Hoje escrevendo para o e-grupo do Nzinga SP, me referi às gerações de crianças capoeiristas do nucleo do NZ Salvador. Quando chegamos no Alto da Sereia, em agosto de 2005, recebemos uma leva de mais ou menos 25 crianças. Dessas, nesses quase 6 anos de "jogo", apenas 8 estão até hoje. Imaginem que eles agora estão adolescentes, com todas as questões inerentes à essa fase da vida. Sabemos que não é facil, mesmo quando as condições são normais. Condição esta que não se aplica ao nosso exemplo, pois são crianças pobres, negras e que residem em área remanescente de quilombolas, com pouca presença do Estado. Ou seja, são caracteristicas que na sociedade brasileira, significam maior dificuldade para acessar as condições para se viver decentemente. Essa geração, hoje me ajuda bastante na preparação dessa nova "leva" de muleekes. As vezes eles querem fazer cobranças duras aos novos muleekes, mas eu fico por perto para pedir-lhes paciencia, a mesma que eu tive no começo quando eles chegaram há 6 anos atras. Se a cada 6 anos de trabalho, conseguisse ficar com 8 alunos dos tantos que chegaram, diria que o sucesso nos brindou a abençoou! Digo sempre que se o "nucleo duro" de um grupo, que é formado por pessoas que se dedicam de maneira mais destacada ao funcionamento dele, recebesse um discipulo por ano, seria muito compensador e o futuro deste grupo estaria garantido às proximas gerações. Prestem atenção que eu não estou me referindo ao numero de pessoas que compôem o grupo, mas sim das pessoas que fazem com que este grupo evolua e cresça como organismo, como uma coisa viva e latente, participando e contribuindo com o seu dia a dia, e não apenas achar que pagando a mensalidade em dia, ja esteja fazendo muito por ele. Qual o lugar de cada um nós afinal??????????? Conviver, aprender, ser e fazer!
quinta-feira, 12 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Casa dos Olhos de Tempo!
A cada ano, a Casa dos Olhos de Tempo que fala da Nação Angolão Paketan realiza o seu ciclo de festas, onde celebra e louva os principais Inquices da casa. No dia 9 de julho, às 17 hs, terá início a festa dedicada à Unzila, onde será servida comida sagrada que abrirá o caminho para as festas subsequentes. No sabado seguinte, dia 16, no mesmo horario, acontecerá a festa que reverencia Mameto Kaiongo. Na madrugada do domingo (17) para a segunda feira (18), acontecerá o Ritual das Águas, chamado Meian Kambuká. É um dos rituais mais lindos que existem. Na mata, no meio da noite, escuro, velas acesas, canticos sagrados, muita água, roupas brancas...É demais!
No dia 23, às 17hs, teremos a principal festa da casa. O dono do Terreiro! Tateto Mutalombô!
Essas são as festas que acontecerão no mes de julho. No mes de agosto, teremos duas festas para Tempo: uma no dia 13, às 17 hs, que vai acontecer no terreiro da rua Daniel Lisboa, em Brotas. Neste ritual, existem varias detalhes que fazem desta festa, uma festa diferente. A outra festa será no dia 20, às 17 hs e acontecerá em Cajazeiras XI.
Até os dias das festas, estaremos em campanha de arrecadação de fundos para ajudar nas muitas despesas que serão necessarias fazer. Aos leitores e leitoras que queiram colaborar, façam contato conosco, que estudaremos uma alternativa viavel.
No dia 23, às 17hs, teremos a principal festa da casa. O dono do Terreiro! Tateto Mutalombô!
Essas são as festas que acontecerão no mes de julho. No mes de agosto, teremos duas festas para Tempo: uma no dia 13, às 17 hs, que vai acontecer no terreiro da rua Daniel Lisboa, em Brotas. Neste ritual, existem varias detalhes que fazem desta festa, uma festa diferente. A outra festa será no dia 20, às 17 hs e acontecerá em Cajazeiras XI.
Até os dias das festas, estaremos em campanha de arrecadação de fundos para ajudar nas muitas despesas que serão necessarias fazer. Aos leitores e leitoras que queiram colaborar, façam contato conosco, que estudaremos uma alternativa viavel.
Nzinga: 9 anos em Salvador
Está ficando cada vez mais interessante a possibilidade de reunirmos em Salvador uma boa porção do Nzinga SP com o Nzinga daqui, em julho, por ocasião dos festejos da Casa dos Olhos de Tempo que Fala da Nação Angolão Paketan que começam no dia 09 de julho.. A ideia que se esboça é organizarmos um eventinho na tarde do dia 15, na sexta feira, culminando com a roda de capoeira à noite, aberta à comunidade. As pessoas interessadas em participar destas atividades, enviem mensagem para o polocagb@hotmail.com para garantir lugar, ja que serão vagas limitadas. A ideia é de uma aula com os mestres do Nzinga com preço popular de 30 reais. Na oportunidade, estaremos marcando a passagem dos 30 anos sem o grande mestre Pastinha e os 9 anos do Nzinga em Salvador. Desde já, todos e todas estão convidados a comparecerem no eventinho de capoeira e nos festejos do terreiro.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Capoeira Viva
Ontem no final da tarde, fui ao Centro Cultural da Barroquinha para assistir ao lançamento da coleção de cds de capoeira. Foi resultado do edital que a Fundação Gregorio de Matos lançou ano passado. São varios mestres envolvidos no projeto, inclusive de muitos outros estados do Brasil, mas alguns nomes possui peso e historia maior que o de outros. Por exemplo, o mestre Boca Rica estava lá com toda a sua elegancia e picardia coordenando a pequena roda de capoeira que rolou. Não tocou ontem. Estava apenas com o microfone na mão e cantando varios sucessos de seus 5 discos anteriores. Meu padrinho de casamento que doou uma caixa de quiabo para o caruru do meu casorio. Voces sabem que ele vende na feira de Sâo Joaquim desde sempre. Salve mestre Boca Rica. Apesar de não estarem lá, os mestres Virgilio, Ananias e o saudoso mestre Bigodinho, que ontem recebeu uma homenagem singela e bonita. Depois de amanhã completará um mes de sua morte. A caixa com os 5 cds foram distribuidas para quem foi prestigiar o evento. Comecei a ouvir imediatasmente, quando sai de lá em direção ao Nzinga para a aula que daria minutos adiante.
sábado, 30 de abril de 2011
Águas Sagradas!
A temporada de furacões começou nos Estados Unidos e a das chuvas aqui em Salvador. Nesta época chove muito. Se a historia se repetir, choverá durante uns dois meses, com curtas estiagens. Nestes intervalos, o sol aparecerá forte, levando muitos baianos dependentes em direção do mar. Ontem mesmo choveu o previsto para todo o mês de maio. Simplesmente choveu o dia todo, ficando mais intensa ainda no inicio da noite, na hora da roda de capoeira. Cheguei mais cedo lá, já prevendo que o espaço do Nzinga estivesse alagado. E realmente estava completamente inundado. Foi uma limpeza pesada que tive que enfrentar, contando com a ajuda de Adelmo, 7, e Alisson, 10.
Bom, conseguimos retirar a água acumulada, mas as goteiras estavam em todos os pontos do salão. Foi dificil e cheguei a pensar em suspender a roda por isso e tambem por que o numero de pessoas era pequeno. De qualquer forma não dava mesmo para ir embora, ja que a chuva estava mais intensa ainda. Bom, secamos um pequeno espaço e começamos a roda com as pessoas que tinhamos. A maioria era criança. Cantei a ladainha e a chula. Depois, uma pausa e o som da chuva no problemático telhado de eternit do Nzinga me fez lembrar do "ô Santa Barbara de relampoê". Fomos pegando vibração e, em seguida cantei aquela musica em Kimbundo: "Oiá, Oiá, Oiá êêê, Oiá Matamba do kakurukajo nzinguê. Por coincidência ou não, a chuva começou a diminuir e logo depois parou. Somos livres e podemos acreditar no que quisermos, Graças a Mzambi!
É comum vermos muitas rodas de capoeira onde, para garantir proteção, se canta primeiro para Santo Antonio, que aqui na Bahia associamos à Roji (Ogum). Vale a pena pensar que Oiá (Iansã) tambem possui espada na mão e é boa de briga. Também protege. Para quem não lembra, Santa Barbara é associada a Oiá.
Mais pessoas começaram a chegar e as coisas foram se encaixando: mais vozes no coro, melhor energia fluindo, o circulo da roda se fechando, mais vibração... Coisa de magia, que a gente aprende a respeitar sem precisar entender. Para um dia como aquele de ontem, foi uma dadiva conseguir armar uma roda com quase 20 pessoas. Ao final, depois dos abraços e despedidas, resolvi voltar para casa satisfeito, para um descanso merecido, mesmo com a possibilidade do Samba de Botequim no forte de Santo Antonio. Neste momento, apenas chuviscava.
Bom, conseguimos retirar a água acumulada, mas as goteiras estavam em todos os pontos do salão. Foi dificil e cheguei a pensar em suspender a roda por isso e tambem por que o numero de pessoas era pequeno. De qualquer forma não dava mesmo para ir embora, ja que a chuva estava mais intensa ainda. Bom, secamos um pequeno espaço e começamos a roda com as pessoas que tinhamos. A maioria era criança. Cantei a ladainha e a chula. Depois, uma pausa e o som da chuva no problemático telhado de eternit do Nzinga me fez lembrar do "ô Santa Barbara de relampoê". Fomos pegando vibração e, em seguida cantei aquela musica em Kimbundo: "Oiá, Oiá, Oiá êêê, Oiá Matamba do kakurukajo nzinguê. Por coincidência ou não, a chuva começou a diminuir e logo depois parou. Somos livres e podemos acreditar no que quisermos, Graças a Mzambi!
É comum vermos muitas rodas de capoeira onde, para garantir proteção, se canta primeiro para Santo Antonio, que aqui na Bahia associamos à Roji (Ogum). Vale a pena pensar que Oiá (Iansã) tambem possui espada na mão e é boa de briga. Também protege. Para quem não lembra, Santa Barbara é associada a Oiá.
Mais pessoas começaram a chegar e as coisas foram se encaixando: mais vozes no coro, melhor energia fluindo, o circulo da roda se fechando, mais vibração... Coisa de magia, que a gente aprende a respeitar sem precisar entender. Para um dia como aquele de ontem, foi uma dadiva conseguir armar uma roda com quase 20 pessoas. Ao final, depois dos abraços e despedidas, resolvi voltar para casa satisfeito, para um descanso merecido, mesmo com a possibilidade do Samba de Botequim no forte de Santo Antonio. Neste momento, apenas chuviscava.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Triste Partida!
