garoto chamado Rodrigo, hoje conhecido como Bebê, foi lá saber se poderia treinar com a gente por que tinha ouvido que teria capoeira e que gostaria de participar do grupo. Eu expliquei por alto o que seria capoeira angola e que ele seria bem vindo. Os trabalhos de reforma foram até o dia 15. Como o dia 18 de agosto é o meu aniversario, resolvi então fazer a inauguração neste dia tambem. A noticia da festa se espalhou ligeiro. Tanto para os amigos capoeiristas quanto para a meninada e comunidade em geral. Foi uma presença marcante a deles! O mestre Cobra Mansa foi outra celebridade que apareceu na inauguração da Nzo a Longo (Casa de Aprendizagem). Poucos dias depois, eu e Lígia fomos na Escola Municipal Ana Neri, que fica de frente com Nzinga, para apresentar e falar da proposta do grupo. Fomos bem recebidos pela diretora que ficou agradecida pelo convite que o Grupo Nzinga foi lá fazer a todas as crianças da escola. Eu pedí permissão a ela para visitar cada sala de aula e convidar pessoalmente as crianças. Permissão concedida! Em cada sala que entramos, fizemos varias brincadeiras legais com as crianças antes de fazer o convite propriamente dito. Não tinha noção da loucura que estava fazendo naquele momento mas, foi feito o convite. Os dias que se seguiram foi uma verdadeira agitação no Nzinga. Bombou geral! Apareceram umas quarenta crianças para a atividade. A mestra Janja ainda não tinha voltado para a Bahia e a mestra Paulinha assoberbada de trabalho na universidade não podia me socorrer naquela hora. Foi pauleira principalmente no começo, antes de conseguirmos estabelecer as primeiras regras de convivencia. Depois de algumas semanas, muitos arrefeceram o impeto de aprender as malandragens da capoeira e deixaram de frequentar a Casa de Aprendizagem. Ficaram uns 20, que era o que nós inicialmente poderiamos dar conta mesmo. "Deus sabe o que faz"! O importante é que ficaram muitos para formar o "nucleo duro" de crianças e que deram continuidade ao processo. Hoje, 3 anos depois, posso dizer que eles são famosos no mundo da capoeira e são a principal força que move o grupo neste momento. O protagonismo é totalmente infanto-juvenil. Cada criança é uma "entidade" com personalidade forte e com perfil definido. Me vem logo à cabeça a imagem de Ricardinho, 7 anos, que é mais malandro e sério ao mesmo tempo, do que muito marmanjo com anos de experiencia na capoeiragem. Filho de Hoji, retado. Não come nada de ninguem! Tem Bruna,11, mandingueira zelosa do bem estar de todos. A cada dia que passa, ela adquire mais e mais manhas, ao mesmo tempo em que assume mais responsabilidades, sendo a única representante das crianças que possui a chave do espaço. Léo, 13, angoleiro de grande valor é também o nosso xicarangoma de plantão. Temos aprendido juntos muitas coisas. Vinicios,11, tambem totalmente dedicado à causa angoleira e dificilmente falta a uma aula de capoeira. Bebê,12, angoleiro de valor que quebra bonito quando toca uma violinha afinada. É um guerreiro nato, quase certo que seja filho de Hoji. Rafael, 12, muleeke mandingueiro e macumbeiro. Tem aprendido a bater nos couros com a ajuda de Léo. Marquinhos, 10, muleeke esperto e jeitoso para as mandingagens. Temos o Yuri, 10, muleeke descolado que tem o molejo do funk, do samba e da capoeira angola. Imaginem se leva jeito? Tem tudo para ser mais um desses capoeiras que dá gosto de ver em ação. Tem Janete, 12, figura pequena mas de grande valor que está temporariamente afastada das atividades por ser marrenta demais. A maioria desses que acabei de citar, fazem parte da primeira "barca" de Crianças do Nzinga, o núcleo duro.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Fotos do mestre Pastinha!


O mês de setembro foi intenso no que diz respeito a agenda do Nzinga. Há duas semanas atrás fizemos uma apresentação no ISBA numa atividade promovida pelo sindicatos dos professores. A mestra Janja fez um pequeno pronunciamento a respeito de Diversidade na educação. Depois executamos alguns temas da Orquestra de Berimbaus e fechamos com uma rodinha de capoeira. Maravilha! Recebemos um cachê simbolico e deixamos uma boa impressão para o nosso terceiro encontro no ano que vem, quem sabe? Como diz a música: "A lingua do povo é que fala da gente"...No dia seguinte, na quinta 18, foi a vez de estarmos na Fundação Pierre Verger para um ato solene de recebimento de duas fotos do Mestre Pastinha feitas por P. Verger que foram doadas ao Grupo Nzinga. Foi atendendo ao pedido feito por mim há um ano atrás quando pedi para a FPV a doação das fotos e expliquei o que e como nós fazíamos o nosso trabalho com as crianças do Alto da Sereia. A resposta positiva chegou um ano depois, mas chegou! Foi muito legal tudo. Primeiro que consegui arranjar uma Kombi no meu trabalho para o transporte das crianças e isso ajudou muito. Lá, fomos muito bem recebidos pelas pessoas da Fundação e pelas crianças de lá que eram muitas. No começo banquei o arte-educador com algumas atividades ludico-educativas. Depois fizemos uma roda para tornar a interação completa entre os dois grupos. O pessoal da FPV ficou de pensar numa data para retribuir a visita.Na sexta feira,26, recebemos uma classe de uma escola de São Paulo, a Quíron, onde realizamos atividades de integração baseada na atividade musical e corporal. O encontro aconteceu no Hotel onde eles estiveram hospedados.O dia das crianças se aproxima e tambem teremos atividades neste dia. Estaremos participando da inauguração do Espaço Cultural da Barroquinha(?).