Exatamente no dia em que o saudoso mestre Pastinha completaria 122 anos de nascido, morreu hoje o mestre Bigodinho. Uma voz importante se calou entre nós, mas com as bençãos de Mzambi, brilhará nas rodas celestiais, de agora em diante, em companhia dos bambas. Sabia muitos sambas, corridos e ladainhas, alem de possuir um estilo próprio de cantar e tocar a "violinha". Quem não conhece o seu disco em parceria com o mestre Boca Rica está perdendo de ouvir uma obra prima. Talvez o melhor do genero! Do ponto de vista da Tradição Oral, quanto mais antiga é a fonte da tradição, mais valiosa ela é. Olha só o local de seu nascimento! Santo Amaro da Purificação: coração do Reconcavo baiano e berço de um matizado cultural africano impressionante. Uma perda!
terça-feira, 29 de março de 2011
Diálogos Inteligentes!
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Palavras ao vento
Em post anterior, escrevi que "escrever é viver!". Agora venho aqui para falar da palavra...
Somos donos delas só enquanto não as pronunciamos ou a escrevemos, porque depois disso, dignamente nos tornamos escravos delas!
Somos donos delas só enquanto não as pronunciamos ou a escrevemos, porque depois disso, dignamente nos tornamos escravos delas!
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Fazendo o Social
Ontem visitei o Grupo Zimba, na comunidade do Bate Facho. Fui acompanhado por algumas crianças do Nzinga: Bruna, Vinicius e Antonio. Esses são os mais velhos na casa. Entraram no Nzinga há 5 anos atrás e parece que estão mergulhados dos pés à cabeça nessa odisseia angoleira, inclusive com forte envolvimento em outras áreas, como por exemplo, na Dança Afro e na "religião", o Candomblé. A gente não sabia onde era o endereço, apenas tinhamos algumas referencias e indicações de como chegar lá. Ja estavamos a caminho quando a Bruna avistou na avenida, em um ponto de onibus, uma das alunas do Zimba indo para a roda. Pura sorte! Parei adiante e um dos meninos voltou para convida-la a nos acompanhar de carro até o Bate Facho. Foi perfeito! Chegamos bem e rapidos. A roda foi ótima! Uma vibração muito boa tambem. Tinha muito mais crianças lá do que as que foram visitar o Nzinga na sexta feira passada. A boa e velha capoeira em comunidade, como o saudoso "mestre dos mestres" sempre quis.
O local é pequeno, mas é cheinho de axé. Foi todo ele construido por Paulo, um dos discipulos do mestre Boca do Rio, que tem o oficio de pedreiro como tradição familiar e que tambem é o responsavel pelas aulas para as crianças. Ambos estão de parabens pelo trabalho que realizam.
Agora pela manhã acontece o roda do mestre Caboré, no fim de linha da Rua Daniel Lisboa. Uma boa pedida...
O local é pequeno, mas é cheinho de axé. Foi todo ele construido por Paulo, um dos discipulos do mestre Boca do Rio, que tem o oficio de pedreiro como tradição familiar e que tambem é o responsavel pelas aulas para as crianças. Ambos estão de parabens pelo trabalho que realizam.
Agora pela manhã acontece o roda do mestre Caboré, no fim de linha da Rua Daniel Lisboa. Uma boa pedida...
sábado, 19 de fevereiro de 2011
As 7 Rodas!
Ontem aconteceu a sétima roda de capoeira do ano. Estou contando dessa maneira, porque até agora só rolou roda boa... O grupo Nzinga recebeu a visita do grupo Zimba. O mestre Boca do Rio chegou lá com toda a sua turma, inclusive com as crianças da nova frente de trabalho em comunidade no Bate Facho, bairro proximo ao bairro da Boca do Rio. O citado mestre possui este apelido exatamente por ter morado no bairro da Boca do Rio na época em que treinou no Forte de Santo Antonio. Pois bem, foi muito legal ter recebido o mestre Boca do Rio, em rápida passagem por Salvador. Ele irá embora na proxima terça feira de volta à Espanha, onde atualmente reside com a sua familia. Valeu Bôca! Foi mais um Malungo que visita a nossa casa de aprendizagem de vida e capoeiragem. O mestre Valmir (Fica) esteve presente na primeira roda do ano. Alto Astral! Outro Malungo! A roda do dia 4 de fevereiro, podemos dizer que apesar de ter sido um pouco menos vibrante que as outras, foi legal tambem por que foi ainda na ressaca do dia 2 de fevereiro, onde o Nzinga tinha feito já um grande esforço para a realização daquela grande festa que foi e mesmo assim, rolou bem e contando com grande presença de visitantes, atraidos pelas vibrações positivas do dia 2, o que deu um "tom" especial a essa roda . Numas dessas 7 rodas, aconteceu uma invasão de crianças no espaço. Dessas que não treinam capoeira objetivamnte, mas que estão sempre por lá e, de alguma maneira, aprendem assim mesmo. As crianças deram o "tom" dessa roda.
Teve uma roda que foi transferida para a ACANNE, há duas semanas atrás, que tambem foi legal demais. O mestre Renê sempre com ótimas participações nas nossas festas para a Rainha do Mar, nos recebeu com muita atenção e, no fim da vadiação, nos brindou com uma bela mesa de frutas. Obrigado mestre Renê!
Iê Volta do Mundo...
Teve uma roda que foi transferida para a ACANNE, há duas semanas atrás, que tambem foi legal demais. O mestre Renê sempre com ótimas participações nas nossas festas para a Rainha do Mar, nos recebeu com muita atenção e, no fim da vadiação, nos brindou com uma bela mesa de frutas. Obrigado mestre Renê!
Iê Volta do Mundo...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
ODOYÁ!
Há dias venho tentando escrever umas linhas a respeito da festa do dia 2 de fevereiro, dedicada à mãe Yemanjá. Quem acompanha um pouco da historia do Grupo Nzinga em Salvador, sabe que nós estamos inseridos numa comunidade remanescente de kilombolas chamada de Alto da Sereia, reconhecida pelo ministerio das cidades como tal. Localiza-se entre Ondina e Rio Vermelho, bairros de classe media na orla maritima de Salvador. Fica a 500 metros de onde acontece essa maravilhosa festa, uma das maiores e com mais forte apelo religioso que acontece aqui em Salvador. É uma comunidade que tem na atividade de pesca um de seus traços identitarios. Pois bem, há 5 anos estamos realizando no dia 2 de fevereiro, no dia da festa no mar, evento em louvor à Yemanjá. Neste dia acontece primeiramente, a roda de capoeira, que tem como diferencial o fato de os/as capoeiristas não necessitarem usar seus respectivos uniformes, resgatando um pouco do espirito da antiga vadiação, onde se jogava com a roupa que se usava na festa. Destaco as participações dos mestres Valmir e Caboré. Além da presença tambem do mestre Renê, com o samba de roda Este ano, alem dele, estiveram conosco o Samba Gia, dando um tom especial ao encontro sambistico. Concomitantemente, sempre rola uma gostosa feijoada feita pela melhor "feijoadeira" que eu conheço, a Nalva, a mesma da caixa da panela de pressão citada em postagem anterior. Este ano, entregamos o presente à mãe d'aqua de barco, logo nas primeiras horas do dia. O piloto do barco foi Fulaninho, assessorado pelo povo do nzinga são paulo. Odoyá!
Violencia Urbana!
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Pé quente, cabeça fria!
As vezes, penso muito em vir aqui escrever qualquer coisa, mas o “mecanismo pensante” não funciona bem assim como a gente deseja. Tantas coisas legais já aconteceram e, ainda estão acontecendo, dignas de relatos mais detalhados que nem entro numas de fazer anotacões ou coisa parecida. Deixo simplesmente a encargo da memoria, para esta quardar em um bom lugar determinados fatos e acontecimentos... Jogar para o "cosmos"...
Passei o ultimo mês dedicado à reforma do espaço de capoeira e quando pude escrever, não rolou clima... Sei que de repente poderei lembrar de uma dessas coisas e escrever. Como não sou jornalista e não ganho para fazer isso, não preciso escrever enquanto as coisas acontecem. Principalmente sobre as coisas relativas à “mandinga”, malandragem e ao jogo. Temos que ter “Tempo”ao nosso lado, o senhor da razão. Ele é mestre que ensina e cura… Portanto, para finalizar essa conversa, vos digo que brevemente escreverei alguma coisa sobre a festa do dia de 2 de fevereiro de 2011 e a roda de capoeira que acontece no Nzinga. Gostaria de escrever ainda sobre o meu retorno ao mundo das “pernas para o ar” depois de um impedimento de 5 meses após cirurgia. Tenho aqui a presença de 5 nzingueiros de São Paulo que pode tambem virar um “post” hora dessas. Outra coisa que gostaria de tecer algumas considerações foram as rodas realizadas ate agora neste ano de 2011. Foram 4 até agora. Todas ótimas! Bom, vamos ver como as coisas acontecerão...
Passei o ultimo mês dedicado à reforma do espaço de capoeira e quando pude escrever, não rolou clima... Sei que de repente poderei lembrar de uma dessas coisas e escrever. Como não sou jornalista e não ganho para fazer isso, não preciso escrever enquanto as coisas acontecem. Principalmente sobre as coisas relativas à “mandinga”, malandragem e ao jogo. Temos que ter “Tempo”ao nosso lado, o senhor da razão. Ele é mestre que ensina e cura… Portanto, para finalizar essa conversa, vos digo que brevemente escreverei alguma coisa sobre a festa do dia de 2 de fevereiro de 2011 e a roda de capoeira que acontece no Nzinga. Gostaria de escrever ainda sobre o meu retorno ao mundo das “pernas para o ar” depois de um impedimento de 5 meses após cirurgia. Tenho aqui a presença de 5 nzingueiros de São Paulo que pode tambem virar um “post” hora dessas. Outra coisa que gostaria de tecer algumas considerações foram as rodas realizadas ate agora neste ano de 2011. Foram 4 até agora. Todas ótimas! Bom, vamos ver como as coisas acontecerão...
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Manifesto da Bahia
Venho aqui para transcrever esse manisfesto, que está exposto na forma de banner na Escola de Capoeira do mestre Curió no núcleo do Forte de Santo Antonio. A ideia é que o maior numero de pessoas que vivem o mundo da capoeira tenham conhecimento dele. Ei-lo:
Nós, os mestres, contra mestres, professores, alunos e pesquisadores da capoeira da Bahia, reunidos no ultimo dia 22 de setembro de 2010, no Forte da Capoeira, na cidade de Salvador, em assembléia amplamente convocada para avaliar questões referentes ao Pró-Capoeira, decidimos manifestar publicamente nossa posição, nesse momento que julgamos fundamental para o destino das politicas publicas sobre capoeira no Brasil, a partir dos seguintes pontos:
1 - Não temos acordo com a forma de definição dos participantes do Encontro Regional Nordeste, realizado em Recife (Pe) nos dias 8, 9 e 10 de setembro, pois em nenhum momento foram explicitados claramente os criterios de seleção dos consultores responsaveis pela articulação em cada região, nem muito menos os criterios de seleção adotados para a definição dos representantes de cada estado para participarem dos Grupos de Trabalhos do referido encontro.
2 - Não temos acordo com a forma de discussão estabelecida no encontro de Recife, onde as propostas discutidas em cada GT não passaram pela aprovação da plenaria final, causando muito desconforto entre os participantes, que não se sentiram contemplados com muitas das propostas apresentadas pelos GTs.
3 - manifestamo-nos firmemente contra algumas propostas apresentadas pelos GTs, que não refletem o pensamento da comunidade da capoeira como um todo, mas apenas uma parcela dessa comunidade no que diz respeito a:
- formalização de um modelo oficial de capoeira como esporte de alto rendimento, visando a sua inclusão nas Olimpiadas. Vale observar que não nos opomos a quem queira conduzir a capoeira como esporte, nosso posicionamento é contrario à formalização legal da capoeira como um esporte olimpico que naturalmente negaria a diversidade de suas praticas.
- Regulamentação da profissão a partir da logica do mercado, engessando a capoeira num modelo pré estabelecido e submetendo toda a comunidade de mestres e professores a um Conselho Federal que será o responsavel por determinar pode e quem não pode exercer essas funções.
- Submeter a formação do capoeirista ao ensino universitario como uma obrigatoriedade, quebrando assim as formas tradicionais de transmissão desses saberes, onde o mestre tem papel central.
Diante dos exposto, exigimos que o processo de discussão encaminhado pelo Pró-Capoeira seja mais democratico, possibilitando que a diversidade de opiniões e visões sobre capoeira possam se fazer representar.
Exigimos tambem que os criterios de definição dos representantes dos estados possam ser explicitos, e que possam garantir que as discussões nos GTs e plenarias sejam qualificadas com a presença de mestres, professores e pesquisadores que possam contribuir de forma efetiva na elaboração das propostas, tanto nos encontros regionais como na plenaria final, marcada para a Bahia no proximo ano.
Salvador, 22 de setembro de 2010
Maiores informações:
www.militanciaecapoeira.blogspot.com
Nós, os mestres, contra mestres, professores, alunos e pesquisadores da capoeira da Bahia, reunidos no ultimo dia 22 de setembro de 2010, no Forte da Capoeira, na cidade de Salvador, em assembléia amplamente convocada para avaliar questões referentes ao Pró-Capoeira, decidimos manifestar publicamente nossa posição, nesse momento que julgamos fundamental para o destino das politicas publicas sobre capoeira no Brasil, a partir dos seguintes pontos:
1 - Não temos acordo com a forma de definição dos participantes do Encontro Regional Nordeste, realizado em Recife (Pe) nos dias 8, 9 e 10 de setembro, pois em nenhum momento foram explicitados claramente os criterios de seleção dos consultores responsaveis pela articulação em cada região, nem muito menos os criterios de seleção adotados para a definição dos representantes de cada estado para participarem dos Grupos de Trabalhos do referido encontro.
2 - Não temos acordo com a forma de discussão estabelecida no encontro de Recife, onde as propostas discutidas em cada GT não passaram pela aprovação da plenaria final, causando muito desconforto entre os participantes, que não se sentiram contemplados com muitas das propostas apresentadas pelos GTs.
3 - manifestamo-nos firmemente contra algumas propostas apresentadas pelos GTs, que não refletem o pensamento da comunidade da capoeira como um todo, mas apenas uma parcela dessa comunidade no que diz respeito a:
- formalização de um modelo oficial de capoeira como esporte de alto rendimento, visando a sua inclusão nas Olimpiadas. Vale observar que não nos opomos a quem queira conduzir a capoeira como esporte, nosso posicionamento é contrario à formalização legal da capoeira como um esporte olimpico que naturalmente negaria a diversidade de suas praticas.
- Regulamentação da profissão a partir da logica do mercado, engessando a capoeira num modelo pré estabelecido e submetendo toda a comunidade de mestres e professores a um Conselho Federal que será o responsavel por determinar pode e quem não pode exercer essas funções.
- Submeter a formação do capoeirista ao ensino universitario como uma obrigatoriedade, quebrando assim as formas tradicionais de transmissão desses saberes, onde o mestre tem papel central.
Diante dos exposto, exigimos que o processo de discussão encaminhado pelo Pró-Capoeira seja mais democratico, possibilitando que a diversidade de opiniões e visões sobre capoeira possam se fazer representar.
Exigimos tambem que os criterios de definição dos representantes dos estados possam ser explicitos, e que possam garantir que as discussões nos GTs e plenarias sejam qualificadas com a presença de mestres, professores e pesquisadores que possam contribuir de forma efetiva na elaboração das propostas, tanto nos encontros regionais como na plenaria final, marcada para a Bahia no proximo ano.
Salvador, 22 de setembro de 2010
Maiores informações:
www.militanciaecapoeira.blogspot.com
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Instrumentos musicais da capoeira
Bem, vamos ver aqui inicialmente o que poderíamos chamar de bêabá dos instrumentos musicais, desde que o ser humano descobriu que precisa tocar, dançar e se comunicar através da musica. Os primeiros instrumentos feitos pelos seres humanos foram os tambores feitos de troncos ocos, Mondo (idiofones) e depois usando o couro (membranofones). Em segundo lugar foram os instrumentos de corda, no caso, o arco musical (Cordofones), e só por ultimo, vieram os instrumentos de sopro ( Aerofones). O caxixí, reco-reco e agogô estão na classe dos idiofônicos também. A seguir, uso uma colagem feita por mim há uns 10 ou 15 anos atrás a partir de fragmentos de textos de estudiosos como Kazadi Mukuna, José Redinhas, Kae Shaeffer e outras revistas... Se liguem que eu não sou pesquisador e que não estou nem colocando a bibliografia de forma correta. A ABNT vai me processar. Portanto, me perdoem por algum equivoco que cometer."
A musica africana apresenta um caráter profundamente associado a todas as suas manifestações de vida. Uma vez divorciados de seu conjunto vital, os elementos musicais sofreram uma mutação conceitual tradicional banta para à popular brasileira. Angola participou largamente nos fundamentos culturais da música brasileira, por intermedio dos bantus fixados na Bahia. No começo da República, quase todos os maestros de Bandas de musica eram angolanos. Os instrumentos de sopro foram introduzidos por eles na música brasileira e americana. Segundo Oneyda Alvarenga, o que se tem de negro na musica popular brasileira é:
a) Estrofe poético-musical improvisada, seguida de refrão fixo.
b) Forma poético-musical constituída por um verso único, seguido de refrão curto.
c) Quebra de quadratura melódica por vários processos.
d) Cantos de rituais afro brasileiros que usam uma escala abaixada, de escalas pentafonicas e hexacordais.
e) Elemento coreográfico único: a umbigada.
f) Grande numero de instrumentos de percussão
g) A marimba e o berimbau
h) Criação de danças dramaticas: congadas, alto do bumba meu boi, cucumbis, taieiras e etc.
No início do século XX eram raros os estudos sobre os povos africanos bantus. Os progressos técnicos ajudaram muito na fixação de musica gravada, já que não adiantava muito ter somente a letra e não ter a musica. O processo de recolha começou mesmo com os discos fonográficos (agradeço se algum leitor quiser mandar mais informações sobre gravações fonograficas). Ao mesmo tempo eram raras as recolhas de instrumentos musicais. A grande liberdade do sentido tonal, ao mesmo tempo plástica e fixa, apresenta-se como característica geral do mundo bantu. As canções bantus , mesmo que insistindo num determinado tema, eram todas de improvisação. Dominam melhor as técnicas percutidoras.Vários são os elementos musicais existentes na música popular brasileira que tem origem banta: a presença de 4 pulsos no início do surgimento do samba, e de 16 pulsos time lines no samba que é tocado atualmente.
Os Cordofones - O mais primário instrumento de corda existente no inventario musical angolano é o monocórdio ou Arco Musical. Há fortes evidencias de que o arco musical já estava em uso por volta de 15 000 a.C., de acordo o Harvard Dictionary of Music ( Pag. 551-552, 1970.) Como vemos, é um dos mais primitivos instrumentos musicais. Pode ser encontrado fazendo parte de inúmeras culturas no mundo: Novo México; Patagônia; África; Brasil e outros.Há diversas variedades. O simples arco de caça, amarrado ao meio que o divide em duas partes, é um tipo, onde o tocador coloca uma ponta no chão e a outra na boca, que servirá de caixa de ressonância, enquanto percute com uma varinha. Entre os bantus existe uma forma especifica, em que a cabaça permanece presa por um barbante ao próprio arco. Variam muitos os modelos, e pela grande variedades de línguas, variam muito os nomes. Um modelo de arco musical é o Cambulumbumba, que é tocado por 3 músicos. O arco continua a ser de caça, que serve de arco bocal e também como arco de cabaça, mas a caixa de ressonancia é uma grande metade de cabaça que fica emborcada no chão. Palavra banta, cuja raiz mbulumbumba é comum na designação de algumas espécies de arcos musicais. É um instrumento infantil para os bantus. Do arco musical originaram-se a Harpa, a Cítara e o violão entre outros. Em torno dele pairam lendas e superstições. Entre os Covas do México, o arco musical é usado com a caixa de ressonância separada, que é um emblema sagrado da Deusa da lua e da terra e só as mulheres podem toca-lo. Na Rodésia, é tocado em ritual de iniciação das meninas. Os Washam Balás, do leste africano crêem que um homem não pode conseguir uma esposa se na hora em que ele estiver fazendo um arco musical, a sua corda se romper, pois sendo um objeto sagrado, isso não é um bom sinal. Na África Bantu existem várias lendas acerca do arco musical, e uma que já é bastante conhecida no Brasil é a da menina que transforma-se em berimbau. Segundo Curt Sachs, o arco musical foi um dos primeiros instrumentos a serem usados na intimidade e para induzir a meditação, sendo um instrumento sagrado apropriado para se por em contato com os espíritos. Para o africano, os instrumentos são seres dotados de alma, possuidores de força misteriosa e dignos de respeito. Há quem afirme que foram os egípcios que acrescentaram a caixa de ressonância ao arco musical. O arco musical se apresenta de diversas formas. No conjunto dos instrumentos musicais brasileiros, ele sem dúvida é de origem bantu, e que aos poucos vai ganhando cada vez mais espaço na musica popular brasileira, que até então estava confinado ao conjunto musical da capoeira, o que é ainda um enigma a ser desvendado pelos pesquisadores, sabe-se porém, que o termo Berimbau é derivado do Quimbundo – Mberimbau – (cf. Mendonça 1948: 329). Não devemos esquecer que o berimbau, aquele feito de metal, medindo 6 centímetros e que era tocado preso nos dentes já era bastante conhecido na Europa. Em Portugal esse instrumento foi comum desde antes de 1550. No Brasil, o termo foi usado com um modificador: Berimbau de barriga. Vários estudiosos enumeram muitos outros nomes para o berimbau de Barriga: gunga, rucungo mbolumbumba (Muilas), ngonga (Kimbundo), lucungo (Lundas-Quiocos), rucumbo (Lundas), hungo (Luanda), oburububa (Benguelas), nhungo (Malange), bucumbumba, chikomba (Bosquimano), kindendo (Amboins), kariari (Quioco) urucungo, humbo e etc. Membranofones: Existe um tambor que não pertence a esse grupo, mas sim do grupo dos idiofones. O Mondo é um tambor interessante pela construção e pela função, ele é totalmente de madeira, em peça única e destina-se à transmissão de mensagens, por um processo de tamborilada. Pode ser ouvido há vários quilômetros de distancia. É encontrado na maior parte das etnias do norte de Angola. No Candomblé, os atabaques possuem papel especial. Os inquices e as filhas de Santo quando entram no salão dançando, reverenciam primeiro os tambores. O três atabaques: Run – o mais grave, que ao contrário de outras formações percussivas, onde os instrumentos graves é que sustentam a base, o Run é que varia e fala mais. O Rumpi, que é o atabaque do meio, faz as vezes de intermediario, auxiliando na fala, mas mantendo a marcação. O Lê que é o menor e mais agudo, faz a marcação rítmica. Certamente o atabaque foi o primeiro instrumento da capoeira. Os cantos Bantus tem necessidade, alem dos instrumentos, dum solista. A letra é variável para cada ocasião, abordando por temas: fatos de momento, saudades da terra natal, ou simples acontecimentos e canções de trabalho. Em relação aos traços musicais bantus detectados no cenário musical brasileiro, além do agogô para o qual pode ser estabelecidas semelhanças na natureza de seu uso, ritual/ profano entre a África negra e a sociedade brasileira, o berimbau, o caxixi e o padrão rítmico de divisão de tempo de 4 pulsações sofreram mudanças na forma de uso.Os Pandeiros são constituídos por um aro de madeira de jenipapo, com espaços laterais para os chuás ou platinelas de metal e um tímpano de couro de carneiro em um dos lados. Quando for quadrado recebe o nome de Adufe. O pandeiro é usado na marcação ritmica da capoeira, seguindo a marcação do atabaque. Apesar de ser apontado como sendo de origem africana, há estudiosos que afirmam que é um antigo instrumento da India. Foi usado em cerimonias religiosas pelos hebreus e ibéricos. Afirmam ainda que entrou no Brasil pelas mãos dos portugueses em 13 de julho de 1549 na Bahia. Em Cuba, é um importante instrumento na liturgia nagô, havendo até pandeiros especiais para orixás.