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Ela voltou!
Depois de morar um ano nos EUA, a Mestra Paulinha está de volta à Bahia. O seu retorno aconteceu no mes de agosto. Ela foi pegar mais um grau: ela agora é Pós-Doutora em Ciencias Sociais. Ela mesma não gosta muito que eu fale sobre ela, mas voces sabem como é né? Tô aqui escrevendo, enchendo minha linguiça e pensei: porque não? Claro que é uma noticia que interessa à comunidade capoeiristica, afinal ela tem um nome escrito com grandes letras na historia da capoeira. É da primeira "barca" do Mestre Moraes aqui em Salvador, quando este fundou aqui o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho juntamente com o M. Cobra Mansa.
Enquanto esteve fora, foi indicada para a direção do Centro de Estudos Afro-Orientais da Ufba e teve o seu nome homologado por unanimidae no Conselho Universitario. Tomará posse no próximo mes de outubro, se a conheço bem, de maneira discreta e sem estardalhaço.
Para o Grupo Nzinga, não precisa nem falar da importancia em tê-la novamente entre nós com a sua sensatez e sabedoria. Por isso é sempre bom gritar: Viva Paulinha!!!!
Enquanto esteve fora, foi indicada para a direção do Centro de Estudos Afro-Orientais da Ufba e teve o seu nome homologado por unanimidae no Conselho Universitario. Tomará posse no próximo mes de outubro, se a conheço bem, de maneira discreta e sem estardalhaço.
Para o Grupo Nzinga, não precisa nem falar da importancia em tê-la novamente entre nós com a sua sensatez e sabedoria. Por isso é sempre bom gritar: Viva Paulinha!!!!
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Agosto deu gosto!
Sei que já se passaram muitos dias, mas ainda assim sinto que devo passar a informação adiante, afinal de contas muita gente observa e espera com expectativa positiva saber por onde e o que estamos fazendo. Então lá vai um pequeno relato:
Na segunda semana de agosto/08, o Grupo Nzinga de Capoeira Angola realizou evento de celebração e confraternização com a comunidade angoleira de Salvador e os nucleos Nzinga de São Paulo e de Brasília. Foi muito especial! Tudo aconteceu da melhor maneira possivel. Foi um evento totalmente aberto, grátis. Nosso espaço é relativamente pequeno e não comportaria um grande publico, o que nos fez optar por uma divulgação moderada do evento. Foi na medida, o salão ficou cheio assim mesmo...
Começamos com um ótimo bate papo com a mestra Janja no meio da semana. Na sexta-feira, em parceria com a Fica, fomos em ônibus fretado à Cachoeira para a festa de Nossa Senhora da Boa morte, onde realizamos uma grande roda de capoeira. Pudemos levar conosco varias crianças do Nzinga, o que deu um tom especial ao passeio. Depois da roda, claro, rolou muito samba de roda e com gente que entendia muito do assunto, tanto tocando quanto dançando. Na hora do samba estava chovendo e foi uma experiencia bacana sambar com aquele tanto de gente na chuva, principalmente os idosos que estavam em grande numero, demonstrando o valor que o tempo tem quando nos dedicamos a fazer certas coisas.
No sábado logo cedo, a programação nos levou direto para a Casa dos Olhos Tempo que Fala da Nação Angolão-Paketan, o terreiro de candomblé do Taata Mutá Ymê. Era festa de Tempo, portanto fora do barracão. Preciosa oportunidade dos nossos nzingueiros se encontrarem juntos mais uma vez sob as benções de Tempo e de todos que habitam aquela Casa. Na volta do terreiro, rolou no Nzinga uma oficina de percussão regida pela primeira vez por leonardo (Léo),13, aluno do grupo desde os 10 anos. Isso também foi uma fato marcante, pois estamos assistindo ao processo de crescimento de um garoto que somos nós que estamos formando. Na manhã de domingo,17, rolou aula com o Treinel Haroldo, muito elogiada pelo grande publico presente. A tarde, foi a minha vez de dar aula. A partir das 17 hs, começamos a grande roda de capoeira, com a presença de muitos visitantes. Tipica roda onde se chega alegre e se sai feliz.Na segunda, 18 de agosto, estava marcada mais uma roda de capoeira e de samba, fechando o evento com a comemoração do meu aniversário onde o ultimo ato foi a degustação de uma deliciosa mesa de frutas e o tradicional bolo de aniversario
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