Os Idiofones: No Brasil, mesmo com a industrialização, muitos instrumentos conservaram sua estrutura organológica característica, o que facilita a tarefa de remontar as suas origens. Mas, vários instrumentos são amplamente difundidos entre tribos africanas, e cuja origem não poderiam ser atribuídas à região banta (Zaire – Angola). Um destes instrumentos é a Campânula Dupla de tons altos (pequenos) e de tons baixos ( largos), presa nas extremidades de uma haste metálica curvada (o agogö). Este tipo de campânula comum na África é conhecido entre os Bakongos do Zaire com o nome de Ngongi, e com o nome gerundial de Nkobu entre os Lubas. No Brasil adaptou o nome iorubano de Agogô. Independente da orquestração em que aparece (religioso ou popular), em algumas regiões, o agogô cumpre uma função única de dar um motivo rítmico contrapontístico de acordo com o tambor. Já na região dos Ashanti, em Gana, o agogô é usado em número de dois ou três, de diferentes tonalidades, criando assim um acompanhamento harmônico e rítmico para a melodia vocal e ao mesmo tempo servindo como marcador de divisão de tempo ( time line) para toda a composição. Para o curandeiro, o agogô é um valioso instrumento para suas invocações.Entretanto, suas funções não tem sido modificadas; ele continua a dar os padrões rítmicos básicos, tanto nos conjuntos religiosos como nos conjuntos populares.Muito generalizado na metade norte de Angola, o agogô é um antigo instrumento real e ocorre muito em culturas aristocraticas, recebe o nome nativo de Gongue ou Gongo, embora existam outras denominações como Xigongo, Lubembe . É feito de ferro e as vezes de cobre.O Gongue é constituído por duas campânulas unidas por um elo metálico em forma de U que as coloca uma ao lado da outra. É feito com o cuidado de manter certa diferença de som entre uma campânula e outra. É tangido com uma varinha de madeira dura.
Peça de feição primária e que se encontra por toda Angola é o RECO-RECO. Confeccionados de palmeira de ráfia na África, no Brasil são geralmente feitos de gomos do bambu onde fazemos incisões transversais por onde fricciona-se um pauzinho para se obter o efeito sonoro emitindo um som rascante e monótono. Aqui no Brasil são feitos normalmente de bambus, cabaças afiladas e até de madeira torneada para o universo musical da capoeira. Mas há reco-recos de metal usados nas escolas de samba. Pode-se até admitir a origem africana do reco-reco, mas o Maestro Heitor Vilalobos achava que é o mesmo ru-ru dos índios e que os portugueses chamavam rekereke. Em Luanda e outros pontos do litoral, alguns reco-recos possuem duas áreas denteadas, produzindo um som mais brando ou mais forte. Há registro de reco-recos (1846, Tito Omboni) que atingem a altura do tocador( África Ocidental). Em Cabinda, o reco-reco é muito tocado pelas mulheres. Outro instrumento amplamente conhecido na África é o Chocalho de cesto, que sobreviveu no Brasil com o nome de Caxixi e em sua forma menor, associada com o conjunto musical da capoeira tradicional e também com o candomblé (Angola, Gege-nagô, caboclo, Keto.) Um de seus traços físicos mais característicos é a base feita com um pedaço de cabaça donde sobe tiras de vime que entrançarão nas espiras. Geralmente são manufaturados pelo desenvolvimento de uma tira de vime ou junco em espiral ligeiramente decrescente, uma alça no final. Na capoeira, onde é muito usado junto com o arco musical (berimbau), o caxixi duplica o padrão rítmico dado pela baqueta na haste metálica do arco, e dá ornamentações rítmicas entre o ritmo básico marcado no arco. "
Usualmente se diz que na orquestra da capoeira existem 8 instrumentos: 3 berimbaus, 2 pandeiros, 1 reco reco, 1 agogö e 1 atabaque. Na verdade são 11 instrumentos, ja que os caxixis são de fato importantes na orquestra da capoeira.
A musica africana apresenta um caráter profundamente associado a todas as suas manifestações de vida. Uma vez divorciados de seu conjunto vital, os elementos musicais sofreram uma mutação conceitual tradicional banta para à popular brasileira. Angola participou largamente nos fundamentos culturais da música brasileira, por intermedio dos bantus fixados na Bahia. No começo da República, quase todos os maestros de Bandas de musica eram angolanos. Os instrumentos de sopro foram introduzidos por eles na música brasileira e americana. Segundo Oneyda Alvarenga, o que se tem de negro na musica popular brasileira é:
a) Estrofe poético-musical improvisada, seguida de refrão fixo.
b) Forma poético-musical constituída por um verso único, seguido de refrão curto.
c) Quebra de quadratura melódica por vários processos.
d) Cantos de rituais afro brasileiros que usam uma escala abaixada, de escalas pentafonicas e hexacordais.
e) Elemento coreográfico único: a umbigada.
f) Grande numero de instrumentos de percussão
g) A marimba e o berimbau
h) Criação de danças dramaticas: congadas, alto do bumba meu boi, cucumbis, taieiras e etc.
No início do século XX eram raros os estudos sobre os povos africanos bantus. Os progressos técnicos ajudaram muito na fixação de musica gravada, já que não adiantava muito ter somente a letra e não ter a musica. O processo de recolha começou mesmo com os discos fonográficos (agradeço se algum leitor quiser mandar mais informações sobre gravações fonograficas). Ao mesmo tempo eram raras as recolhas de instrumentos musicais. A grande liberdade do sentido tonal, ao mesmo tempo plástica e fixa, apresenta-se como característica geral do mundo bantu. As canções bantus , mesmo que insistindo num determinado tema, eram todas de improvisação. Dominam melhor as técnicas percutidoras.Vários são os elementos musicais existentes na música popular brasileira que tem origem banta: a presença de 4 pulsos no início do surgimento do samba, e de 16 pulsos time lines no samba que é tocado atualmente.
Os Cordofones - O mais primário instrumento de corda existente no inventario musical angolano é o monocórdio ou Arco Musical. Há fortes evidencias de que o arco musical já estava em uso por volta de 15 000 a.C., de acordo o Harvard Dictionary of Music ( Pag. 551-552, 1970.) Como vemos, é um dos mais primitivos instrumentos musicais. Pode ser encontrado fazendo parte de inúmeras culturas no mundo: Novo México; Patagônia; África; Brasil e outros.Há diversas variedades. O simples arco de caça, amarrado ao meio que o divide em duas partes, é um tipo, onde o tocador coloca uma ponta no chão e a outra na boca, que servirá de caixa de ressonância, enquanto percute com uma varinha. Entre os bantus existe uma forma especifica, em que a cabaça permanece presa por um barbante ao próprio arco. Variam muitos os modelos, e pela grande variedades de línguas, variam muito os nomes. Um modelo de arco musical é o Cambulumbumba, que é tocado por 3 músicos. O arco continua a ser de caça, que serve de arco bocal e também como arco de cabaça, mas a caixa de ressonancia é uma grande metade de cabaça que fica emborcada no chão. Palavra banta, cuja raiz mbulumbumba é comum na designação de algumas espécies de arcos musicais. É um instrumento infantil para os bantus. Do arco musical originaram-se a Harpa, a Cítara e o violão entre outros. Em torno dele pairam lendas e superstições. Entre os Covas do México, o arco musical é usado com a caixa de ressonância separada, que é um emblema sagrado da Deusa da lua e da terra e só as mulheres podem toca-lo. Na Rodésia, é tocado em ritual de iniciação das meninas. Os Washam Balás, do leste africano crêem que um homem não pode conseguir uma esposa se na hora em que ele estiver fazendo um arco musical, a sua corda se romper, pois sendo um objeto sagrado, isso não é um bom sinal. Na África Bantu existem várias lendas acerca do arco musical, e uma que já é bastante conhecida no Brasil é a da menina que transforma-se em berimbau. Segundo Curt Sachs, o arco musical foi um dos primeiros instrumentos a serem usados na intimidade e para induzir a meditação, sendo um instrumento sagrado apropriado para se por em contato com os espíritos. Para o africano, os instrumentos são seres dotados de alma, possuidores de força misteriosa e dignos de respeito. Há quem afirme que foram os egípcios que acrescentaram a caixa de ressonância ao arco musical. O arco musical se apresenta de diversas formas. No conjunto dos instrumentos musicais brasileiros, ele sem dúvida é de origem bantu, e que aos poucos vai ganhando cada vez mais espaço na musica popular brasileira, que até então estava confinado ao conjunto musical da capoeira, o que é ainda um enigma a ser desvendado pelos pesquisadores, sabe-se porém, que o termo Berimbau é derivado do Quimbundo – Mberimbau – (cf. Mendonça 1948: 329). Não devemos esquecer que o berimbau, aquele feito de metal, medindo 6 centímetros e que era tocado preso nos dentes já era bastante conhecido na Europa. Em Portugal esse instrumento foi comum desde antes de 1550. No Brasil, o termo foi usado com um modificador: Berimbau de barriga. Vários estudiosos enumeram muitos outros nomes para o berimbau de Barriga: gunga, rucungo mbolumbumba (Muilas), ngonga (Kimbundo), lucungo (Lundas-Quiocos), rucumbo (Lundas), hungo (Luanda), oburububa (Benguelas), nhungo (Malange), bucumbumba, chikomba (Bosquimano), kindendo (Amboins), kariari (Quioco) urucungo, humbo e etc. Membranofones: Existe um tambor que não pertence a esse grupo, mas sim do grupo dos idiofones. O Mondo é um tambor interessante pela construção e pela função, ele é totalmente de madeira, em peça única e destina-se à transmissão de mensagens, por um processo de tamborilada. Pode ser ouvido há vários quilômetros de distancia. É encontrado na maior parte das etnias do norte de Angola. No Candomblé, os atabaques possuem papel especial. Os inquices e as filhas de Santo quando entram no salão dançando, reverenciam primeiro os tambores. O três atabaques: Run – o mais grave, que ao contrário de outras formações percussivas, onde os instrumentos graves é que sustentam a base, o Run é que varia e fala mais. O Rumpi, que é o atabaque do meio, faz as vezes de intermediario, auxiliando na fala, mas mantendo a marcação. O Lê que é o menor e mais agudo, faz a marcação rítmica. Certamente o atabaque foi o primeiro instrumento da capoeira. Os cantos Bantus tem necessidade, alem dos instrumentos, dum solista. A letra é variável para cada ocasião, abordando por temas: fatos de momento, saudades da terra natal, ou simples acontecimentos e canções de trabalho. Em relação aos traços musicais bantus detectados no cenário musical brasileiro, além do agogô para o qual pode ser estabelecidas semelhanças na natureza de seu uso, ritual/ profano entre a África negra e a sociedade brasileira, o berimbau, o caxixi e o padrão rítmico de divisão de tempo de 4 pulsações sofreram mudanças na forma de uso.Os Pandeiros são constituídos por um aro de madeira de jenipapo, com espaços laterais para os chuás ou platinelas de metal e um tímpano de couro de carneiro em um dos lados. Quando for quadrado recebe o nome de Adufe. O pandeiro é usado na marcação ritmica da capoeira, seguindo a marcação do atabaque. Apesar de ser apontado como sendo de origem africana, há estudiosos que afirmam que é um antigo instrumento da India. Foi usado em cerimonias religiosas pelos hebreus e ibéricos. Afirmam ainda que entrou no Brasil pelas mãos dos portugueses em 13 de julho de 1549 na Bahia. Em Cuba, é um importante instrumento na liturgia nagô, havendo até pandeiros especiais para orixás.
Os Idiofones: No Brasil, mesmo com a industrialização, muitos instrumentos conservaram sua estrutura organológica característica, o que facilita a tarefa de remontar as suas origens. Mas, vários instrumentos são amplamente difundidos entre tribos africanas, e cuja origem não poderiam ser atribuídas à região banta (Zaire – Angola). Um destes instrumentos é a Campânula Dupla de tons altos (pequenos) e de tons baixos ( largos), presa nas extremidades de uma haste metálica curvada (o agogö). Este tipo de campânula comum na África é conhecido entre os Bakongos do Zaire com o nome de Ngongi, e com o nome gerundial de Nkobu entre os Lubas. No Brasil adaptou o nome iorubano de Agogô. Independente da orquestração em que aparece (religioso ou popular), em algumas regiões, o agogô cumpre uma função única de dar um motivo rítmico contrapontístico de acordo com o tambor. Já na região dos Ashanti, em Gana, o agogô é usado em número de dois ou três, de diferentes tonalidades, criando assim um acompanhamento harmônico e rítmico para a melodia vocal e ao mesmo tempo servindo como marcador de divisão de tempo ( time line) para toda a composição. Para o curandeiro, o agogô é um valioso instrumento para suas invocações.Entretanto, suas funções não tem sido modificadas; ele continua a dar os padrões rítmicos básicos, tanto nos conjuntos religiosos como nos conjuntos populares.Muito generalizado na metade norte de Angola, o agogô é um antigo instrumento real e ocorre muito em culturas aristocraticas, recebe o nome nativo de Gongue ou Gongo, embora existam outras denominações como Xigongo, Lubembe . É feito de ferro e as vezes de cobre.O Gongue é constituído por duas campânulas unidas por um elo metálico em forma de U que as coloca uma ao lado da outra. É feito com o cuidado de manter certa diferença de som entre uma campânula e outra. É tangido com uma varinha de madeira dura.
Peça de feição primária e que se encontra por toda Angola é o RECO-RECO. Confeccionados de palmeira de ráfia na África, no Brasil são geralmente feitos de gomos do bambu onde fazemos incisões transversais por onde fricciona-se um pauzinho para se obter o efeito sonoro emitindo um som rascante e monótono. Aqui no Brasil são feitos normalmente de bambus, cabaças afiladas e até de madeira torneada para o universo musical da capoeira. Mas há reco-recos de metal usados nas escolas de samba. Pode-se até admitir a origem africana do reco-reco, mas o Maestro Heitor Vilalobos achava que é o mesmo ru-ru dos índios e que os portugueses chamavam rekereke. Em Luanda e outros pontos do litoral, alguns reco-recos possuem duas áreas denteadas, produzindo um som mais brando ou mais forte. Há registro de reco-recos (1846, Tito Omboni) que atingem a altura do tocador( África Ocidental). Em Cabinda, o reco-reco é muito tocado pelas mulheres. Outro instrumento amplamente conhecido na África é o Chocalho de cesto, que sobreviveu no Brasil com o nome de Caxixi e em sua forma menor, associada com o conjunto musical da capoeira tradicional e também com o candomblé (Angola, Gege-nagô, caboclo, Keto.) Um de seus traços físicos mais característicos é a base feita com um pedaço de cabaça donde sobe tiras de vime que entrançarão nas espiras. Geralmente são manufaturados pelo desenvolvimento de uma tira de vime ou junco em espiral ligeiramente decrescente, uma alça no final. Na capoeira, onde é muito usado junto com o arco musical (berimbau), o caxixi duplica o padrão rítmico dado pela baqueta na haste metálica do arco, e dá ornamentações rítmicas entre o ritmo básico marcado no arco. "
Usualmente se diz que na orquestra da capoeira existem 8 instrumentos: 3 berimbaus, 2 pandeiros, 1 reco reco, 1 agogö e 1 atabaque. Na verdade são 11 instrumentos, ja que os caxixis são de fato importantes na orquestra da capoeira.
Nzinga Muleeke
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Panela de pressão!
Um dia desses, atendendo pedido de Nalva, pessoa que ajuda a gente em casa todas as quintas feira, comprei uma panela de pressão. Uma dessas bem bacana e cara! Pois bem, cheguei em casa com a nova aquisiçäo ja perto do final da jornada dela. Fiz a devida apresentaçäo do produto enquanto o desembalávamos. Ela achou demais, ja que tinha visto em uma revista. Bom, aproveitei o momento e presenteei-a com a panela de pressäo velha. Ela adorou o presente e o colocou dentro da caixa da panela nova, ja que esta iria para a reciclagem. Seguiu seu caminho a pé em direçäo à sua casa, que fica no bairro vizinho ao meu, levando aquela caixa enorme à tiracolo. Assim que entrou em seu bairro, encontrou uma amiga que foi logo lhe dizendo:
- nossa Nalva! que panela bacana! Quanto foi esta panela~ perguntou ela.
Ai Nalva lhe respondeu:
- nem sei, acabei de ganhar de presente.
- Uau! que presente bacana, benza Deus! Disse a amiga, que seguiu o seu caminho... Nalva andou mais um pouco e parou na casa loterica para fazer uma fezinha na mega-sena. Ficou na fila tempo suficiente para ser novamente interpelada por outra pessoa lhe perguntando sobre a caixa da panela:
- Nalva, voce tá podendo mesmo! Comprar uma panela dessas é prá quem pode e näo prá quem quer!
Charlando, Nalva respondeu:
- acabei de ganhar de presente. Aí, seguiu seu caminho e chegou em casa. Colocou a caixa em cima da mesa e foi tomar banho. Neste momento, chega à sua casa, o seu namorado. Quando vê a caixa, começa a resmungar:
- Desse jeito näo tem quem consiga economizar dinheiro para outros projetos futuros. Como é que alguem tem coragem de gastar um dinheiräo com uma panela chic dessas, dizia ele quase revoltado, apesar de o dinheiro ser fruto do trabalho dela. Nalva ouvindo lá de dentro, continuou calada até na hora em que saiu do banheiro e pode lhe explicar a origem do pacote:
- Olha, esta é uma panela usada que eu ganhei de presente e apenas a coloquei dentro desta caixa. A filha dela que chegou logo em seguida, tambem achou um pouco demais para as suas condiçöes atuais, uma panela daquelas. Aí entäo, teve que ouvir todas as explicaçöes. À medida que a historia ia rendendo, as gargalhadas aumentavam. Quando ela pode me contar toda a historia, eu achei engraçada demais. Cogitamos até que ela corria risco de ser sequestrada em seu bairro em virtude do pacote chic. Dias depois, abri um crediario para adquirir uma TV LCD e quando desempacotei-a em casa, a caixa foi oferecida à Nalva, que recusou peremptoriamente por achar que se chegasse no seu bairro com aquela caixa de tv, depois do disse me disse que rolou da caixa da panela, ela entraria na lista das sequestraveis do bairro e ainda teria problemas na familia. Demos muitas risadas juntos com essa historia das caixas. Pensei até em um roteiro de filme. Teria todos os elementos para uma trama legal. Imaginem! A foto näo tem absolutamente nada a ver com o texto, mas mesmo assim vai de brinde, para pensarmos no circulo e percebermos quäo perto está o Fim do Começo e, como nem täo proximos estäo quando a relaçäo é inversa. Ou seja, o começo quase nunca está perto do fim...
- nossa Nalva! que panela bacana! Quanto foi esta panela~ perguntou ela.
Ai Nalva lhe respondeu:
- nem sei, acabei de ganhar de presente.
- Uau! que presente bacana, benza Deus! Disse a amiga, que seguiu o seu caminho... Nalva andou mais um pouco e parou na casa loterica para fazer uma fezinha na mega-sena. Ficou na fila tempo suficiente para ser novamente interpelada por outra pessoa lhe perguntando sobre a caixa da panela:
- Nalva, voce tá podendo mesmo! Comprar uma panela dessas é prá quem pode e näo prá quem quer!
Charlando, Nalva respondeu:
- acabei de ganhar de presente. Aí, seguiu seu caminho e chegou em casa. Colocou a caixa em cima da mesa e foi tomar banho. Neste momento, chega à sua casa, o seu namorado. Quando vê a caixa, começa a resmungar:
- Desse jeito näo tem quem consiga economizar dinheiro para outros projetos futuros. Como é que alguem tem coragem de gastar um dinheiräo com uma panela chic dessas, dizia ele quase revoltado, apesar de o dinheiro ser fruto do trabalho dela. Nalva ouvindo lá de dentro, continuou calada até na hora em que saiu do banheiro e pode lhe explicar a origem do pacote:
- Olha, esta é uma panela usada que eu ganhei de presente e apenas a coloquei dentro desta caixa. A filha dela que chegou logo em seguida, tambem achou um pouco demais para as suas condiçöes atuais, uma panela daquelas. Aí entäo, teve que ouvir todas as explicaçöes. À medida que a historia ia rendendo, as gargalhadas aumentavam. Quando ela pode me contar toda a historia, eu achei engraçada demais. Cogitamos até que ela corria risco de ser sequestrada em seu bairro em virtude do pacote chic. Dias depois, abri um crediario para adquirir uma TV LCD e quando desempacotei-a em casa, a caixa foi oferecida à Nalva, que recusou peremptoriamente por achar que se chegasse no seu bairro com aquela caixa de tv, depois do disse me disse que rolou da caixa da panela, ela entraria na lista das sequestraveis do bairro e ainda teria problemas na familia. Demos muitas risadas juntos com essa historia das caixas. Pensei até em um roteiro de filme. Teria todos os elementos para uma trama legal. Imaginem! A foto näo tem absolutamente nada a ver com o texto, mas mesmo assim vai de brinde, para pensarmos no circulo e percebermos quäo perto está o Fim do Começo e, como nem täo proximos estäo quando a relaçäo é inversa. Ou seja, o começo quase nunca está perto do fim...
Tempo nos dará lugar!
Mës passado, encontrei com dois amigos enquanto caminhava pelas ruas do centro historico de Salvador. Um deles, um dos maiores pesquisadores da capoeira, com livros publicados sobre este assunto, e o outro, um dos maiores mestres de capoeira angola na atualidade. Ambos falavam de uma crise que assola grande numero de grupos de capoeira angola, no Brasil e no mundo. Näo achei estranha aquela conversa, exatamente porque o grupo do qual sou um dos mestres, atravessa também um momento de renovaçäo, o que geralmente vem acompanhado por algum tipo de tensäo interna. Faz parte! No nosso caso, acho que administrar essa crise foi mais facil pelo fato de termos estatuto e diretrizes internas, metas e bandeiras assumidas quando da sua fundaçäo. De vez em quando, se faz necessario perguntar aos discipulos(as) quem de fato se identifica com as propostas do grupo. Ou numa outra vertente, quem ainda tem encantamento para continuar na batalha, tendo que conviver com com o conflito entre o dever e o prazer. E ai, entram as cobranças de atitudes. Talvez o receio de näo ser capaz de superar a si próprio, crie outras dificuldades que impeça algumas pessoas de avançar e ir de encontro ao seu próprio destino, considerando que este destino esteja na capoeira.
O Grupo Nzinga é diferente! Assumimos lutar contra todas as formas de discrimançäo, ao mesmo tempo em que, através dos valores da cultura africana, tentamos preservar e manter os proprios valores da capoeira angola. Como já disse em postagem anterior, pelo Gcap passaram muitas pessoas legais e com habilidade suficiente para quem sabe, ser um mestre ou mestra no futuro, mas que nâo vingaram por motivos diversos. Desde os problemas praticos da vida real, até os de relacionamento pessoal com os mestres, agravados pela dificuldade em lidar com hierarquia. Foram escolhas para os que se foram, assim como foram escolhas para os que ficaram. Problemas existiram de fato, mas existia um compromisso com coisas maiores do que a nossa vontade de seguir defendendo os próprios interesses e vaidades. Hoje, olhando para o passado, tenho certeza que fiz a escolha certa em ficar, e ao projetar o olhar para o futuro, vislumbro grandes possibilidades de prosseguimento da escola de capoeira que nós do Nzinga defendemos, fundamentada nos princípios pregados pelo mestre Pastinha. O tempo nos dará lugar...
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| Foto: P. Verger |
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| Foto: P. Verger |
sábado, 6 de novembro de 2010
O Pelé da Capoeira é 10!
Ontem a noite, fui acompanhado por Paulinha para o lançamento do livro sobre a vida do mestre Pelé da Bomba. O evento aconteceu no Forte de Santo Antonio Além do Carmo, mesmo lugar onde durante 15 anos tive a chance de aprender um pouco de capoeira angola com os mestres Moraes, Joäo Grande e Cobra Mansa. A capoeiragem baiana esteve bem representada, tanto de angoleiros como de regionais. Uma quantidade enorme de novos mestres, que a gente näo conhece bem, mas que dá para saber que estäo na linha de frente da projetos sociais e engajados na luta pelo reconhecimento dos valores africanos na nossa historia. Gente que faz de verdade! A noite estava belissima e o mestre Pelé inspirado. Aquele é o que a gente pode chamar de "figura". Impossivel näo dar boas gargalhadas com ele. Ele tem o dom de fazer a gente rir.
Comecei a treinar capoeira num tempo em o mestre näo tinha tempo para ensinar a pessoas que realmente näo fossem fazer daquela aprendizagem uma estrada para a construcäo de um caminho de respeito e compromisso com tudo que envolve o universo angoleiro e das africanidades. A cada dia, conquistávamos o direito de continuar pertencendo ao grupo, e para isso era necessario fazer pela causa. Nao havia lugar para fazer terapia. Os tempos eram da sobrevivencia da arte. As coisas nem sempre eram agradaveis, mas tinham que ser realizadas, e era isso que nos credenciava a ficar. E por isso ainda, podiamos fazer sugestöes e opinar nas decisöes. Enquanto o "nucleo duro" resistia fazendo, muitas pessoas talentosas chegavam ao grupo e näo eram tocadas pelos valores envolvidos naquela causa e terminavam por ter que seguir os seus destinos. Näo é a toa que da primeira "barca" do GCAP aqui em Salvador, tenha dado origem a tantos trabalhos de qualidade reconhecida pela comunidade capoeiristica mundo afora. Voltar ao Forte, é voltar à 'Fonte'. Fiquei com um sentimento de saudades: dos ensaios do Ilë Ayë; de ver Lourimbau construindo seus berimbaus altamente exclusivos; do salao do Gcap; de ver Jorge Watusi e Cafuné ensaiando as suas coreografias magicas; de ouvir o Sr. Rodolfo Coelho Cavalcanti cantando a sua literatura de cordel; das festas dos Negöes e das rodas do mestre Joao Pequeno, Jogo de Dentro, Filhos de Angola. Ë Tempo Zará Tempo!
"Na minha Aldeia gira o sol
Tambem gira a lua,
Ai que TEMPO é esse meu Deus!"
Comecei a treinar capoeira num tempo em o mestre näo tinha tempo para ensinar a pessoas que realmente näo fossem fazer daquela aprendizagem uma estrada para a construcäo de um caminho de respeito e compromisso com tudo que envolve o universo angoleiro e das africanidades. A cada dia, conquistávamos o direito de continuar pertencendo ao grupo, e para isso era necessario fazer pela causa. Nao havia lugar para fazer terapia. Os tempos eram da sobrevivencia da arte. As coisas nem sempre eram agradaveis, mas tinham que ser realizadas, e era isso que nos credenciava a ficar. E por isso ainda, podiamos fazer sugestöes e opinar nas decisöes. Enquanto o "nucleo duro" resistia fazendo, muitas pessoas talentosas chegavam ao grupo e näo eram tocadas pelos valores envolvidos naquela causa e terminavam por ter que seguir os seus destinos. Näo é a toa que da primeira "barca" do GCAP aqui em Salvador, tenha dado origem a tantos trabalhos de qualidade reconhecida pela comunidade capoeiristica mundo afora. Voltar ao Forte, é voltar à 'Fonte'. Fiquei com um sentimento de saudades: dos ensaios do Ilë Ayë; de ver Lourimbau construindo seus berimbaus altamente exclusivos; do salao do Gcap; de ver Jorge Watusi e Cafuné ensaiando as suas coreografias magicas; de ouvir o Sr. Rodolfo Coelho Cavalcanti cantando a sua literatura de cordel; das festas dos Negöes e das rodas do mestre Joao Pequeno, Jogo de Dentro, Filhos de Angola. Ë Tempo Zará Tempo!
"Na minha Aldeia gira o sol
Tambem gira a lua,
Ai que TEMPO é esse meu Deus!"
sábado, 30 de outubro de 2010
Livro no Tempo.
No dia 19 próximo passado, foi lançado no Museu Costa Pinto, localizado no Corredor da Vitoria em Salvador, o livro que resgata a verdadeira historia da linhagem Angolão Paquetan na Bahia, representada pela Casa dos Olhos de Tempo que Fala da Nação Angolão Paquetan liderada pelo Taata Dya Nkisi Mutá Imê. O projeto é de um livro de fotos cuja finalidade é registrar certas nuances do dia a dia do terreiro de candomblé de angola que tem no Taata Mutá o seu ultimo sacerdote. Ou seja, a linhagem está sob ameaça de extinção por que não existe outro pai de santo ou mãe de santo que tenha sido feito pelas mesmas mãos. Ele é o ultimo de uma familia e com uma enorme responsabilidade de perpetuar os fundamentos da casa. Com este lançamento, incontestavelmente a Casa dos Olhos de Tempo que Fala Nação Angolão Paquetan projeta a sua memoria para tempos futuros em sua luta de continuar existindo. Na verdade é um livro de fotografias do grande fotografo Aristides Alves, onde o sociologo Renato da Silveira, responsável por profunda pesquisa em diversos arquivos no Brasil e na Africa, trata da parte historica, enquanto a jornalista Cleidiana Ramos narra de maneira leve e solta, o cotidiano da "roça" e as historias decorrentes. Neste contexto, o grupo Nzinga ganha referencias bastantes positivas da jornalista, que situa a nossa atuação na comunidade do Alto da Sereia e as ligações dela com a roça. A qualidade indiscutivel do material usado, a encadernação, a qualidade das fotos e dos textos, num contexto de gravar no espaço e no tempo a memoria de toda uma nação ameaçada de extinção, fazem deste lançamento um marco histórico neste tipo de literatura. O livro foi distribuido gratuitamente para os que foram ao lançamento. O Nzinga apresentou a sua orquestra de berimbaus, composta majoritariamente por crianças e jovens. Teve ainda o povo de santo da casa cantando alguns cânticos sagrados. Esse é outro detalhe maravilhoso do projeto: o livro vem acompanhado por um cd gravado no proprio terreiro sagrado. Um documento raro, que utiliza 3 tipos de linguagens: a escrita, a visual e a sonora. Me sinto muito orgulhoso por participar deste momento de afirmação de uma existencia. Na estrutura hierarquica do Grupo Nzinga existe o Conselho de Mestres,composto pelas mestras Janja, Paulinha,o Taata Mutá e eu. Reconexões que fazem sentido para nós todos.
Ê Tempo Zará Tempo!
Ê Tempo Zará Tempo!
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Bahia Boa!
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Jogo capoeira no Alto da Sereia...
Ontem foi um dia de festa no Nzinga. Completamos 5 anos que estamos ensinando capoeira na comunidade do Alto da Sereia. Tinha mais crianças do que as de costume. Foram muitas mesmo. Agora estamos numa fase de atrair pequenos entre 3 e 6 anos. A maioria dessas novas crianças já freqüenta o Nzinga há meses, mas dizer que eles treinam capoeira ainda não posso. Eu sei que eles estão aprendendo pelo simples conviver com a rotina de treinos e atividades. Eles ouvem e vêem todo o tempo. Volta e meia, arriscam movimentos no meio do salão, tipo Aú e ponte. Quando querem, tocam pandeiro, agogô e reco reco. São pequenas e será uma questão de tempo para esses comporem a próxima geração de crianças angoleiras do Nzinga. Na medida em que alguns da primeira leva, estão atingindo a adolescência e perdendo aquele ar angelical que toda criança tem, outros quase bebês, já nos cercam como se fossem candidatos a uma vaga na próxima "barca". Estamos na paquera pedagógica e prontos para recebe-los. Estamos lá para isso!
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Comadre Onça e o Mestre gato
Mestre João Pequeno de Pastinha
Bom, esta postagem deveria ter sido postada há semanas atras. De qualquer forma, resolvi publica-la na forma do texto original, do calor da hora!
Hoje foi um dia intenso. Como disse em postagem anterior, realizamos a primeira etapa da gravação. Pela manhã, mestra Janja e Antonio (Nzinga) gravaram suas faixas. A Janja gravou uma ladainha de sua autoria e o garoto Antonio gravou uma de minha autoria, a mesma que gravei no primeiro cd do Nzinga, chamada "Corpo Fechado". A tarde, foi a vez do mestre João Pequeno e do garoto da Fundação Pierre Verger. Simplesmente emocionante! Não pensei que iria me emocionar tanto vendo mais uma vez o mestre cantar. Mais emocionante ainda foi tocar para ele fazer isso. Foi realmente um grande privilegio o que vivi agora a tarde. Um ícone da capoeira pastiniana. O seu seguidor mais antigo e considerado pelo proprio Pastinha, como sendo um de seus "olhos", numa alusão subjetiva à continuidade da escola (CECA) após a sua morte. Um dos pupilos do velho e saudoso mestre. O mais antigo capoeirista do mundo com mais de 70 anos de vivencia nesta arte. A ocasião se revestiu de um clima especial para mim porque ao participar daquela gravação com o mestre João Pequeno de Pastinha, para o cd que acompanha o livro da estoria "Comadre Onça e o Mestre Gato", de autoria de Carolina Cunha, senti que estava agregando valor à historia que comecei a construir há quase 30 anos na capoeiragem. No primeiro cd do GCAP - Capoeira Angola from Salvador - gravado parte aqui em Salvador, ao vivo, durante uma das históricas oficinas de capoeira que este grupo realizava, e parte nos Estados Unidos, onde teve a participação do mestre João Grande, o outro "olho" do mestre Pastinha. Para quem lembra, na foto de capa deste cd, tem os mestres Moraes, João Grande, Cobra Mansa, Manoel e eu. Não sei se na epoca ja existia o milagroso Photoshop, mas essa foto foi uma montagem. Foram duas fotos que virou uma, sacou? Coisa simples hoje em dia. Mas, rodou o mundo. Quem produziu aquele cd foi a Smithsonian, que o distribuiu pelos 4 cantos do mundo. Na verdade, gravar junto com o mestre João Grande mesmo, eu não gravei, mas estivemos juntos naquele importante disco. A escritora Carolina Cunha estava junto com a gente no estudio e ficou igualmente muito honrada com tudo. No domingo, foi outro show de bola! O mestre Boca Rica desfilou elegancia no trato com as pessoas e com a sua viola afinada. Cantou tão lindamente, quanto suavemente. Foi demais! Nesta hora, fiquei de fora fazendo uma espécie de regência do coro, dando motivação e impolgação para a criançada, ao mesmo tempo em que fazia a comunicação com a mesa de gravação. O mestre Gabriel no gunga e mestra Janja no medio, completaram a trinca monocordica. Foi bom demais...!
terça-feira, 10 de agosto de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Festa de TEMPO
Agosto é um mes de intensa atividade cultural na cidade de Salvador. Falo da cultura negra em suas varias expressões, com destaque para o candomblé. No proximo sabado haverá festa de Tempo na Casa dos Olhos de Tempo Que Fala da Nação Angolão-Paketan, aos cuidados do Taata Kwa Nkisse Mutá Imê. Aos leitores interessados nesta festa, façam contato. Em varios outros terreiros haverão homenegens à Tempo. Em Cachoeira, no recôncavo baiano, reduto forte de varias manisfestações culturais de origem africana, com destaque para o candomblé, capoeira, samba de roda e samba chula, acontecerá neste fim de semana a famosa festa de Nossa Senhora da Boa Morte. Para quem estiver por aqui, este evento é imperdivel. O mestre Valmir está organizando a saida de um onibus direto para lá, onde haverá uma roda de capoeira angola e em seguida, as pessoas poderão desfrutar da riqueza que é aquele lugar. No final da tarde, o retorno para a capital. Ja fui algumas vezes nesse onibus da Fica. É divertido demais! Agosto tambem tem festa no nosso terreiro. No proximo dia 18, completo 50 anos. Voces estão convidados para a festa, levem frutas e bebidas. Nesse mesmo dia, completam 5 anos que estamos na comunidade do Alto da Sereia. Isso quer dizer que o trabalho que desenvolvemos com as crianças de lá tem esse tempo. Vamos dizer que iniciamos uma jornada. Com quantas chegaremos no meio dessa jornada? Imaginem quantos desses jovens estarão comigo no avançar de minha velhice? Contarei muitas alegrias certamente... Quando semeamos, é sempre para ver a semente germinar e crescer.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Nzinga 15 anos
Nos dias 30, 31 e 1° de agosto, o Grupo Nzinga de Capoeira Angola realizou na cidade de São Paulo, evento comemorativo de seus 15 anos de existência. Os mestres Valmir, Jaime de Mar Grande, Plínio e mais as mestras Janja, Paulinha e eu, fomos os oficineiros de plantão. Ainda tivemos o mestre da cultura popular Tião Carvalho com o workshop de Danças Brasileiras e mais o Taata Dya Nkisse Mutá Ime com a aula de dança de Nkisse. Tinha lá também um grupo de discípulos nzingueiros afinados na orquestração dos afazeres para que tudo transcorresse da maneira mais leve possível. Bom, com esses ingredientes, já dá para ver que foi um evento maravilhoso e cheio de emoções. Daqueles inesquecíveis mesmo! Pelo olhar de mestre que também sou deste grupo, senti-me muitas vezes orgulhoso pelos resultados obtidos nesses primeiros quinze anos. Resultados esses que podem ser percebidos nesses discipulos principalmente no modo de se colocarem perante o outro e o coletivo. A cidade de São Paulo, onde o Nzinga foi fundado, estava com seu friozinho característico e até isso foi legal! Levamos para lá, nada menos que 9 dos jovens e crianças que fazem capoeira com a gente no Alto da Sereia, em Salvador: Iolanda, Bruna, Leo, Bebe, Vinicius, Antonio, Anderson, Anthony e Marquinhos. Alem das presenças de Fulaninho, Fernanda, Fabiana, Diego, Ana Pi, Ligia e Jon. Em outras palavras, a delegação do Nzingasalvador foi a maior representação de fora de São Paulo.
Pensem na repercussão que uma viagem como essa tem na comunidade. Hoje mesmo estive pela manhã visitando as famílias de algumas crianças do nzinga para relatar um pouco da experiencia da viagem e encontrei todo mundo muito feliz e satisfeito com o rumo que a vida daqueles jovens e crianças estava tomando. Ainda brinquei dizendo que a próxima viagem vai incluir tambem as mães desses. Uma delas tratou logo de dizer que tem medo e jamais vai viajar de avião, mas acho que quando se aproximar a hora, isso pode ser revertido. Ainda andando pelo Alto da Sereia, fui abordado por duas jovens que disseram que entrarão na capoeira amanhã. Certamente já movidas pela repercussão da viagem das outras. Sempre depois que acontece alguma viagem ou algum passeio do grupo, a demanda aumenta consideravelmente com muitas crianças se apresentando para integrarem o grupo. Com o decorrer dos dias, algumas vão se evadindo, mas sempre fica um ou outro, e assim a gente vai lentamente crescendo e formando o "nucleo duro"que todo grupo tem. Paciência é uma virtude necessária para vivenciar esse tipo de atividade. Quem trabalha na tradição, trabalha com a esperança...
Apesar de não ter estado nas minhas melhores condições físicas durante o evento, me senti feliz pelas pessoas que conseguimos reunir em torno da causa que nos une, a capoeira angola. Foram 4 dias de alegria e compromisso com a tradição !
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Novas gerações!
Ontem, domingo, tivemos na sede do grupo Nzinga em Salvador, um encontro no minimo inusitado. Estavam as novas gerações de 3 instituições que desenvolvem trabalhos com a Capoeira Angola. As crianças da Fundação Pierre Verger, sob a coordenação do m. Gabriel, as do Projeto Pequenos do João coordenadas pela treinel Nani e as do Instituto Nzinga. Aquele foi o terceiro encontro entre eles. Fora o fato de terem que ensaiar para as gravações de um cd de estoria, a interação entre eles é forte. Este cd fará parte do livro. Se pensarmos que muito daquelas tantas crianças ficarão para sempre na capoeira, então terão a chance de serem amigos a vida toda umas das outras. Essa ideia é legal! A maioria dos meus amigos mais antigos são da capoeira e olha que comecei depois dos vinte anos. O velho Pastinha ja disse que a pessoa que tem muitos amigos é uma pessoa corajosa. Ontem conheci a menina Janaina , 9, do Pequenos do João e ela me disse que começou com a capoeira aos dois anos. Só sei que nada sei…mas sou capaz de apostar que isso fará diferença no final. Destas gravações tambem farão parte os mestres João Pequeno e Boca Rica. Uma bela conexão de opostos unindo o novo com o antigo. Com certeza teremos nos proximos meses um documento de grande valor para a historia da capoeira na Bahia e no mundo.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Bye Bye London!
Cheguei ontem do Reino Unido. Passei antes em Varsovia, capital da Polonia e em Marburg, pequena cidade localizada na região central da Alemanha. Penso que Londres tem ainda um processo para experimentar antes do seu ritual de passagem para a fase adulta no contexto da capoeira angola. Com trabalhos reconhecidos la, os mestres Carlao e Joaozinho me receberam muito bem em seus grupos. Obrigado!
Esta foi a segunda vez que estive em Londres e a cidade tem um charme especial. O lugar onde mais vi pessoas exóticas por metro quadrado. E' legal isso! Fui em alguns pubs bem decentes.
Em Varsovia, e' aquela coisa de começar do começo… nao existe capoeira angola, ate onde eu sei…e' uma capital européia com sérios problemas econômicos e sociais. Nao e' nenhuma Londres, mas consegue mostrar os ares de modernidade. Por outro lado, também consegue mostrar algumas coisas parecidas com coisas de países de terceiro mundo.
Talvez ja tenha me referido em outras postagens a cidade de Marburg. Ha cinco anos existe um pequeno núcleo do Grupo Nzinga la'. La também nao existia nada parecido. De seus 80 000 mil habitantes, 30 000 sao estudantes. Imaginem que rola uma grande rotatividade de pessoas e muitas baladas la' ne'? Cada uma destas 3 cidades busca o seu caminho na definição de uma identidade no novo mapa da capoeira, na medida em que esta cada vez mais se espalha pelo mundo.
Esta foi a segunda vez que estive em Londres e a cidade tem um charme especial. O lugar onde mais vi pessoas exóticas por metro quadrado. E' legal isso! Fui em alguns pubs bem decentes.
Em Varsovia, e' aquela coisa de começar do começo… nao existe capoeira angola, ate onde eu sei…e' uma capital européia com sérios problemas econômicos e sociais. Nao e' nenhuma Londres, mas consegue mostrar os ares de modernidade. Por outro lado, também consegue mostrar algumas coisas parecidas com coisas de países de terceiro mundo.
Talvez ja tenha me referido em outras postagens a cidade de Marburg. Ha cinco anos existe um pequeno núcleo do Grupo Nzinga la'. La também nao existia nada parecido. De seus 80 000 mil habitantes, 30 000 sao estudantes. Imaginem que rola uma grande rotatividade de pessoas e muitas baladas la' ne'? Cada uma destas 3 cidades busca o seu caminho na definição de uma identidade no novo mapa da capoeira, na medida em que esta cada vez mais se espalha pelo mundo.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Viva Deutschland!
Agora sim, o verao. 38 graus! Apesar da sensacao termica nao ser igual aos 38 graus que temos no Brasil. Isso tem haver com a luminosidade, com o valor do "albedo", que e' a unidade que mede a claridade do sol. Aqui na europa, se nao me engano, e' 6% menor que no Brasil e por isso os nossos 38 graus sao mais quentes que os 38 graus daqui, se ligaram? O certo mesmo e' que todos estao curtindo muito os parques e ambientes ao ar livre. Ha uns 3 dias atras Assisti ao jogo do Japao com o Paraguai em um lugar chamado "prainha". Era o espaco de um estacionamento de um grande banco alemao que estava sendo utilizado como area de lazer em Marburg. Todo o chao esta coberto por areia, mesas e sombreiros grandes, pequenas palmeiras em grandes vasos e um bom servico de bar. Varias TVs grandes localizadas em posicoes estrategicas do espaco e otimas cadeiras de praia com recosto na cabeca. Neste dia fomos surpreendidos por uma chuva forte e fomos obrigados a nos abrigar. Ontem, o Mastrinho me levou numa especie de clube de piscinas. Paga-se para entrar. Tinha tanta gente que foi impossivel nao lembrar do "Piscinao de Ramos", la no Rio de Janeiro, que anos atras foi cenario de uma das novelas de sucesso da rede globo. Fiquei muito tempo no sol e nao consegui "pegar um bronze". Me lembrei de trazer um protetor solar do Brasil, mas percebo agora que nao vou utiliza-lo. Hoje tera o jogo do Brasil com a Holanda. Aqui, tenho visto nas ruas muitas manifestacoes dos torcedores alemaes, tal qual acontece no Brasil. A maioria dos carros ostenta a sua bandeirinha, as pessoas tocam as suas vuvuzelas, muitas mulheres fazendo isso. Ai no Brasil, isso quem faz sao os homens. Tem me atraido a atencao de fato, essa demonstracao do nacionalismo alemao. Depois da guerra, esse tipo de emocao ficou contida por conta de tudo aconteceu. Sair as ruas abracado a uma bandeira poderia parecer apologia a um tempo que ja passou e que deixou marcas profundas na consciencia do povo. Lembro-me que em 2007 quando estive aqui a primeira vez e comprei um casaco estilo militar para encarar o frio de -5 C, achei melhor tirar duas bandeirinhas alemas que tinha nas mangas do casaco, pois logo em seguida seguiria para os EUA e achei que os americanos nao iriam gostar muito delas. Conversando com pessoas que moram aqui, soube que esse movimento de resgate da auto estima por sua bandeira vem acontecendo desde a copa de 2006 aqui na Alemanha, num movimento que os jovens desencadearam sem medo de serem criticados ou rotulados. A partir deste canal aberto pelos jovens, a alegria de toda uma nacao manifesta-se de maneira mais espontanea e efusiva nos jogos da selecao alema. Hoje participei de um bolao por 5o centavos de euro e arrisquei 1 X 0 para o Brasil contra a Holanda e 1 X 0 para a Alemanha contra os argentinos. Quem aposta?
terça-feira, 29 de junho de 2010
Da Polonia à Alemanha
Impossivel evitar que as questoes que envolvem as relacoes entre Polonia e Alemanha me venham a cabeca nesta hora. Ha 24 horas atras, estava em Varsovia, onde ouvi poloneses se referindo aos fatos ligados à segunda grande guerra. Na verdade, hora nenhuma ouvi alguem falando mal dos cidadaos alemaes, mas ouvi muitos se referindo aos fatos. E os fatos a historia trata de contar. Ja tinha escutado em novembro de 2009, quando estive a primeira vez em Varsovia, que a cidade havia sido mais atingida pelo fogo alemao em um dos seus lados, ja que o rio Vistula, divide a cidade ao meio. Agora, ouvi que no lado que foi menos bombardeado ficaram estacionadas as tropas russas. E ai a pergunta que se segue e': porque os alemaes nao atacaram os russos tambem? O que consta nos autos da historia e' que havia um acordo secreto de nao-agressao entre as duas potencias militares. Os russos ficaram esperando que os alemaes se desgatassem com a forte resistencia polonesa e, enfim eles invadiriam e tomariam Varsovia, o que acabou acontecendo, de maneira ou de outra. Ocuparam o pais por decadas e so para falar do aspecto arquitetonico, deixaram marcas dificeis de passarem despercebidas aos nossos olhos. O Instituto de Cultura de Varsovia, e' um exemplo de arquitetura megalomaniaca instalada por Stalin no centro de Varsovia, como um "presente" que o imperio russo dava à todos os locais que invadia. Ate cheguei a lembrar do Cavalo de Troia, que tambem chegou como um presente. Existem varios monumentos iguais aquele, espalhados principalmente no leste europeu. O predio e' gigante! Pode ser visto de quase todos os pontos da cidade. E por ai vai! Estou nessas imbricacoes mentais agora, aqui, em territorio alemao. Sera' que terei a chance de conversar com alguem daqui sobre essas reflexoes? Tambem ouvi alguns poloneses se referindo ao futuro, como forma de esquecer o passado. Ja percebi, porem, que o assunto e' delicado tanto na Polonia quanto na Alemanha. Ainda e' possivel encontrar pessoas vivas que estiveram no centro dos acontecimentos que marcaram a historia da humanidade no seculo 20, tanto do lado polones, quanto do lado alemao. Para algumas coisas na vida de uma pessoa, 65 anos pode parecer muito tempo, mas para outras, isso pode nao ser nada...
PS: Mais uma vez, me desculpo pela falta de pontuacao.
PS: Mais uma vez, me desculpo pela falta de pontuacao.
sábado, 26 de junho de 2010
Parque da Girafa!
Hoje fez um belo dia em Varsovia! Foi um dia vitorioso! O sol brilhou durante todo o dia acompanhado por uma brisa fresquinha, lembrando o outono de Sao Paulo City. Eles dizem por aqui que ja deveria estar bem mais quente, mas por causa do vulcao, estao rolando algumas anormalidades. Mas de qualquer forma, estamos no periodo em que os dias sao muito mais longos do que as noites, de tal forma que agora o sol esta se pondo perto das 22 hs depois de ter raiado as 5 hs. Foi vitorioso porque depois de realizarmos a etapa das aulas de movimentos e ritmo no salao da capoeira durante toda a manha e grande parte da tarde, realizamos no final da tarde e inicio da noite, uma atividade de rua em conjunto com o grupo de samba que tem aqui em Varsovia, do qual as capoeiristas Ewelina e Agnieszka fazem parte. A concentracao aconteceu em esquina movimentada do centro do bairro de Praga, de onde partimos em cortejo - samba e berimbalada - em direcao a um otimo parque nao muito distante dali. As pessoas aqui estao em total ritmo de verao, passeando de shorts e camisetinhas regatas, bikes com as criancas e etc. As flores em todas as partes, dao o tom da estacao. Nao diria que arrastamos uma multidao, mas foi grande o numero de pessoas que nos seguiram ate o centro do parque, onde ha' uma obra de arte de uns vinte metros de altura de uma girafa de ferro fundido. Foi ali que haviamos preparado para receber as varias dezenas de pessoas que arrastamos conosco, ate' o momento de realizarmos a roda de capoeira, onde contamos com a presenca de representantes de varios grupos de capoeira regional de Varsovia. Pelo que entendo, so' ha' um grupo de capoeira angola que e' este que esta me recebendo agora. Foi otima a atividade e causou uma reacao de alegria bem visivel nas pessoas que la' estiveram. Eia! Peco desculpas aos meus ilustres leitores, pela falta total de acentuacao nestas postagens em teclados estrangeiros.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
Ie, volta do mundo camara!
Hoje estou em Varsovia sendo recebido pelo Grupo de Capoeira Angola Varsovia, que tem como lider o capoeirista Maciek, auxiliado pelas capoeiristas Ewelina e Agnieska. E' a segunda vez que venho aqui na Polonia. A primeira vez foi em novembro de 2009, portanto, durante o inverno daqui, que nunca e' ameno. Nunca tinha vindo aqui durante o verao. Essa e' a primeira vez que vejo as arvores daqui com todas as suas folhas. E' outra coisa! As pessoas tambem mudam muito o astral. Estou vendo muitas flores e as pessoas usando camisetinhas de malha na rua. Quando sai de Salvador, os baianos estavam vestidos com suas japonas e casacos, suportando um frio de 21 graus do nosso rigoroso inverno. Chego aqui no hemisferio norte, no verao, e encontro exatamente a nossa temperatura de inverno, 21 graus durante o dia e, e' claro, durante a noite a temperatura cai um pouco mais. Nem sei para quanto... Mas pelo menos, durante o dia, o sol brilha. Na proxima semana, estarei em Marburg, pequena cidade do interior da Alemanha que tem o seu cotidiano girando em torno de uma grande universidade. Dos 80 000 habitantes desta cidade, pelo menos 30 000 sao estudantes. Imaginem que e' a cidade das baladas e dos jovens. So' para termos uma ideia, o governo alemao subvenciona a cerveja vendida nos bares, para permitir que estudantes, teoricamente sem empregos, possam consumir o liquido precioso sem gastar muito. Que beleza! O primeiro mundo tem inclusive dessas coisas! Para falar a verdade, o primeiro mundo tem mesmo muitas coisas legais. Pena e' que as relacoes humanas ficam um pouco escamoteadas. Fico as vezes com a impressao de que a evolucao que o esse primeiro mundo experimenta, leva os seus habitantes a`solidao. A minha teoria e' que os paises da europa onde ainda se pode sentir um certo calor humano, nao sao os paises mais desenvolvidos deste continente. Isso e' teoria viu gente! Nada cientifico, tudo empirico!
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